quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Ano arroz.



Este foi meu ano arroz (depois das primeiras horas de 2010, concluo este pensamento).

2010.




2005, 2006, 2007, 2008, 2010.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Vai um OMEPRAZOL aí?




Há tempos não sentia a imunidade tão baixa, tanta dor física, mais especificamente esta no esôfago. Até então não sabia qual era a função deste órgão, hoje eu sei detalhes da sua anatomia e funcionamento. O que ocasionou isso? Uma boa dose de estresse, misturada com muita bebida alcoólica e uma musculatura lisa fatigada.

Pareço uma mulher grávida: fico com ânsias o tempo todo, salivando, soluçando e sentindo dores na região do esterno, não sinto fome e tenho dificuldade incrível para engolir até água, isto quando não sou acometido por ataques de asma e regurgitação.

Basicamente o que acontece é um bombardeio impiedoso de ácidos do estomago e sucos biliares no meu esôfago, o que ocasiona um ulcera. Estes, que deveriam ficar no estômago, retornam devido ao não fechamento da “válvula” do esôfago. O esôfago tem um revestimento fino, não resistindo aos “refluxos” de substâncias digestivas advindas do estômago.

Ano retrasado quase perdi a voz, devido à corrosão dos ácidos que afetavam as minhas cordas vocais. Há quem não reconheça a minha voz hoje, devido ao tratamento, voltei a falar sem fazer muito esforço. A minha culpa se resume nas doses cavalares de bebida, estresse, comer e deitar imediatamente, fazendo com que ocasione o tal refluxo gastro-esofágico.

Admito que abandonei o tratamento, mas não os novos hábitos recomendados pelo Dr. Mohamed. Abandonei comidas, pimenta, reduzi o chocolate, aboli alguns refrigerantes à base de cola e comprei um travesseiro triangular, mais conhecido como uma manta anti refluxo.

- E agora quem poderá me salvar? Seu nome é Omeprazol. Uma medicação miraculosa e cara, mas que reduz a acidez do estômago - para isso basta tomar uma dose em jejum. É um anti-ácido elevado a mil, por assim dizer. Segundo meu médico ele um inibidor da bomba de prótons, não sei o que significa, até porque sou péssimo em Química, mas sei que me faz bem. O tratamento clínico é longo e restritivo ao extremo e veio em péssima hora, péssima!
- Burb…burb…

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Ho ho ho.




Natal me remete a muito saudosismo e, por este motivo, quando voltar a Foz do Iguaçu, acredito que terei muito que escrever. Natal para quem não sabe, é aquela data Cristã, (que os judeus e os chineses aproveitam o feriado para ganhar dinheiro) na qual as pessoas se reúnem em volta de um objetivo comum: não, não é o nascimento de Jesus, mas sim o Peru!

O grande símbolo do Natal, sem dúvida nenhuma, é o consumismo. Nunca vi data mais apelativa, hipócrita e significante para as pessoas. Ao longo do ano, servimo-nos de ganância, intolerância, egoísmo - mas ao chegar o Natal, nos reunimos, juntamente com as pessoas que, na maioria das vezes, mal nos importamos o ano todo, e de uma maneira “mágica” (como na propaganda da Coca-Cola); tudo se resolve, consumindo, consumindo e consumindo.

Independente destes conceitos e da dor de cotovelo que estou sentindo das pessoas que realmente assemelham a essência do Natal; pensei numa inversão total: durante todo o ano, praticamos o espírito de Natal; nem precisa nos encher de presentes e se entupir de Peru; apenas a essência do Natal - e no dia vinte e cinco; chutamos o balde, a bunda gorda do Papai Noel, a mesa, o peru, os convidados e o caralho a quatro!

Soa mais coerente, porém acredito ser impraticável para muitos – talvez me inclua também, mas para os entusiastas do Natal em si – o que me excluo desde já – para estes sim, impraticáveis desde sempre.

Antes da ceia, vamos todos nós – ao redor do mundo – rezar pelas pessoas que tem fome, não tem trabalho, não tem teto; depois, sem o mínimo constrangimento, enfiar um pedaço suculento de carne na boca, tomar bastante vinho e depois dormir nas nossas camas secas, não atingidas pelos desastres naturais.

Viva esta magia do Natal, o verdadeiro espírito de felicidade que nos contagia e faz-nos sentir menos culpados pelos problemas do mundo, afinal de contas, é Natal!

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Pode sim.




- May i help you? Era o que eu ouvia quando apertava incessantemente o único botão que não era fake do celular de brinquedo - que vendeu muito pelas feiras-livres no começo dos anos noventae, ouvia repetidas vezes esta maldita frase.

No começo confesso que era quase impossível decifrá-la - dado meus ínfimos conhecimentos de língua inglesa e a péssima pronúncia robotizada do aparelho, mas com o tempo fui me concentrando e decifrando cada palavra.

O que será que este maldito está tentando dizer? -“laila viu”; era tudo o que eu entendia. -“laila viu”, mas que diabos é esse “laila viu”, será que é alô em chinês? - Pensava. Destruí vários na parede, mas até hoje eu não decifrei as primeiras frases, mas sei que o final era realmente este: Posso ajudá-lo?

- May i help you?

As vésperas de viajar, ao longo de um dia cansativo fisicamente de trabalho, após efetuar minhas tarefas cotidianas, vagueava de posto em posto de trabalho, esperando acabar o plantão.

Uns falavam sobre motores de barcos e as suas funcionalidades – as melhores marcas, potências, custo benefícios; não me senti muito a par do assunto, fiquei pouco tempo e me desvencilhei das histórias de pescadores. Então segui em frente, até me deparar com o grupo dos especialistas em futebol. Eu era bom nisso quando era mais jovem, já hoje, não sei escalar metade do meu time do coração. Fiz comentários defasados e continuei a rodar. Encontrei com o grupo dos casados aventureiros – destas histórias eu estava cheio, no começo é divertido, mas a partir do momento em que os desfechos se repetem, fica redundante tecer qualquer comentário.

Por um instante - senão por toda a minha vida - não me vi ligado a nenhum grupo especificamente. E puxando pela memória, realmente não fiz parte de grupo algum durante toda a minha vida.

Não me sinto excluído por este detalhe, pelo contrário, eu me vejo interagindo com todos. Entro e saio a qualquer momento; seja por afinidade, necessidade, oportunidade, instabilidade ou amizade; no meu trabalho, na minha vida sentimental, social, faculdade e até da minha família.

O meu, sem dúvida, é um grupo com uma pessoa só: transparente, amorfo, mas com conteúdo, seja ele qual for. Tenho que parar de admitir que preciso de ajuda, pois estou ciente há muito tempo, está ficando constrangedor para mim mesmo, até porque ninguém percebe, só eu. Sempre soube o que, quem e onde (não) procurar; o que eu inverto é a seqüência, ou pulo etapas, ou não dou prosseguimento ou simplesmente vivo.

De qualquer forma, um feliz natal a todos os grupos, inclusive o meu. Seja lá qual for.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

2+2



Era uma conta simplória; bem incipiente para o nível das atividades que desempenho – era uma soma seqüencial: cela x, quantidade de presos x; cela x1, quantidade de presos x1; cela x2, quantidade de presos x2; até celas xn e quantidade de presos xn.

Inicialmente fiz o procedimento à moda antiga: contagem visual; procedimento cético, logo não havia probabilidade de erro formal, somente um descuido - o que era improvável - dado meu apetite por perfeição e minha síndrome de transtorno-obsessivo-compulsivo.

Ordenei que se enfileirassem lado a lado, olhei fixamente todos, contei um a um e anotei o número da cela e a quantidade. Faltavam apenas quinze minutos para executar a tarefa, passar a limpo, assinar e entregar ao relator, mas seu não conseguia fazer as somas simples, não batiam – tentava por pares (quantidades iguais primeiro), mas sempre faltava um; tentei um a um então – infelizmente o silêncio nunca imperava – logo perdia a concentração, mas o erro persistia.

Estava tudo certo, conferido visualmente, estavam todos lá, ninguém havia fugido, menos eu. Estava ausente, longe, disperso procurando achar razão naquelas contas, relacioná-las com algo que fizesse sentido na minha vida, que não apenas entregar o serviço. Meu trabalho é minha fuga.

O tempo acabou, entreguei-as para a conferência e as contas não bateram. Faltou um apenas. Um, somente. Todos nós sabíamos que estava tudo certo, nunca dei margem para erros gritantes, mas havia uma divergência e ela estava no raciocínio e não no conteúdo. Havia visualizado todos, colocados no papel, mas a soma final na batia.

- Calma Fabiano, estamos aqui para resolver isto. Ouvi de um afável colega, responsável pela conferência.
- Estava certo, eu disse, só precisava de mais tempo, talvez mais uns cinco anos de terapia. Ele não deve ter entendido, obvio.

Corrigi, passei a limpo apenas, assinei, vi a escala do plantão seguinte, cumprimentei “por cima” os colegas do outro turno e parti.

Dirigi meu velho e fiel carro por osmose, calmamente; mantendo-me nos cem quilômetros horários de média, na faixa da direita, sem me preocupar com o fluxo do horário de rush. Sempre atento ao retrovisor, mas não por prudência, apenas a mesma mania de olhar sempre para trás em todos os sentidos. O trajeto do trabalho para casa é retilíneo, por uma movimentada rodovia; por um instante tive vontade de dar uma guinada, de parar no meio do caminho ou até mesmo de voltar.

Admito que estou perdido num caminho reto, se é que isso é possível de acontecer. Não estou conseguindo parar para pensar em tudo o que está acontecendo, estou apenas fazendo. Eu faço e pronto. Eu vejo e tento somar, as contas estão certas, mas o raciocínio não, eu me perco em alguma linha e não sei qual é.

Está tudo certo, mas alguma coisa não quer bater na minha vida.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Vontade de fazer nada e descançar depois.





Enfim o ócio. É incrível como consigo raciocinar melhor enquanto não estou fazendo absolutamente nada. Sei que meu pensamento é completamente incompatível com os dias atuais, onde as informações são recebidas, assimiladas e transformadas em decisões num curto espaço de tempo. O ócio é comprovadamente por mim, em minhas pesquisas particulares e experiências vividas como o comportamento mais produtivo do mundo.

Ócio mental; o momento em que seus pensamentos simplesmente tomam vida própria, procriam indiscriminadamente e até tomam decisão por si mesmos. Vem e vão sem compromisso algum, sem pressão – a esmo. Estou refletindo agora, apenas isso; agora tenho tempo suficiente para analisar tudo o que eu fiz e como isso me fazia falta.

O pragmatismo do dia-dia me impede de cometer desatinos e me deixa um tanto quanto formal e nada mais cruel do que eu me olhar no espelho e enxergar-me como o mais comum dos seres. Não que não o seja; mas esta auto-concepção me desanima em todos os sentidos.

Estou me sentindo aliviado de algo que não reconheço como problema – mas aliviado por não ter o com o que me preocupar momentaneamente, senão em deitar a cabeça no travesseiro, deixar meus pensamentos caminharem por si só. Era o que eu precisava. É passageiro, eu sei. Logo sentirei vontade de colocar em prática novamente tudo aquilo no qual perdi alguns dias refletindo e, enquanto não pô-los, a situação se inverte – o que era refúgio e soluções para a ser calvário e dor-de-cabeça.

Por enquanto estou me divertindo desritmicamente, com o compromisso de me preocupar apenas na hora em que eu bem entender.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Mens Sana Corpore Insano.




De volta às origens novamente. Saí sedento por um pedaço de carne qualquer. Estava faminto, seco por dentro e completamente obstinado por um objetivo: Saciar a minha gula, minha fome - instinto animal ao extremo. Nunca me senti tão humano quanto agora. As necessidades fisiológicas, algo simples que passam despercebidos em tempos de bonança. Não via nada a um palmo de distância. Olfato aguçado, porém com visão turva de fome. Confusão mental oscilando com momentos de sanidade.

Eu queria, eu precisava. Eu quero, eu preciso. Quero, preciso. Logo faço, custe o que custar, ou melhor, custe quem custar! Dentro de poucas possibilidades me foquei em apenas uma.

Parecia um alvo fácil. Mas relutei; não poderia errar, pois meu ego não admitiria um erro. O bote foi armado meticulosamente. Meus olhos brilhavam, eu salivava. Ria por dentro, apesar da tensão que me cercava. Eu me guiava pelas linhas tênues da insanidade e pelas curvas sinuosas da ansiedade. Era chegado o momento do encontro. Seria fatal para uma das partes. Impossível dois vencedores, inadmissível dois perdedores. Entre mim e ti, acolho a mim. Perdoe-me; é a lei da vida. A lei da natureza. É vil, revoltante em certos casos, é violento na maioria das vezes. Mas é natural. Nada podemos fazer, apenas seguir o fluxo natural da vida. Os porquês ficam de lado.

A batalha está travada. Você não tem argumentos e de forma alguma tentará me questionar. Se tentar será tarde, estarei com os dentes cravados no seu pescoço, tremendo, com a pulsação acelerada, ofegante. Sentirá o quão fraca é diante das leis da natureza, da minha necessidade.

Terá sorte se sair com vida, quanto mais duro for o embate, maior será minha sede de vitoria, minha gana, minha gula. Não é a primeira vez, dada experiências anteriores e do alto dos meus vinte e nove anos, que não me permitiriam errar. De repente o que era necessário virou fatal. Pobre de ti, não sinto pena, não sinto absolutamente nada racional. Reaja, não se entregue, lute, debata, mas não implore por nada, não peça – faça!

Tudo em vão, enfim saciado. Desvencilhei lentamente minhas presas de sua carne. Você, combalida, sensível, arrepiada e sem reação. Eu satisfeito, saciado, quieto, feliz por dentro.

Tudo volta ao normal; a pulsação, os olhares, a respiração. Sinto a vida fluir novamente por minhas veias. O gosto suculento da avidez por carne. Afasto-me. Sinto um misto de culpa com necessidade. E é o que me salva dos meus pecados - A necessidade.

Talvez nos veremos novamente, talvez não. Dependerá da minha fome.

domingo, 29 de novembro de 2009

Nova Tag Fotos: Maresias - SP

Uma foto, definitivamente, não vale mais do que mil palavras, entretanto, engloba umas quinhentas, creio eu. Ultimamente tenho escrito mais em folhas avulsas do que parado para digitar no computador. Tendo em vista que não faço cópia de segurança de nada, resolvi postá-las para um dia não perdê-las. Não se acostumem, pois não consigo expressar-me tão bem com as fotos. Como o próprio nome da "tag" diz; fotos= fotos! Tenho aproximadamente umas 3 mil fotos, vou postá-las ao longo da minha falta de criatividade/tempo/preguiça de escrever...

Maresias, 19 de novembro de 2008. Uma viagem planejada por dois grandes amigos em apenas quinze minutos de conversa telefônica, assim do nada, num estalo. - Vamos? - Sim, mas não tenho dinheiro, tempo e onde ficar. - Isso é o que menos importa! - Então que hora partimos? - Agora... - Fechou!


Eu não dirijo sem óculos, não troco pneus, comando o play-list do som, escolho os caminhos errados, vou comendo e falando a viagem toda - mas sei que sem mim a viagem não teria sido a mesma coisa. Não mesmo! (Pneu furado numa curva, descendo a serra; viagem atrasada umas três horas, mas para falar a verdade, quem tinha pressa de chegar?)

Tenho uma facilidade ímpar para fazer amizades, sejam duradouras ou momentâneas - devido à distância, o contato físico e os encontros são raros, mas quando acontecem, dá nisso...
(Sexta-feira chuvosa, não lembro o nome do bar (...)oficina-alguma-coisa, mas o ambiente era muito legal, uma mistura de pub-club-pizza; rodamos bastante para achar algum lugar que tivesse vaga para comermos, mas valeu a pena pelas companhias e pela comida também.)


É "titio", nosso nome é trabalho!!! E que trabalho nos demos! ahahahahaha.
(Sábado de sol, hotel Siribai, almoço demorado...há, que pressa que eu estava - "Quem só almoça tem direito à entrar no SPA? tsc, tsc, tsc.)


Nunca fiz amigos bebendo leite, "burb"...
(Foreing friends, lual, Whisky, pernilongos, velas...ué, cade o japa??? ahahahhaheaeh).


Há algum tempo não reservava um tempo para mim e para o mar e o reencontro foi em forma de estouro. Senti-me lavado, dos pés à cabeça. (Pouco importava as horas, mas era tarde...)


Há, escrever dentro de um quarto fechado, trabalhar de preto, andar somente de carro tem destas; digamos que eu e o sol não temos muita afinidade durante o ano todo...


Vai buscar mais cerveja Taka...


Que eu faço companhia para nossas amigas estrangeiras...


Bronzeador querida? (Ps.: ela me ensinou (em compreensível português com sotaque hebraico) as causas do conflito na faixa de Gaza e expôs os argumentos de Israel por querer explodir a Palestina, na visão de uma judia, claro. Enquanto eles se matam, nós vivemos por aqui.


Estava me esquecendo da noite em Maresias (...) Mas cadê o resto das fotos japa? Haaa...verdade! Eu estava me esquecendo...
Bom, estrelando: Marcelo Takahashi, Fabiano Pereira e Leonardo Bácaro.


Foi uma das melhores viagens da minha vida. Na verdade foi a que eu mais aproveitei em todos os sentidos - e haja sentidos. Demorei certo tempo para assimilar este tipo de comportamento que muitos chamam de "viver", agora não penso duas vezes, sequer penso; basta um pouco de ousadia, bons amigos e a vontade de se divertir.




Trilha sonora; (uma das favoritas na estrada...)
(...) I’ve got to be true to myself. Sempre!!!!!

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Sim sinhô coroné!




Não me causou estranheza a autoproclamação de Roberto Requião ao pleito de uma candidatura própria do PMDB à presidência da república. Mas o que me assusta mesmo é o seu discurso teoricamente pró-nacionalismo. Requião, esquece-se que, no seu discurso - no qual diz que apresentaria uma proposta desvinculada de interesses financeiros – foge totalmente à realidade dos avanços sociais, conseguidos hoje, claro, com o empenho do governo; entretanto às custas de recordes de arrecadação de impostos justamente sobre as mercadorias e serviços geradas pelos interesses financeiros.

Na verdade “liberalismo” seja qual for o contexto no qual se encaixe, não faz parte do vocabulário de sua excelência, Roberto Requião, donatário da capitania hereditária do Paraná.

É famoso por centralizar todas as suas decisões, utilizar-se de todas as ferramentas governamentais para cercear os direitos de quem o contrapõe: censurando literalmente a imprensa paranaense, demitindo líderes sindicais, pressionando o poder judiciário e claro, usando órgãos de imprensa pública para atacar seus adversários. Dentre outros “traços de personalidade”, nosso governador é famoso simplesmente por não cumprir ordens judiciais. Além de ter inúmeros processos que só não tem prosseguimento graças à sua imunidade governamental, que impedem que os seus desmandos sejam julgados pela justiça comum.

Requião se declarou “lulista de carteirinha” em entrevista à Carta Capital, mas na verdade, suas características o credenciam a um “chavista de carteirinha”. O Estado do Paraná não tem um governador, uma figura representativa do povo, o Paraná tem um dono. Questionem-no e verão o quão grande é sua fúria, ira e falta de argumentos para um debate corriqueiro num estado democrático de direito.

Lamentavelmente estamos acostumados com tudo isso; há quem diga que os coronéis estão em extinção ou centralizados em regiões pouco desenvolvidas, mas a realidade é outra - estamos todos sob o crivo de seus aguçados chicotes.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O pão que o diabo amassou.


Receita de pão que o diabo amassou.

Ingredientes:
15 quilos de mistura de farinha preparada para pão.
1 quilo de açúcar cristal.
500 gramas de margarina vegetal.
500 gramas de fermento biológico.
5 litros de água potável.

Rendimento:
380 a 400 pães.

Modo de preparo:
Colocar a mistura de farinha dentro da masseira, ir adicionando água aos poucos até formar uma liga. Adicionar o açúcar, colocando simultaneamente a água. Em seguida, misturar a margarina à massa e, por fim, adicionar o fermento biológico. Deixar misturar dentro da máquina para que a massa fique totalmente homogênea.
Logo na seqüência, retirar toda a massa e cortá-la em postas de aproximadamente 2,5 quilos. Passar pelo cilindro industrial cada pedaço vagarosamente por cinco vezes, observando sempre a consistência da massa.
Em seguida colocar os pedaços na prensa de separação, onde cada pão irá adquirir peso e formato ideal, antes de passar novamente pelo cilindro e finalmente serem acomodados nas bandejas para repouso. Nesta fase os pães serão separados uns dos outros e armazenados nas esteiras de uma estufa elétrica, onde ficarão por aproximadamente 40 minutos em repouso sazonal, em temperatura controlada em exatos 40º C.
Terminado o processo de preparação da massa, os pães são espaçados uns dos outros dentro da bandeja e encaminhados ao forno à lenha, onde serão assados por 20 minutos a uma temperatura de 170º C.

O processo:
Quatro são os envolvidos no processo de produção; cada qual com sua função específica, contudo todos a par de todas as etapas de produção. A interação é dinâmica, o entrosamento é total, o processo de liderança é dividido de acordo com as funções.
A disciplina impera, o controle de qualidade é rígido, a dedicação é exclusiva – a demanda é alta e o tempo escasso - logo as perdas durante o processo são logo superadas.

O produto final:
São 2500 pães diários; sendo 250 para consumo funcional diário da unidade; outros 250 para funcionários das demais. 500 para consumo da população carcerária local e outros 1000 para as outras e o restante fica estocado para emergências.

Receita de pão que as circunstâncias amassaram.

Ingredientes:
1 latrocida.
1 assaltante de joalherias e carros-forte.
1 traficante de pasta-base de cocaína e todos os seus sub-produtos.
1 ladrão* (Extensa ficha criminal).

Modo de preparo:
Pegue a falta de oportunidade; de acessos a recursos básicos; junte tudo isso a uma educação familiar desestruturada, violência e injustiças e têm-se a base da preparação. Misture tudo com o oportunismo; ganhos fáceis em curto tempo, adicione motivos intrínsecos de falta de caráter,sentimento de inferioridade, revolta e ganancia e covardia.
Misture tudo até transformar numa massa densa e concentrada, de difícil desvencilhamento ao entrar em contato. Deixe-a fermentar livremente, crescendo desordenadamente. Separe-a da sua realidade; ignore-a e a jogue dentro de uma panela de pressão e deixe cozinhar até que exploda e espalhe por todos os cantos e, respingue em você, mesmo que indiretamente.

O processo:
Juntos, os quatro envolvidos acumulam mais de 150 anos de condenação. Todos reincidentes; nenhum com menos de trinta anos de idade – contrariando as estatísticas. Unidos por uma única causa - a sua própria remissão de pena, a chance de encurtar sua estadia intra-muros. São habilidosos e ardilosos ao mesmo tempo. Ágeis com as mãos e com os olhares, passam o tempo concentrados no ofício de padeiro e nos meus movimentos.

O resultado final:
Os pães são de primeiríssima qualidade; feitos com aparente cuidado, interesses diversos e muita sede de liberdade. Eu provo o produto sempre e o resultado é sempre satisfatório; diferentemente da segunda receita, que por mais dedicação e qualidade do material, o produto final é sempre rejeitado, não passa pelo controle de qualidade e volta para a panela de pressão novamente.
Serão sempre bem-vindos...

(...) Aprendi a fazer pão no meu trabalho, apesar de não ser padeiro e não estar numa padaria convencional - mas foi um dia divertido, ou melhor, produtivo. Afinal de contas, quem está comendo o pão que o diabo amassou: nós ou eles?

terça-feira, 10 de novembro de 2009

O casamento dos meus melhores amigos II.




Ache o “Tony da Kellog's” na foto.

Ele pode estar escondido por detrás de frustrações – experiências incrustadas em arrependimento próprio ou feliz por não ser parte integrante de um relacionamento fadado à monotonia.

Esquivar-se das suas próprias escolhas definitivas por intransigência emocional, com a escusa de que não há ser capaz ou com tal característica de o manter ocupado por mais de uns dias ou simplesmente um ser melancólico - que gosta de ruminar velhas cartas de amor, daquelas escritas há mais de quatro anos, manuscritas, ainda com leve aroma de arrependimento.

Está nos olhos de quem vê e, também, na minha consciência. Apesar de, Tony está muito feliz na foto: escondido ou não; arrependido ou não; solteiro ou não.

Cuidem bem das suas esposas, meus amigos; pois um dia (um dia...) o Tony cuidará muito bem da dele!

Por ora, Tony brinda aos seus melhores amigos; agora casados!

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Despedida de solteiro.



Não sei se caso ou compro uma bicicleta...

Coincidentemente eu sai na frente (na foto é claro); pois estou bem longe de me casar; quiçá de um relacionamento estável. Estou feliz assim, é, estou feliz...

O noivo (encontre-o) parece receoso, preocupado, mas, enfim, nos divertimos bastante nestes três anos; para dizer a verdade exageramos - talvez isso o tenha levado ao matrimônio, e se não bastasse, obviamente o amor entre os noivos contribuiu para a consumação do ato.

Estou feliz, mais um amigo que se casa e como havia prometido silenciosamente, eu vou no casamento de todos os meus melhores amigos e principalmente nas despedidas de solteiro. Há, foi comportada a foto...
...a foto!

As outras, por via de segurança e posteriores pagamentos de pensão alimentícia e futuros divórcios, eu as deletei.

Viva os solteiros! E os casados também, mas que esperem por outras despedidas de solteiro, que não a minha própria!

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

17b-hidróxi-4-androsten-3-um




Insuperável apenas pelo instinto de sobrevivência – senão muitas vezes confundido com ele - a libido, despertou novamente de seu pacífico e cômodo estado de conveniência. Tal fato deve ter enes explicações plausíveis; desde variações climáticas até, claro, a mais obvia: o instinto masculino.

As provações satisfazem apenas o ego; já as sensações provocadas satisfazem meu corpo, minhas vontades, e porque não, as minhas necessidades. Estava sedento; por ora, mantinha-me entorpecido por instintos disciplinados, controlados pela minha responsabilidade, e tomados pela sublimação Freudiana.

Já sem tempo, então era hora de, novamente de um reencontro: um reencontro comigo mesmo, conosco. Eu e a minha capacidade de ir e vir quando bem entender; tal fato se deve não a minha volatilidade de sentimentos, mas sim a instabilidade de humor, aos empecilhos que eu próprio acabo criando e soam como desculpa, mas definitivamente não são.

Precisava mesmo de energia vital; de absorver literalmente - degustar, mastigar, engolir e digerir bem lentamente. Recorrer a todo o processo, desde os seus pormenores até o clímax total; sem pudores, barreiras, porquês. Estou me sentindo nutrido, por ora.

Há, primeiro o corpo...
...depois o ego, claro!

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Um dia eu volto, quem sabe...




Não sou filho das circunstancias como forçosamente tentava acreditar; sou filho deles todos, cria, fruto, rebento, parte integrante e indissociável. É desagradável receber boas notícias não estando perto para poder compartilhar; pior até do que receber más notícias e não poder confortar.

Estou com uma incômoda sensação de liberdade, de poder ir para onde quiser, fazer o que bem entender – algo que lutei tanto para conseguir, mas hoje vejo que não me satisfaz. Vejo que, não se tratava de uma necessidade como pensava, mas sim de uma provação apenas - uma das tantas que ainda sou obrigado a me submeter para satisfazer meu ego.

Estou com saudades da minha família, isto é fato. Talvez mais fatídico ainda seja a sensação de arrependimento que me consome cada vez mais.

domingo, 18 de outubro de 2009

Você existe?




Realidade; termo tão ambíguo - etimologicamente falando - ou poderia cometer uma “silabada”: um termo “umbigo”... A realidade para mim é a forma mais individualista de ver o mundo (se é que existe uma visão compartilhada). O que existe, na verdade é o que eu afirmo que existe; ou de forma errônea, é o que eu acho que exista; ou de forma agradável, é o que eu quero que exista; e, por fim, de forma melancólica, é o que eu queria que existisse.

Há tantas realidades diferentes quando saio de dentro do meu mundo – uniformes, sentimentos, costumes, famílias, paradigmas, sonhos, crendices. Tudo que, ao menor contato com a minha realidade, me consome em poucos segundos.

Eu tenho medo das pessoas do lado de fora; tenho medo de ser visto; enxergado; descoberto e morto. - Não me toquem, por favor, eu só vim comprar comida congelada e já estou indo para a minha realidade! - Deixem-me em paz! Entro, tranco minha porta, faço questão de dar duas voltas na chave, entrar no quarto, voltar a verificar a porta e certificar-me de que está realmente trancada.

Ninguém entra – só quem eu aceito; só quem me cativa; só quem força de forma absurda que derruba a porta. O desespero é grande quando isso acontece – pois entro em contato com o desconhecido; com o inesperado – e esta sensação de não ter o controle, de não fantasiar, e ser incluído; ser excluído; ser, ser, ser me corrói.

Pensei em me blindar, ficar imune a datas, pessoas e sentimentos; mas sinto uma necessidade descomunal - uma curiosidade de por a ponta dos pés para fora e sentir cócegas na ponta do dedo; aquela curiosidade infantil, pueril que, ao ser acometido, sou sugado, devorado e despedaçado sem piedade alguma.

O que me alimenta me destrói - a sua realidade me destrói, a do atendente do caixa supermercado, dos meus superiores do trabalho, do menino que pede no sinaleiro, do gerente do meu banco, das pessoas que andam com guarda-chuva vermelho, dos adolescentes indo para a escola ou das crianças que brincam felizes no parque.

Quem precisa receber estes acessórios quando se pode criá-los? Retomo, então, ao meu mundo, a minha realidade: os e-mails; as páginas em branco; meu player me irritando ou me fazendo sorrir; meus livros empoeirados; minha rotina burocrática e todo o conforto emocional que isso me proporciona.

Tenho escrito com uma freqüência menor, pelo que pude inferir, então, não estou sendo consumido. Não sabe como fico depois de terminar um texto: fico seco, anestesiado, sem ter o que falar, sentir...geralmente deito na cama, observo o teto, as horas, durmo satisfeito. Satisfação é a palavra de ordem – reconhecimento também; formalidades à parte: meus parabéns! Imagino como deva estar se sentindo; sinto; penso...imagino. Se for este o motivo da sua secura; aproveite-a e alimente-se de pequenos galanteios e relatos de desconhecidos; assim como este; alimente-se; não se deixe secar na sua totalidade – mesmo que para isso seja necessário três voltas e um grande cadeado na porta da sua casa.

Não me agradeça pelos elogios, pois tirei proveito também – afinal de contas me prende por vários momentos e nada melhor do que a sensação que isso proporciona. Ficar preso à outra realidade sem sofrer as conseqüências na minha pele; no meu peso e no meu apetite.

Sou movido a estímulos também, por isso às vezes me permito colocar a ponta dos pés para fora. Tenho as mais sinceras sensações quando leio ou escrevo para ti; sinto que se colocar o pé pra fora não serei sugado pela realidade; pois não sei se realmente existe; mas é “real”; na nossa realidade, existimos sim e isso é o que me importa.

Mesmo sendo sugados pelas realidades alheias; mesmo ficando em casa no dia dos namorados, não nos encontrando; nós existimos. Mesmo tendo medo de envolvimento, de se entregar, somos reais. Na verdade quem não existe são os outros que, em vez viverem a própria realidade, preferem ser sugados por pessoas de carne-e-osso.

Qual a previsão do tempo para os próximos dias? Furacões, chuvas torrenciais, tempestades, sois de verão, dias nublados...

Aqui dentro será sempre quente e acolhedor; ou frio chuvoso – como melhor me convier; afinal de contas é a minha realidade.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

A arte da guerra.




A guerra começou. Infelizmente, foi necessário uma tragédia para que tomássemos consciência de que realmente não estamos nos sentindo protegidos. A realidade é esta: estamos completamente desprovidos de qualquer respaldo e, se não bastasse, somos visto como os grandes culpados da falência, descaso e precariedade das condições de segurança que nos são oferecidas; ou seja, para sua excelência, o governador, o fato gerador dos assassínios de agentes penitenciários somos nós mesmos, que estamos nos lugares errados nas horas erradas.

É incrível como realmente não somos enxergados como deveria – as declarações do secretário de Justiça, e, principalmente do governador do Estado, mostra que, realmente os agentes penitenciários não fazem parte de processo algum, que não os de meros coadjuvantes do complexo processo de execução penal.

A panela de pressão explodiu; desta vez, movidos por um momento de tristeza e necessidade imediata do atendimento das nossas reivindicações básicas. Era o que nos faltava – uma prova real e concreta da nossa situação fora dos presídios. Alvos fáceis, à mercê da busca insaciável de vingança por parte dos ex-detentos. Somos extremamente expostos e é inegável este fato; mais inegável ainda é a nossa necessidade de portar arma de fogo.

Caberia explicar para o senhor secretário de Justiça - desembargador aposentado – que, de todas as partes envolvidas, desde a investigação do crime, identificação dos autores, prisão, julgamento, sentenciamento e posterior cumprimento da pena, somos nós – agentes penitenciários que passamos o maior tempo em contato DIRETO com os presos. Cumprimos a pena juntamente com o preso - metaforicamente falando; mas estes argumentos são irrelevante, tamanha a prepotência, desconhecimento de causa e intransigência do chefe da nossa secretaria.

Esta foi a estratégia escolhida pela alta administração: a desqualificação covarde e hostil da nossa categoria perante a opinião pública, expondo situações hipotéticas sobre o caso dos colegas de Londrina, ofendendo a memória do nosso idôneo colega falecido, imputando fatores extraordinários para o assassinato. Sem contar o cansativo uso de frases feitas sobre nosso suposto melhor salário da categoria em todo Brasil e os processos disciplinares em andamento.

Era o que esperávamos, uma enxurrada de acusações infundadas, argumentos surreais, defasados e a negativa de solução para nossas reivindicações.

Talvez, a família do nosso colega, esperava uma manifestação de apreço e condolências do Secretário de Justiça, que devido a sua “extrema sensibilidade”, limitou-se a dizer que “não conseguiremos nada com as manifestações...”.

Nosso poder de mobilização será posto à prova. Mobilização, organização e principalmente nervos. É sabido que será um duelo desigual, todos nós estamos cientes do poder coercitivo que detém o Governador. Com sua postura imponente, é conhecido por ser um péssimo negociador - haja visto que não há negociação - ele impõe, decreta e faz cumprir. Requião é temido pela maneira peculiar que lida com quem o afronta: usa de toda sua fúria e poder até esmagar os opressores. Sua estratégia é sufocar manifestações na fonte, utilizando seus nomeados diretos, pressionando-os a fazer pressão psicológica, terrorismo, ameaça de exoneração e todo tipo de assédio moral.

Beira o absurdo nossa situação: Três colegas são alvo de um atentado, uma emboscada planejada; um é morto, outro ferido gravemente, o terceiro reage baleando o criminoso, que ainda consegue fugir. Ao serem socorridos pelo atendimento, uma viatura da Polícia Militar se desloca ao local e dá voz de prisão para o agente penitenciário que atirou no bandido, o leva até a delegacia onde é lavrada a ocorrência por porte ilegal de arma de fogo. Vale lembrar que caso o colega não estivesse armado, o bandido não recuaria e executaria friamente os três.

Mas este fato em si, pouco importa para as autoridades que ainda não vêem necessidade de legalizar o porte de arma de fogo para nossa categoria.

Vale lembrar que não queremos apenas o direito de portar arma de fogo; queremos treinamento adequado, melhores condições de trabalho, equipamentos de proteção, abertura de novo concurso para contratação de maior efetivo, descongelamento do nosso adicional de atividade penitenciária, estruturação do plano de carreira e principalmente respeito. Respeito como profissionais, funcionários concursados que passaram por várias etapas até a efetivação no cargo, respeito como pais de família fora dos presídios, respeito como cidadãos perante a sociedade.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Cotidiano (o meu) II.




Crise nas prisões

Agentes têm mais medo na rua do que dentro das penitenciárias. Eles confirmam que se estão vulneráveis. No domingo, mais um foi morto em Londrina quando estava fora do trabalho.


Imagine como é a pressão sobre um profissional que trabalha diariamente com presos de alta periculosidade. Que podem ser ligados às mais perigosas facções criminosas do País. Em penitenciárias onde a população carcerária é sempre superior ao espaço físico existente, com risco permanente de rebeliões. Tudo isso associado a condições precárias de trabalho, ambiente insalubre e sem a proteção adequada. Este é o dia-a-dia de um agente penitenciário no Paraná. A morte de mais um profissional, no último domingo, em Londrina, instalou um clima de tensão entre a categoria.

Nos últimos três anos, seis agentes foram assassinados em Londrina, denuncia a categoria, que se considera desprotegida mas à mercê de retaliações de presos.

A profissão, considerada uma das mais perigosas do mundo, é uma tensão constante. As ameaças que partem de dentro dos presídios são quase diárias. O clima de insegurança é cada vez mais presente e o agente penitenciário se sente como uma peça vulnerável. Seja na Capital ou no interior, o cenário é exatamente o mesmo.

De acordo com o agente penitenciário em Curitiba e secretário-geral do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná, Ademildo Passos Correia, ameaças veladas acontecem diariamente em todos os presídios do Estado. “Eu sei onde você mora”, “A mesma bala que mata um ladrão mata um policial”, “O senhor não tem um filho que estuda em tal escola?” são frases que os agentes estão acostumados a ouvir dentro dos presídios.

“Para bom entendedor, não precisa falar mais nada. O preso sabe de toda a sua vida. Se precisar te pegar, ele sabe exatamente aonde ir. E esse tipo de ameaça acontece de dentro da cadeia todos os dias. Os presos sabem de tudo. Lá dentro, o preso sabe quem eu sou. E aqui fora também. Ele não esquece o meu rosto. O preso não esquece jamais. Se precisar me pegar, ele vai saber aonde ir”, disse Ademildo.

Esse tipo de situação é constante e se repete dia após dia. Seja em Londrina, em Curitiba, em Cascavel, em Ponta Grossa ou em qualquer outro município. Para Ademildo, a Capital e o município de Londrina são os mais complicados. “Acredito que por conta das facções criminosas que estão instaladas nestes locais é que a situação é mais crítica”, afirmou.

Antônio Alves da Silva, agente penitenciário de Londrina, confirma a situação. “As ameaças são constantes. Faz parte do trabalho. Pelo menos uma vez por semana alguém registra queixa. E isso somente daqueles que fazem boletim de ocorrência. Sem contar os que não registram, que são muitos. Até mesmo a maioria”, contou o agente.

“Os presos não respeitam a gente. Sabem que o Estado não oferece nenhum tipo de segurança e nos ameaçam ali mesmo, na porta da cela. Escutamos coisas do tipo ‘sei onde você mora’, ‘vou te pegar’. Todos vivem em clima de insegurança. Temos hoje 2,2 mil policiais militares em Londrina e nem 500 agentes penitenciários. Nos últimos três anos, nenhum PM morreu e seis agentes foram a óbito. Imagine a proporção”, apontou Silva.

Quando indagado sobre o medo de trabalhar em um ambiente como este, Ademildo, o agente de Curitiba, é categórico. “Medo todos sentem, mas não posso demonstrar isso dentro da penitenciária. Se tem medo não serve para o trabalho. Lá dentro é diferente. Lá dentro me sinto mais seguro do que andando na rua. Na rua, já fui assaltado inúmeras vezes. E lá dentro não. Já passei por rebeliões e, ainda assim, me sinto mais seguro dentro do que fora da penitenciária. Porque lá dentro sei com quem estou lidando e aqui fora, não”, contou.

Na rota de colisão com o preso

Há cerca de um mês, Foz do Iguaçu presenciou um atentado contra dois agentes. O carro onde estavam foi alvejado por 21 tiros. Por sorte, ninguém ficou ferido. “Nós sabemos que essas situações são ordens que partem de dentro da cadeia e isso tem um porquê”, contou secretário-geral do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná, Ademildo Passos Correia.

“O preso quer fumar maconha, tomar cachaça, usar o celular. E nosso dever é proibir isso. É não permitir esses ilícitos. Com isso, entramos em uma rota de colisão. Para os presos, nós somos a repressão. Nosso objetivo é a vigilância e a custódia. Somos preparados para isso. Então, eles nos vêem como a parte ruim. E por isso vem a perseguição”, descreve o agente.

Segundo Ademildo, atualmente, o perfil etário dos presos varia entre 18 e 20 anos. Há 10 ou 15 anos, os presos tinham média de 30 anos de idade. “Eram mais maduros, não tão inconsequentes. Hoje em dia é tudo molecada. Para eles é indiferente matar ou não. E como somos a autoridade na cadeia, é contra a nossa categoria que eles vão agir. Dentro da cadeia promovemos a segurança e a disciplina. Fora dela, somos apenas mais um”, apontou.

Proteção — E a proteção, vem de onde? “Da reza. Pedimos ao anjo da guarda por proteção e torcemos para que ele nos ouça”. Só pedir a Deus por proteção certamente não é o suficiente. A lei federal que concede porte de arma a agentes penitenciários não é adotada no Paraná. E esta é uma briga constante dos agentes. “Diante de um cenário tão caótico, não podemos andar armados porque o governo do Paraná não regulamentou esta lei. É brincadeira”, apontou Ademildo.

Para ele, o Estado não reconhece o trabalho realizado pelos agentes. “Nós estamos pouco protegidos pelo que fazemos. Lidamos com presos dos mais variados. Tem preso com tuberculose, com HIV, com as mais variadas doenças contagiosas e muitos perigosos. Trabalhamos numa escala infeliz de 12 horas de trabalho por 36 de descanso, sem sábado, domingo ou feriado. E o governo nos trata como se fossemos nada”, apontou.

Reconhecimento — Ademildo gaante que ser agente penitenciário é uma profissão com outra qualquer. “É tão digna quanto um professor ou um médico. Eu faço meu trabalho e saio da penitenciária com a certeza de dever cumprido. Eu cuido daquilo que ninguém quer perto. Sei que presto um serviço importante para a comunidade. A gente é visto muitas vezes como bandido também. Mas o que somos é o elo do preso com o mundo. E, embora estressante, ser agente é gratificante. E a única coisa que queremos é o reconhecimento por este trabalho”, finalizou Ademildo. (FGS)

Sistema operou normalmente.

O Sistema Penitenciário do Paraná não foi afetado dentro da normalidade e com segurança, garantiu o secretário da Justiça e da Cidadania, desembargador Jair Ramos Braga, na tarde de ontem. “Apenas duas unidades foram parcialmente afetadas, mas já retomaram suas atividades”, comentou o secretário, a respeito do movimento realizado por agentes penitenciários que paralisaram o trabalho pelo período da manhã.

A manifestação foi feita pela morte do agente penitenciário Walter Giovani de Brito, que trabalhava no Centro de Detenção e Ressocialização de Londrina, na madrugada de segunda-feira. Outros dois agentes penitenciários estavam na companhia da vítima, durante atentado. O suspeito foi baleado e não corre risco.

Agentes divulgaram que o assassino seria ex-presidiário e que teria cometido o crime por vingança. Porém, ele nunca esteve preso e não tinha passagem pela polícia. Também não há nenhum indício de sua vinculação a algum grupo criminoso, dizia matéria da secretaria na Agência Estadual de Notícias, ontem.

“Nesse caso, como em outros quatro, ocorridos com agentes penitenciários em Londrina, nos últimos cinco anos, os crimes foram cometidos por motivos pessoais, sem qualquer tipo de ligação com a atividade penitenciária, represálias pela função ou de grupos organizados”, salientou Braga.

De qualaquer modo, a Polícia Civil e Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, vinculado ao Ministério Público, investigam as circunstâncias da morte do servidor.
Porte de armas — Os manifestantes reivindicavam o porte de armas para agentes penitenciários. O secretário explicou que “cabe à Polícia Federal conceder a permissão para o uso e porte legal da arma, uma vez que se obedeça todos os critérios exigidos”. Braga afirmou que em casos de agentes que solicitem porte, a orientação da Secretaria é que sejam realizados exames psicológicos e de arma de fogo, conforme previsto na lei. “Não é a Secretaria da Justiça nem o governo do Estado responsável por essa autorização.”

Fazem parte do quadro funcional do Sistema Penitenciário do Paraná 3.379 agentes penitenciários. Desses, 2.370 foram nomeados em concurso público realizado na atual gestão do Governo Estadual. O salário inicial de um agente é de R$ 2.550 e pode chegar a R$ 5.182, um dos mais altos do país.

Protesto em todo o Estado depois da morte em Londrina.

No último domingo, um agente penitenciário de Londrina foi assassinado quando voltava de um restaurante com outros dois amigos, também agentes. O carro onde eles estavam foi abordado por uma motocicleta. O condutor da moto sacou uma arma e disparou contra o agente, que morreu na hora.

O outro agente, que estava do lado, também foi atingido pelos disparos e teve que ser hospitalizado. O terceiro, que estava no banco traseiro do veículo e que portava uma arma de fogo registrada em seu nome, disparou contra o autor do crime. O atirador, mesmo ferido, conseguiu fugir, mas foi capturado instantes depois quando procurava por socorro médico.

O que causou indignação na categoria foi o fato da Polícia Militar ter dado voz de prisão ao terceiro agente por porte ilegal de arma. Apesar de a arma estar legalmente registrada em seu nome, ele não tinha permissão da Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania (Seju). Ele foi conduzido à delegacia e lá permaneceu até a tarde de segunda-feira, e só saiu depois que outros agentes fizeram uma concentração em frente à delegacia.

A prisão do agente e a morte do outro foi o estopim para que a categoria desse início ao protesto ocorrido, ontem, em todo o Estado, por conta do descaso com que o governo vem tratando a categoria. Além de melhores condições de trabalho, os agentes penitenciários querem que o governo libere o porte de arma para a categoria. O Estado é um dos únicos que não regulamentou o porte de arma aos agentes penitenciários.

De acordo com o Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen), agentes de 23 presídios paranaenses de Londrina, Maringá, Guarapuava, Cascavel, Francisco Beltrão, Foz do Iguaçu, Ponta Grossa, Curitiba e Região Metropolitana não trabalharam ontem pela manhã. Com a paralisação, atividades como banho de sol dos presos foram interrompidas e somente os serviços essenciais foram mantidos. No sistema penitenciário do Paraná existem 3,5 mil agentes penitenciários.

O Sindarspen planeja realizar uma assembleia geral da categoria esta semana e não está descartada a possibilidade de greve por tempo indeterminado.

Da tribuna — Para o Deputado Antonio Belinati, que falou ontem da tribuna da assembleia, a Secretaria de Estado da Segurança Pública precisa tomar medidas urgentes. “Esses profissionais são dignos e merecedores de todo o respeito. E hoje, muito mais que o aumento salarial, buscam a segurança que não tem no seu dia-a-dia. É uma profissão do mais alto risco”, apontou. Os agentes tomaram parte das galerias da Assembleia Legislativa, ontem.

Polícia — Mas para a Polícia Civil de Londrina a hipótese de vingança de criminosos contra os três agentes penitenciários não é provável. Ontem, o delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial, Sergio Barroso, declarou que não há, ainda, nenhum indicativo de vingança nos tiros que mataram o agente e feriram outro.

De acordo com Barroso, as circunstâncias exatas do tiroteio ainda estão sendo apuradas. “Os três saíram juntos de um bar por volta da 1 horas, após assistirem o jogo do Brasil e tomarem cervejas”. A polícia trabalha com a possibilidade do confronto ter como causa uma briga de trânsito, ou um desentendimento ocorrido momentos antes no bar. (FGS)

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Cotidiano (o meu).



Londrina, 12/10/2009 | 16:36 | por DANIEL COSTA
Agentes penitenciários prometem paralisar atividades em todo Paraná nesta terça-feira. Manifestação é em razão da morte de um agente executado em Londrina. Agentes vão reivindicar melhores condições de trabalho e que o governo libere o porte de arma.

O Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná promete realizar uma paralisação em todas as 23 unidades penitenciárias do estado na terça-feira (13). A intenção é que todos os servidores cruzem os braços em protesto pela morte do agente Walter G. de Brito, 26 anos, ocorrida na madrugada desta segunda-feira (12) em Londrina.

O secretário-geral do Sindicato, Adenildo Passos Correia, disse que a manifestação visa alertar à população sobre a insegurança que é a vida dos agentes penitenciários. Segundo ele, os trabalhadores dos presídios são alvos fáceis. “Somos nós que lidamos diariamente com os presos. Vamos fazer esse protesto para mostrar para o governo que estamos descontentes com a nossa situação”, afirmou.

Correia informou que será exigido que o governo libere o porte de arma para os agentes penitenciários. Eles reclamam que “podem ser o alvo, mas nunca o tiro”. “Não temos o direito de se defender, pois nós estamos desarmados e o bandido está com arma na mão. E quando nos defendemos acabamos presos. Estamos sendo atacados e não podemos fazer nada”, disse.

Segundo o sindicato, aproximadamente 500 agentes penitenciários trabalham na Penitenciária de Londrina (PEL) e no Centro de Detenção e Ressocialização (CDR). Com essa morte, nos últimos três anos, quatro servidores já foram executados na cidade (dois em 2007; um em 2008 e outro em 2009). “Estamos vendo nossos companheiros sendo mortos e não podemos fazer nada”, desabafa Correia.

Na tarde desta segunda-feira, aproximadamente 80 agentes fizeram uma manifestação em frente ao CDR, local onde Walter Giovani Brito trabalhava.

O crime

O assassinato de Brito ocorreu por volta da 1h da madrugada, na Avenida Santos Dumont, Jardim Aeroporto, zona leste. Segundo a Polícia Militar (PM), Brito e mais dois agentes penitenciários, estavam em um bar. Ao entrarem no veículo para irem embora, Juliano Jadson Lima dos Santos, 21 anos, chegou em uma motocicleta e atirou várias vezes contra o carro. Pelo menos quatro tiros atingiram Brito, que morreu na hora. Outro agente penitenciário, Bruno M. da Silva, 26 anos, que estava no banco de trás do veículo foi ferido no abdome e encaminhado em estado grave para a Santa Casa. O agente Levino C. Júnior, 34 anos, que trazia uma arma calibre ponto 40 no porta-luvas do veículo, reagiu e acertou dois tiros no autor do disparo. Santos conseguiu fugir, mas foi preso quando recebia atendimento médico no hospital Universitário. De acordo com a PM, Levino Júnior também foi preso por não possuir porte de arma, mesmo ele estando com todos os documentos da arma.


quinta-feira, 1 de outubro de 2009

"Querido diário"...




Os dias tem sido longos em produção e curtos em ócio. A chuva persiste; se faz presente com uma sensação física que não esquecerei tão cedo: o frio. Transpiração física; só senti nos últimos seis quando tive febre.

O trabalho me consome tanto e a tal ponto que tenho preferido ir trabalhar somente de tênis, por serem mais confortáveis para agüentar as doze horas de labuta; sem esquecer de levar no bolso da calça um remédio para dor-de-cabeça - que serve também como placebo para todos as outras “dores“.

No final do dia, a Universidade presenteia meu já desgastado estado emocional com uma tempestade de informações. São todas atrativas e bem-vindas, sempre e em qualquer quantidade, desde que as absorva. Perdi muito conteúdo, devido à recuperação (física e psicológica) e isso me custou as minhas folgas - talvez a única “moeda de troca” que me restara. Não tem sido fácil conciliar os horários de folga com as provas marcadas a esmo pelos professores.

Ler por prazer é um luxo, ver televisão então, somente quando desperta às seis horas e apenas durante os cinco minutos que fico me debatendo na cama, relutante em levantar. Sair de casa somente no itinerário casa/trabalho x trabalho/faculdade/casa. Tenho visto meus amigos com menor freqüência, entretanto não deixei de entrar em contato – faço questão de ligar, escrever, perguntar sobre – assim como faço com a família. Porém, apesar de insubstituíveis, essenciais à minha vida, tenho plena consciência de que não são meus pilares de sustentação.

Tenho resolvido os problemas na medida em que aparecem – sem ruminar muito –, respiro fundo, pego um papel, uma caneta, faço um calendário, rabisco contas, anoto prioridades, vejo as melhores possibilidades e não me desespero. Desenho um círculo no centro do papel, escrevo o meu nome, coloco todos os problemas de forma espaçada na folha e os ligo ao círculo. Uns problemas se ligam aos outros, mas, definitivamente vão se ligar a mim. Diretamente em mim, como deve ser. Infelizmente falta espaço na folha devido à quantidade, mas ao contrário do que imaginava, isso me deixa...

...feliz.

Há tempos relutava em pronunciar esta palavra, ainda mais com tanta propriedade: Felicidade! A desconfiança passou, ainda falo de modo tímido e somente ao espelho, mas sorrio por dentro em público. Este estado é notório, apesar de aparentar cansaço, preocupação, desmotivação – que nada mais é do que resultado de tudo o que passei – a sensação é outra. Eu estou feliz!

Foram trinta dias de reclusão, de adaptação à nova percepção de realidade, do reconhecimento das angústias, limitações, problemas e principalmente da tentativa em solucioná-los - algo que não ocorria em efetivo.

Consegui dizer "não" para o que não convergisse com meus objetivos, estabelecer metas e prioridades - mas o fator preponderante, o grande peso, o desafio a transpor - era lidar com o resultado das decisões; o reflexo que isso ocasionaria na minha vida pessoal e na minha consciência.

Foi dolorido abrir mão da vida de bon vivant que levava, mas somente agora eu posso verificar os estragos que isso me ocasionava – financeira, social e psicologicamente falando. Antes, tudo ficava maquiado pelo prazer imediato no qual eu encontrava na falta de responsabilidade, desorganização e atitude.

Na verdade eu não mudei: antes o desenho existia, o circulo com meu nome e a quantidade de problemas era a mesma - o que não havia era a consciência da existência deles.

Estava cansado de andar curvado - com sensação de carregar um peso enorme nas costas - agora quero andar ereto, esguio, equilibrado; conseqüentemente...
...feliz!





terça-feira, 29 de setembro de 2009

IRPF - 2009




Situação das Declarações IRPF 2009
Prezado Contribuinte (CPF 219.XXX.XXX-XX)

FABIANO PEREIRA DE L.

Sua declaração apresenta pendências.
Maiores informações consulte o Extrato do processamento.

Em Brasília - DF
28/09/2009
23:13



Sua declaração apresenta “p-e-n-d-ê-n-c-i-a-s”.

Seria uma forma polida e não condenatória de dizer: Você caiu na malha fina!? Por enquanto não há motivo para pânico, pois não recebi nenhuma notificação formal de multa, intimação para apresentar documentos ou algo parecido, é somente uma informação informal na qual eu posso fazer a devida correção das "pendências" pela internet.

De um modo geral, a população, principalmente a classe média – a maior financiadora dos cofres públicos – pouco sabe sobre o funcionamento da cobrança Imposto de Renda: suas alíquotas, seus abatimentos, formas de restituição e o seu destino. Confesso que, infelizmente, por falta de interesse, entendimento matemático, tributário e político, hoje, não dispenso a devida atenção à minha pequena, porém sentida parcela de contribuição aos abastados cofres da Receita Federal.

Desde que comecei a “contribuir”, imediatamente, procurei saber mais sobre o funcionamento: esmiucei os manuais, pesquisei assíduamente a internet, fiz cálculos, analisei possibilidades e, por fim, vi-me obrigado a pagar os impostos.

Devido à minha contribuição ser efetivada diretamente da minha fonte pagadora, não há como não pagar. No contra-cheque vem sempre especificado a alíquota percentual e o devido valor convertido em reais. Aproximadamente quinze por cento do que eu ganho todo mês, (excetuado rendimentos não-tributáveis) não me pertence - é desviado diretamente à Receita Federal, pela minha fonte pagadora.

Foram três anos contribuindo tacitamente, sem questionar e sem reaver uma parcela da contribuição através dos abatimentos legais – despesas com saúde, instrução, dependentes etc. A equação não é simples, pois há um teto máximo de valores para cada tipo de despesas e dificilmente seus gastos superarão o necessário para conseguir de volta o percentual total de contribuição.

São aproximadamente vinte e cinco milhões de declarações anuais; cada qual com um número na casa dos milhares contendo as mais diversas informações, que ficam armazenadas na base de dados da Receita. Apesar dos avanços na área de tecnologia de informação, parece impossível um controle total destes dados, a sua verificação minuciosa; parece, mas não é, pois eles utilizam de cruzamento de dados, colocam as informações em conflito uma com as outras para achar irregularidades. Um exemplo simples é o recebimento dos meus vencimentos: A minha fonte pagadora, “declara” que me pagou um valor; eu, sou obrigado a “declarar” que recebi tal valor, pois já fora declarado anteriormente o pagamento; logo se quando do recebimento das duas declarações, as informações são cruzadas e, caso apresentem divergências, ambos são chamados para prestar esclarecimentos diante da Receita. Se eu pago, você recebe; se pago X, você deve receber X e deste X, o “Leão” morde um percentual, de acordo com a sua faixa de renda. Caso eu lhe pague X e você “declare” que não recebeu X, omite de forma intencional – acaba por sonegar rendimento para não recolher impostos, incutindo, assim, em crime.

Justamente por ter uma única fonte pagadora e a contribuição ser efetuada diretamente desta, a possibilidade de sonegação torna-se improvável por minha parte, a não ser que haja outros tipos de rendas, e eu as “omita”.

Seja qual for o motivo para qual fui "tentado" a prestar esclarecimentos, este não será por sonegação de impostos, pois, definitivamente não cometi nenhum crime - apesar de achar exagerada a minha alíquota para minha faixa de renda, minha parcela está quite, sempre - todos os meses, no primeiro dia útil de cada mês. Eu pago todos os meus impostos, arco com as minhas obrigações, apesar de doer no bolso, não faço estardalhaço ou procuro artifícios para não pagar.

Entretanto minha contadora deve ter digitado acidentalmente um dígito a mais no preenchimento das despesas referentes às notas fiscais dos meus prestadores de serviços, (despesas dedutíveis legalmente) isso vai ter o preço de uma viagem de férias, uma úlcera gástrica, dor-de-cabeça e muitas noites sem dormir.

Tudo se resolverá da melhor forma possível, acredito – para o "Leão", obviamente.

domingo, 27 de setembro de 2009

Eu quero é ver gol!




Esta, sem dúvida foi a minha primeira paixão – começou cedo, numa fase difícil – tanto para mim quanto para o time, idos de 1993, quando as televisões não se interessavam tanto em transmitir outros campeonatos, que não os Estaduais e o Nacional, então se fazia necessário ouvir pelo rádio os jogos.

Tive liberdade total para escolher meu time, mas a identificação com o Corinthians, foi algo de pele. Gostava do slogan: “corintiano sofredor”; achava impressionante a forma como os estádios estavam sempre lotados e a torcida ensandecida mesmo com o time perdendo. E como eu sofri neste começo, mas mesmo assim não desistia, assistia e ouvia TODOS os programas esportivos diários em busca de notícias, comentários, explicações, entrevistas dos jogadores.
Já hoje, minhas buscas são outras, perdi o fervor inicial de outrora, mas mesmo assim continuo a acompanhar meu amado time, mesmo que de longe. Não sei a escalação completa, a colocação e a quantidade de pontos, mas não consigo ficar paciente diante da televisão quando passa um jogo seu.

E claro, fazendo um paralelo entre o time e a minha vida: sempre haverão cobranças – ganhando ou perdendo. As dificuldades para se chegar no ápice são imensas, para se manter, idem. Quando chega ao objetivo, cinco minutos depois já é hora de pensar no próximo.

Entretanto, o futebol já não me entorpece mais. Já a vida...

(Vídeo da comemoração da final da Copa do Brasil de 2009 - fecharam uma avenida aqui em Foz do Iguaçu: Internacional e Corinthians. Não é sempre que isso acontece - EU comemorando na rua, com direito a beber direto no gargalo, faltar em prova, bandeira enrolada no corpo e muita gritaria com meus colegas de trabalho - já finais de campeonato, isso nós estamos acostumados a disputar e ganhar, claro!)

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Liquidação do inverno.




Invariavelmente a chuva sempre precede mudanças. Mesmo nas menores intensidades, são ignitoras de significativas alterações climáticas. Passou-me despercebido, mas é final de inverno - a temperatura está agradável; apesar de o sol brilhar incessantemente nos últimos dias, não foi o suficiente para me chamar a atenção.

Um sol que não escalda, que não arde, que não queima; um falso sol.

O sol de inverno me proporciona uma sensação de estagnação, confusão – talvez motivado pela temperatura da estação. Nada bem definido: da temperatura à variação da umidade no ar - escurece durante o dia; o sol nasce mais cedo.

Estou com esta incômoda sensação lentidão; de o relógio trabalhar com tremendo esforço; das pessoas com dificuldade de executar tarefas simples, cotidianas; do bocejo latente na minha expressão. Diferente da preguiça, esta sensação me acompanha apenas durante o dia, cujo momento em que mais tenho contato com o mundo dos outros. Coincidência.

Ensaiei várias vezes levar o cobertor à lavanderia, para enfim guardá-lo até o próximo inverno, contudo o tempo se fecha; chove de forma descoordenada, alternando entre chuvas torrenciais e brandas - e como conseqüência a temperatura diminui.

O cobertor fica; minha proteção, meu involucro, meu aconchego, minha fuga...

Hoje, então, somadas as características, temos uma terça-feira típica de final de inverno. Chove deveras forte, troveja com uma intensidade acentuada e o vento sopra velozmente levando para longe os últimos quatro meses – sinonimo de um final. Logo, depois de um final vem sempre um recomeço.

O cobertor vai para a lavanderia, não fica - é fato! Calor agora só o humano ou quando o sol desacovardar-se.

domingo, 20 de setembro de 2009

Salut.




A vida em preto e branco não tem sido divertida. Remetendo a conceitos sobre felicidade, cujo mote principal seria a alteração de estados normais de personalidade; vejo que estou ilhado - envolto numa tentativa de readaptação no estilo de vida, não só meu como dos que convivem comigo.

A questão, apesar de intrínseca concepção, permite diversas formas de entendimento. Antes, era agraciado com os afagos proporcionados por meus estados alterados devido ao álcool; hoje, mais conciso e “a seco”, sou afligido por sensações nada confortantes.

O mundo etílico lá fora e eu aqui dentro. Preso por livre e espontânea vontade. O eu lícito, casto, diferente, sinônimo de estranheza – passível de observação nos lugares públicos, agora totalmente exposto à olhos vistos.

- O que vai ser hoje?
- O de nunca, por favor, com muito gelo.

As alterações físicas são bem visíveis: cabelos e barba compridos; emagreci, é verdade, estou bem disposto fisicamente. Estou irreconhecível e é divertido notar a reação de surpresa das pessoas.

Parece-me interessante, mas o que me incomoda são as psíquicas e as (minhas) reações à falta. Por incrível que pareça perdi em concentração, talvez pelo fato de não ter mais um isolante à minha ansiedade. Minha criatividade tem sido cerceada - ora pelo ostracismo, ora pelo excesso de ponderação à minha vida social.

Estava tão condicionado emocionalmente a esta substância que, independente da quantidade ingerida, o efeito seria o mesmo. Era fatal, um flerte fatal. Um simples gole e...Conversávamos horas e horas a fio, eu a seduzia com as enésimas possibilidades de ser influenciado e coagido. Ela, oferecera-me a cura de todos os problemas do mundo. Era o que eu esperava - a anestesia mental.

E agora, em quem colocarei a culpa?

Hoje, a percepção da realidade tem sido literal. À medida que os fatos acontece eu reajo de forma síncrona. Tudo é momentâneo, nada perdura mais do que o tempo suficiente para produzir o resultado. Ansiedade, crises, cansaço, esgotamento, dores, alegrias, depressão, felicidade, raiva; qualquer esboço de sentimento tende à fugacidade. Analisando com mais frieza, no cerne da questão, eu já era assim antes - a diferença era que tudo isso me perseguia, mesmo depois de passado o fato gerador, perdurava nos demais momentos da minha vida.

Resumidamente não consigo mais me remoer em melancolia e isso me incomoda. Meu dia voltou a ter vinte e quatro horas e cada instante imaginado ou relembrado é um momento perdido. Não preciso mais dos tapas-na-cara que levava antigamente, eles já estão implícitos nos meus atos, nas minhas atitudes, nos meus copos cheios de refrigerante. Apesar de desagradável, a sensação do novo me aguça a curiosidade. Paro, penso e fico a me observar apenas; não imaginar o que vai acontecer, apenas observar e esperar pelo improvável; ansiedade.

Minha voz está trêmula, gaguejante - minhas decisões não tem a mesma confiança que antes; meus movimentos idem – ando tropeçando, sem firmeza nas pernas, pois o que me sustentava era justamente isso; a falta de responsabilidade, auto-confiança artificial, a culpa em partes desiguais, o retroceder para não viver momento; melancolia.

Eu estou são; forçosamente são – entretanto, são. Estão sendo os quinze dias mais longos da minha vida; talvez os quinze dias com direito a todas as suas respectivas horas. Eu sei que isso vai durar pouco, vai durar até eu enjoar de ser eu mesmo; é sempre assim e isso não muda, não muda mesmo. Espero que seja em grande estilo enquanto durar - copo cheio de alguma-coisa-sem-álcool, provações, emoção à flor da pele e o travesseiro como única fonte de energia vital.

Um brinde à sanidade!