sábado, 30 de maio de 2009

O aprendiz.


Estava precisando de algo para me entorpecer; talvez um carnaval em pleno inverno - pessoas ensandecidas, pulando como loucos atrás de um carro com um som ensurdecedor e com um objetivo em comum: não ter objetivo!

Ou quem sabe uma final de Copa do Mundo – espírito verde-amarelo em ação; “Brasil, sil, sil!”; - patriotismo à flor da pele - as ruas pintadas, vovós assistindo os jogos e perguntando o que significa impedimento e, ao término da partida, trocando de canal para colocar na novela das seis.

A chuva me esgotou - a impressão que fiquei foi de que a sua cadência leve, seu ritmo freado, somado às fagulhas em vez de gotas d´água – era uma tentativa insistente de levar tudo que aprendi nestes três anos de trabalho dentro de um sistema prisional.

- Mas neste ritmo pensei? Brando, calmo e num dia ermo... - Cade os temporais? As tempestades? - O estardalhaço? Somente estes fracos e insistentes pingos?

Estava no trabalho - concentrado e atento a todos os movimentos das pessoas e pronto para suas reações. Antes de me chamarem pelo rádio-comunicador já tinha a resposta! Movimentação suspeita de presos, vultos, mosquitos, cachorros: ninguém me pegava desprevenido; devido a experiencia adquirida, instinto de sobrevivência, o medo de prejudicar a vida de um colega ou pelo que chamam de profissionalismo - nem mesmo a chuva era capaz de me entreter, mas seus motivos, aparentemente sim.

Logo conclui que seria preciso muita insistência, diferentes intensidades e direções para que, enfim, eu prestasse atenção em algo abstrato. Ao caminhar pelo perímetro, tentava desviar das poças, das lâminas d'água que se formaram - tentava pela grama, pelo concreto e pelo asfalto, mas sem resultado; Saída duma e caia noutra. Os pingos que não pegavam na lente dos meus óculos – causando a desagradável sensação de condensação – pegava-me, literalmente, pelos pés.

Meus tênis estavam encharcados, pesados – eu ia e vinha; às vezes sem direção. Esperava um resfriado, dores de garganta ou uma advertência do supervisor, mas nada. - Voltei-me ao meu objetivo, sentei-me numa cadeira e voltei a observar, era basicamente o que me sobrara numa tarde chuvosa de trabalho, cobrindo o plantão de um colega e, mal lembrava se era sábado, terça-feira, pois a rotina é a mesma; os procedimentos idem; respirei fundo...

- Quer dar uma volta, eu fico no seu posto Fabiano. - Perguntaram-me, atenciosamente. - Não, não, para falar a verdade estou bem assim, está um dia tranqüilo. - Respondi objetivamente e direto, mas pensei: - Afinal de contas ir para onde? Estamos numa prisão!

Nenhuma movimentação atípica ao meu redor, somente a chuva incessante; sempre ela no meu pé e na cabeça; ninguém querendo cortar meu pescoço (literalmente), serrando grandes ou discutindo entre si. Não há tensão ou atrito entre os colegas; somente a chuva tentando chamar minha atenção, tentando fazer escorrer alguma sensação já assimilada.

Não conseguiu; estava inerte, entretido nos meus pensamentos – fiz um balanço da minha vida profissional "formalizada"; enfim iniciou-se o rito para a conclusão do processo de estágio probatório no trabalho. Tão formal quanto uma cerimonia secreta para uma seita qualquer e com pompas de burocracia estatal, cobranças e nem um: “meus parabéns”; ou um: “tem certeza que quer continuar aqui neste lugar?”

- Este é seu processo, está sendo formulado pela Direção da Unidade e será avaliado por uma comissão de avaliação de desempenho da Secretaria de Justiça, assine aqui, por favor... - Informaram-me no meio de um procedimento, jogando os papéis nos meus braços.

Entrei na condição de um número e corro o risco de sair como um artigo publicado no Diário Oficial do Estado, com meu respectivo número, caso não houver ainda, alguma situação pendente. Estou tranqüilo!

Fogos? Comemorações? Não, apenas um sorriso discreto, daqueles que são internos e somente você percebe, um riso contido, uma leve descarga de adrenalina no sangue. Tudo dentro do planejado, dentro do que já tinha previsto e, um pouco mais brando até do que imaginei - apesar do ambiente inóspito, do local distante, dos apelos da família, eu vim; e tudo dentro do que imaginava no dia em que peguei uma chuva parecida com esta - idos de janeiro de 2004, quando voltava de um curso preparatório.

Vi, vivi e aprendi tanta coisa, mas tanta que nem mesmo a insistente chuva conseguiria levar...Independente de intensidade ou tempo...

Sempre de ambos os lados; de presos a colegas de função – técnicos a visitantes; autoridades a prestadores de serviços - aprendi sobre comportamentos; personalidade as mais variadas; egos; astúcia, imbecilidade; desespero; medo; felicidade; traição, companheirismo, indiferença, piedade, esperança, ódio; humanismo, angústia; saudades; tristeza; depressão; morte, planos; separação; amizade; arrogância; violência em todos os sentidos e pressão, muita pressão psicológica.

Só nunca mesmo, nestes três anos de trabalho - consegui me desvencilhar das chuvas - estas sim, permearam todo meu corpo todas as vezes, mesmo com coturnos novos ou com meus pares de tênis de nylon - mas quanto ao que vi, tornei-me impermeável a todas experiencias, porém não inerte - e é por isso que acredito que esta, sem sombra de dúvidas, será a mais marcante experiencia de convivência profissional da minha vida; mesmo sabendo que é passageira, assim como TODOS que passam por lá e um dia e, invariavelmente, um dia - sabem de lá.

- Falta apenas um plantão para as minhas férias, então poderia parar de chover, pois tenho que me preparar para amanhã... - Pensei enquanto tirava o colete encharcado para ir para casa descansar...

terça-feira, 26 de maio de 2009

Mesmo triste eu tava feliz...


Búúúú!!!

E eu com a cara mais lavada digo "por que não"...?

Explosão e calmaria ou calmaria e explosão? Juro que os meios não justificaram os fins; e os fins – segundo nossas próprias conclusões – não eram mais permitidos.

Os meios ensejaram sua presença aqui comigo; desta vez sem nenhuma segunda, terceira ou quarta conotação hedonista.

A minha sinceridade - que invariavelmente cai como uma navalha nos seus sentimentos - desta vez serviu como um atenuante, um álibi para que depois não despejasse em cima do meu edredom tudo aquilo que conversamos antes sobre culpas e arrependimentos.

Queria apenas companhia, tomar um chá, ouvir a chuva cair sem parar pelo resto da noite, conversar com alguem em quem confio. O conceito de confiança não está diretamente ligado à amizade como supunha, lá pelas tantas da madrugada, enquanto eu torcia para que o temporal aumentasse e não tivesse condições de te levar. Há pensamentos que nem os melhores amigos entenderiam; e o pior: sequer os sensibilizariam ou se interessariam em compartilhar o meu presumido sofrimento/felicidade.

Para os meus amigos reservo outra parte, bem mais superficial, delgada e menos objetiva - mas não de aparências: uma face real, porém minimalizada em seus pormenores.

Já para os meus cúmplices reservo boas xícaras de porcelana, o aconchego do meu interior e a cara limpa e bem lavada para receber uns bons tapas; ou conforme o momento, o oposto de tudo isso sem nenhuma culpa - aquilo que gosto de falar ao espelho sem pudores, replicar ou suplicar sozinho quando vou dormir.

Estava precisando daquilo que me faz bem e que não me traga outras implicações consigo; e sei que, infelizmente, contigo não será possível novamente, pois as “implicações” são do tamanho dos sonhos de uma mulher de vinte anos, que tem sentimentos e já os deixou bem claro, só mesmo meu míope e esquivo coração que insistem em não querem ver.

Quando digo de precisar, necessidades – estas se resumem a atenção, carinho, afeto, confiança, boas risadas e não precisar omitir nada. Algo como sempre dizemos: - Fale o que está pensando agora!”

Esqueça os conceitos – aquilo que conversamos antes do encontro de ontem; a “roupa suja” que fora lavada à seco goela abaixo semana passada, ficou, por ora imobilizada dentro da minha caixa de e-mail.

Restaram apenas os bons momentos, apesar de saber que nada mudou dentro de ti; e para piorar a situação, reacendi um estopim e não há como negar. Depois de todos os goles do chá, olhei para o fundo da caneca e não vi escrito a palavra “arrependimento”; e acredito esta sensação seja mútua.

Culpa, talvez...mas tentei me esquivar e acabei cedendo às afinidades, à libido, instinto e a falta que o calor humano(verdadeiro) estava me fazendo e por conseqüência a paz interior que isso me proporcionaria depois. E quanto a você – esquivou-se de todas as minhas perguntas cara-a-cara, como que numa forma de fraqueza, intimidação ou mãos atadas em sentimentos.

Infelizmente somos todos culpados e não excluo a minha parcela, que é bem maior do que a sua justamente por estar em posição privilegiada - a de ser o responsável por sujar toda a roupa.

Foi como sempre: vital, único e afetivo, mas com o diferencial do “meio”; do que te trouxe aqui; daquilo que me fez levantar da minha cadeira e ir te buscar. Talvez pense que a necessidade fora somente minha ou que neste momento eu “quis”; talvez pense de tudo um pouco e não chegue a conclusão alguma; talvez reafirme o que me disse sobre fins, finais, extinção e desfecho, mas a vontade foi mútua: (minha e sua), dos meios - daquilo que precisava te falar, desabafar ou ficar apenas quieto, do seu lado.

Incluí-la no rol dos amigos seria imprudente, provamos isso ontem na prática, não temos tal auto-controle e ficar nesta situação; além, de não ser justa às suas aspirações - traz inúmeras conseqüências; dentre elas, as SUA felicidade para daqui alguns anos.

Sera o fim ou o começo de um novo estágio? Uma nova “classificação” para aquilo que odiávamos nominar. O que será? Quando passar o efeito, o seu cheiro desgrudar à força do meu corpo, talvez possamos chegar a inúmeras conclusões sem fim, mas que estão sendo as melhores que já me proporcionou.

Trilha sonora da madrugada chuvosa:

Por que não eu?
Leoni (participação de Herbert Vianna)
Composição: Leoni/Paula Toller/Herbert Vianna

Quando ela cai no sofá
So far away
Vinho à beça na cabeça
Eu que sei..
(...)
Quando ela insiste em beijar
Seu travesseiro
Eu me viro do avesso
Eu vou dizer aquelas coisas
Mas na hora esqueço...
(...)
Por que não eu?
Ah! Ah!
Por que não eu?...
(...)
Eu encomendo um jantar
Só prá nós dois
Se não tem nada prá depois
Por que não eu?...
(...)
Você tá nessa, rejeitada
Caçando paixão
Eu com a cara mais lavada
Digo:
Por que não?...
(...)
Por que não eu?
Ah! Ah!
Por que não eu?



sábado, 23 de maio de 2009

Ode to my family.



-Olhe alí Lu, minha querida irmã; deve ser por esta direção que devemos ir!

...não sei se choro ou se engulo as lágrimas que cairão pelo resto da noite; se bebo até a última gota de piedade ou se fico seco para cair quebrar e recolher os cacos depois; se mato o pouco de equilíbrio que restou em mim ou me suicido juntamente com os sentimentos de responsabilidade que me restaram; se me jogo encima ou arremesso àquilo que nos persegue para longe...

- Há tempos não sentia uma sensação tão ruim quanto esta - a paralisante sensação da impotência.
- Minha família precisa de mim, e eu deles (...)

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Mundo cão.


André, esta nossa "mesa redonda" me rendeu muitas reflexões - principalmente quando titubeei ao responder sua pergunta para onde queria ser impulsionado com o meu suposto “Trampolim Estatal”. Confesso que mesmo com todo ímpeto; idas e vindas; bagagem profissional; caras-quebradas pelo tempo - fiquei em dúvida sobre o que fazer depois que terminar o curso - mas o mais importante é que já sei o que farei durante o mesmo.

Com certeza nossa conversa renderá muitas postagens no blog, mas isso fica para depois das provas, trabalhos e seminários da faculdade - ou quem sabe não cedo diante de um ataque de “permissividade” à pressão dos estudos! (Brincadeira).

Assim como você, queria que estas conversas que tivemos não ficassem restrita somente à uma “organização informal” dentro da sala do primeiro ano do curso de Administração, mas aberta a todos - mesmo aqueles que ainda sequer pensam no seu trampolim para alcançar seja lá qual for o objetivo.

Acredito que os objetivos que temos são parecidos - todos nós dentro da sala - mas os meios para alcançá-los é que dirão se realmente os alcançaremos ou não.

Há, saindo das formalidades, mas não fugindo ao tema da conversa e já que foi o foco das discussões o tema: Relações trabalhistas: o que você deseja para si mesmo. - Zeca Baleiro, com seu humor, ironia e criatividade que lhe é peculiar (como você sagazmente citou) ilustra de forma descontraída e porque não reflexiva, o que foi nossa conversa!

Sucesso, André Vinícius, sucesso! Para nós e para todos que realmente o desejarem!


Eu despedi o meu patrão
(Zeca Baleiro)


Eu despedi o meu patrão
desde o meu primeiro emprego
trabalho eu não quero não
eu pago pelo meu sossego

Ele roubava o que eu mais valia
e eu não gosto de ladrão
ninguém pode pagar nem pela vida mais vazia
eu despedi o meu patrão

Ele roubava o que eu mais valia
e eu não gosto de ladrão
ninguém pode pagar nem pela vida mais vadia
eu despedi o meu patrão

Não acredite no primeiro mundo
só acredite no seu próprio mundo
seu próprio mundo é o verdadeiro
não é o primeiro mundo não
seu próprio mundo é o verdadeiro
primeiro mundo então

Mande embora mande embora agora
mande embora agora mande embora o seu patrão
ele não pode pagar o preço
que vale a tua pobre vida ó meu
ó meu irmão

quarta-feira, 20 de maio de 2009

My favourite redhead - II (parte final)

Para F.

...Você foi, dos amores que eu tive
O mais complicado e o mais simples pra mim
(...)
Você foi o melhor dos meus erros
A mais estranha história
Que alguém já escreveu
(...)
Você foi
A mentira sincera
Brincadeira mais séria que me aconteceu
(...)
Você foi
Toda a felicidade
Você foi a maldade que só me fez bem
Você foi
O melhor dos meus planos
E o maior dos enganos que eu pude fazer
(...)

Das lembranças que eu trago na vida
Você é a saudade que eu gosto de ter
Só assim sinto você bem perto de mim
(...)


(Há tempos não recebia uma declaração de amor(…) ou-seja-lá-como-queriam-definir este sentimento; só sei que a sensação, por incrível que pareça é ruim - e o pior de tudo: (o meu defeito mais claro para todos e ainda oculto para mim) - é que eu fui o grande responsável por tudo isso: pelo início e pelo fim; pelo excesso de zelo e pelo descaso; pelas esperanças e pelos cortes; pelos curativos e pelas profundas feridas; pela atração e e pela repulsa; pelos inúmeros sorrisos e pelos litros de lágrimas; pela paixão e agora pelo carinho; pelo início e pelo fim.

Há coisas na vida que devemos realmente guardarmos apenas para si próprios e foi o que eu fiz contigo – e não deveria.

Deveria tê-la exposto, deixado entrar realmente na minha vida, apresentado à minha rotina, às minhas manias e não-somente ao meu computador, meus problemas e minhas necessidades imediatas.

Apesar de sempre termos deixado tudo tão formal quanto um contrato em aberto, ainda me sinto preso e com sentimento de perda - uma sensação que não sei como explicar; talvez precisaríamos de umas dez noites como aquelas, com muitos lenços de papel, sinceridade à toda prova (sobressaltando sobre o medo mútuo de ferirmos com as declarações); recorrermos a o que aconteceu antes ou simplesmente admitir que não fomos feitos um para o outro, porque EU não quis tentar.

Aquilo que devemos guardar para si, está aqui, mas muita coisa ainda tenho que ouvir; seja de você, seja da próxima “felicidade” que bater à minha porta, seja do porteiro, do diabo; terei que ouvir – mas que não seja do meu próprio egoismo, do meu espelho e das minhas (eu disse minhas) necessidades.

E ainda: não há o que reclamar de ti, não há como deitar minha cabeça no meu já bem gasto e cansado travesseiro e dormir tranqüilamente; ou, olhar para você num dia destes - em um bar ou supermercado - e imputar aos conflitos nossa falta de afinidade; jogar a responsabilidade nos seus atos para destilar mea-culpa no meu ego.

A cada relacionamento - indiferentemente do rótulo ou tempo - levo uma lição e nunca mais repito o objeto do “aprendizado”. A impressão que tenho hoje é a de que, chegará um dia em que terei aprendido todas as lições; todas as possíveis e imagináveis, e que um dia não terei mais relacionamentos sequer para proporcionar lições para alguém.

A sensação que fica é a de “e se...”; infelizmente neste “e se...” Há o tempo, outras pessoas envolvidas, objetivos, ideais diferentes e não definitivos e é por isso que me calo aqui – definitivamente. A dor que não meu causou, será provocada em doses cavalares pela minha consciência, em forma de arrependimento, dúvida e porque não: ciumes!

Nunca lidei bem com despedidas, ainda mais desta forma - com consentimento de ambas as partes, concluídas a um consenso, de forma aparentemente tranqüila e sem conflito. Além das suas feridas, sobraram-me meus conflitos; cada qual em sua proporção, milimetricamente medido.

Nossas lembranças, como você mesmo disse, serão as melhores, as mais agradáveis possíveis e confesso que sentirei falta.)


Para N.

...Confesso, acordei achando tudo indiferente
Verdade, acabei sentindo cada dia igual
Quem sabe isso passa sendo eu tão inconstante
Quem sabe o amor tenha chegado ao final
(…)
Não vou dizer que tudo é banalidade
Ainda há surpresas
Mas eu sempre quero mais
É mesmo exagero ou vaidade
Eu não te dou sossego,
Eu não me deixo em paz
(…)
Não vou pedir a porta aberta
É como olhar pra trás
Não vou mentir
Nem tudo que falei eu sou capaz
(…)
Não vou roubar teu tempo,
Eu já roubei demais
(...)


terça-feira, 19 de maio de 2009

Administração.

Enquanto parte dos alunos já se fora antes do início da aula e, dos que restaram, a grande maioria dos presentes apresentava-se devidamente alcoolizado; o professor apressadamente toma seu lugar. Uns estão lá apenas porque esperam chegar o transporte e outra ínfima parcela, sã; porém entorpecida com os temas em exposição, interagem sozinhos - pensando e concluindo sem ao menos externar seus pensamentos sociológicos com os outros colegas por falta de oportunidade.

Nosso cientista social traça uma linha cronológica na historia - passando por estruturas governamentais até bebidas alcoólicas feitas com salivas de indígenas - Seu conhecimento histórico é o mais amplo possível; vejo-o como o homem que sabe demais; de todas as coisas do mundo; um excelente contador de histórias - a Wikipédia em pessoa.

As aulas são interessantes; apesar de que apenas ouvirmos, ouvirmos e ouvirmos. Trata-nos como se não soubéssemos das origens dos sistemas; dos povos que habitavam o oriente médio antes de Cristo, ou o porquê de o Google ser o dono do mundo hoje.

Acho engraçado a forma que ministra suas aulas: sempre quando diz algo que, supostamente é interessante no seu entendimento, ele ri! Igual aquelas propagandas retrô de sabão-em-pó, onde a dona-de-casa aparece sorrindo ao lado da sua salvação do lar!

- Compreenderam onde eu quero chegar, classe? - Pergunta com empolgação de docente do primário!

Muito do que meus professores do ensino médio não se atentaram devido a seguir a linha burra da “educação” - obrigado PSDB-SP, pelas minhas bases escolares – estou vendo agora de forma rápida e concisa - obrigado!? PMDB, pela verba destinada às universidades públicas do Paraná e pelos poucos livros atualizados que nos proporciona e nos obriga a pesquisar mesmo!

Pois bem; a aula é de Sociologia, certo? Certo! Então que tal uma pergunta; uma para interagirmos professor; uma pergunta para debatermos juntos em sociedade estudantil - somos universitários, temos bons argumentos, senso crítico, alto nível alcoólico no sangue, hormônios! - Pensei.

Como que, num estalo, sem rir desta vez, nosso algoz - para a surpresa de todos pergunta:

- Por acaso vocês saberiam me dizer porque vivemos em sociedade classe?

- Opa! Como assim? Como assim professor? Sociedade, o que é isso? - Voltemos às histórias da antiga Grécia, da organização dos Maias, dos hábitos alimentares da tribo dos Massai... - Caralho que porra de pergunta é essa? Interação na sua aula? Quando? - Pensei.

O silencio (como sempre) continuou a pairar sobre a sala. Acredito que muitos pensaram em responder; apesar de tudo, prestamos atenção nas aulas e somos aplicados; e se estamos na sala de aula de uma universidade pública é porque queremos e não porque ficamos com a consciência pesada ao ir embora e ter que pagar mensalidade.

Ninguém respondeu; mas acredito que - muitos assim como eu pensaram em responder - afinal de contas, somente pensamos em responder, pois sempre que faz uma pergunta. o próprio emenda a resposta como se só ele soubesse a resposta do determinado assunto.

Agora sim, diante do silencio, o sorriso irônico do cientista social voltou! Acostumado com os pacientes ouvintes, desta vez ele titubeou e nos deu segundos preciosos que proporcionaram uma resposta. Disseram em voz baixa: - Deve ser por extinto professor, vivemos em sociedade por... Delicadamente ele retrucou; - Que instinto o que!

Logo as manifestações começaram a dar o tom do debate; desta vez o sorriso sumiu de sua face e se viu diante de uma situação atípica; os alunos logo acertariam a resposta de uma pergunta nunca debatida em sala de aula; algo fora dos padrões das aulas de história das sociedades, do professor Forest Gump.

Eu sequer cogitei interferir, ainda mais após a patada; a primeira vista a pergunta parecia ser complexa demais para os nossos padrões de calouro. Tão complexa era a pergunta que a resposta se fez a mais simples possível - assim como todas as reflexões sobre comportamento social deveria ser.

A resposta da pergunta senhores... - disse arqueando as sobrancelhas e baixando o seu tom de voz pigarrenta, - ...é que vivemos em sociedade porque não podemos não viver em sociedade!
Olhamos pasmos e abismados para seu rosto e com o sorriso novamente estampado na cara ele concluiu.

Boa noite! - Finalizou, reunindo seu material; esquecendo-se de fazer a sua piada repetitiva com nosso simpático colega mais experiente da sala e foi-se!

Os bêbados, os céticos, os apressados, os nerds, os interessados, os dependentes de carona, os necessitados em presença nas aulas de sociologia e o resto; reuniram seus materiais e também foram embora.

Definitivamente este é o curso da minha vida e prometo que será o último!

sábado, 16 de maio de 2009

Saída pela direita!




Estava precisando dar um tempo das pessoas, dos vícios e das vidas vinculadas aos que convivem comigo; estava sendo influenciado demasiadamente, suprimido, ficando quase que sem opinião.

- Fabiano, vamos em tal lugar? - vamos comer isso; vamos em tal bar; vamos em tal festa, vamos sair com tal pessoas? - vamos pesquisar isso? vamos fazer tal procedimento no trabalho?

A resposta não saiu – esta semana eu engasguei! Juro que não foi proposital, mas meu silencio ou a minha duvida/não aceitação tácita - causaram extrema estranheza às pessoas.

- Você em casa sexta-feira à noite estas horas da madrugada? - Já acordado em plena folga? - Lavando roupas? - Ouvindo este tipo de música que nunca gostou? Tomando refrigerante em barezinhos? - Por que esteve tão quieto ontem, e hoje? O que você tem, afinal? Não estou te reconhecendo.

Foram tantos bombardeios que mal pude responder que também tenho uma vida; que preciso de ver televisão de vez em quando; que adoro fazer caminhadas esporádicas e lentas, que necessito ir ao super-mercado dia sim-dia não; que gosto de ficar on-line no msn mas não significa que queria resolver seus problemas; que gosto de ver programas de entrevistas e debates políticos; e que adoro passar horas só escolhendo livros, colocando-os na cesta virtual e adicioná-los aos meus favoritos.

Outro dia, alguem não devidamente autorizado, mexendo no meu computador, vendo fotos, me perguntou sem maiores pretensões: - Nossa, você tem tanta fotos, porque não coloca no seu perfil pessoal. Lá não tem nenhuma!

Fiquei calado por um instante. Realmente tenho vários álbuns, principalmente quando tinha relacionamentos fixos, morava com minha família e etc. Mas olhando agora, para as de hoje, nunca estou sozinho nas fotos, sempre tem alguem do meu lado, pessoas que passaram - marcaram ou simplesmente passaram na minha vida - e do outro lado um monte de desconhecidos, gente que nunca vi ou voltarei a ver, mas estão ao meu lado.

Há, queria ver uns filmes de produção independente – que os protagonistas não exijam vinte milhões de dólares de cachê, ou matem um exército sozinho para resgatar a filha - faz tanto tempo que não paro para comer pipoca, deitar-me às 22:00, tentar ler nada técnico e acabar dormindo de moletom e meias, acordando cedo para pegar o sol matinal, tomar água mineral... O que há de estranho nisso?

Acredito que minhas companhias não estão devidamente “balanceadas”, não são heterogêneas e isso têm me influenciado e suprimido minha vida pessoal, me sufocado por demais.

Não é uma critica, amo-os de paixão, adoro os programas de ultima hora, a forma como sempre se lembram de me ligar, as poucas horas de sono que me proporcionam, os fiascos, as gargalhadas e as ressacas que meus amigos me proporcionam, mas estava precisando ouvir um pouco de ZERO 7; Calcanhoto, Cat Power, tomando um chá bem quente na minha caneca com estampa de vaca, acordar cedo, espreguiçar, alongar todo o corpo; anotar num papel todas as tarefas semanais, separadas por categorias, enviar e-mails para pessoas queridas, reler os que já recebi há anos. Sorrir sozinho...

Preciso de tempo para estudar; se são pós graduados ou não gostam de escola pessoal; eu necessito! Eu gosto da vida acadêmica e preciso me dedicar mais, porque eu posso e isso faz sentir-me culpado por não dar o melhor de mim nos estudos.

Estava precisando mesmo de um tempo; não estou estranho, estou cansado, acelerado demais para os meus vinte e nove anos de idade. Fui tomado por um furor que é meu, mas fica devidamente acomodado e só é despertado quando permito; portanto, agora permito-me desligar meu celular à noite, ler ao amanhecer, tomar café na padaria (suco de laranja com pão de queijo); bater papo com o porteiro, a dona da lavanderia, ler os livros que comprei e não tirei do plástico e baixar lentamente muitos filmes que ainda não os vi e nem vou ver. Espero não receber retaliações, mas por ora, contento-me em receber convites para caminhar, compartilhar torrents, chás naturais e pipoca!

Os brindes ficam para depois, queridos e amados!



quinta-feira, 14 de maio de 2009

Frente e versos.


Interessente as reações instantâneas que recebemos quando provocamos despretensiosamente as pessoas e, mais interessante ainda, é a forma como ficamos surpresos com a resposta do estimulo que nós mesmos provocamos.

Novos ares sempre nos fazem bem quando estamos mal; ou nos fazem mal quando estamos bem. Será que é somente comigo este paradoxo? Ou será que tinha bebido pouco? Ou será que sou responsável demais?

Trocar o certo pelo incerto, largar tudo ou se apegar a tudo? O que fazer daqui a cinco minutos e dez anos? Pequenas reflexões para durante o barbear hoje, enquanto o meu quente e demorado banho e a minha felpuda, ariana toalha estavam a me esperar.

Fico feliz, hoje, por poder ter a opção de escolha; a opção de acordar de mau-humor, arrumar minhas malas e ir para a puta-que-o-pariu ou o raio-que-o-parta.

Então o que me prende aqui? Trabalho? Não... Arrependimento posterior, pequenos planos, talvez, os amigos.

- Alguém? - Ninguém? Não...(demoro um pouco e penso; respondo a mim mesmo com a convicção de um político). Ninguém...!

Opção esta associada a escolha e escolha não está associada a arianos; logo, por ora – fico por aqui mesmo tentado...

Voltemos às reações mútuas: gostei do chopp, do mezanino, da banda, dos amigos, do atendimento, da quantidade de forasteiros de outros Estados; enfim, culturas diferentes, pessoas diferentes e a sensação de poder que me proporcionaram: há, sou mortal também!

A probabilidade de acontecer novamente é ínfima e pequena, quiça possível - mas serviu para mais uma reflexão e para aumentar a minha sede aquela noite; queria lembrar o nome da banda, porque para o nome do bar eu trouxe um “gift”; e da minha agradável companhia, trouxe um cartão; digo, dois...

Mas da banda não me lembro o nome...

- Garçom, por favor, me traga-me mais um destes personalizado que vem com declaração de “amor” ao fundo! - Sorri!

Diante de tantas possibilidades ele questionou: - Somente um senhor? - Depois sorriu com uma polidez brasiliense.

- Sim, mas de litro desta vez!!! - Finalizei sem nenhum pudor!





terça-feira, 12 de maio de 2009

Quem bate?


Cara felicidade, juro que da próxima vez que bater à porta do meu humilde apartamento, prometo recebê-la com resquícios de esperança e aceitação, mas acontece que suas batidas - sempre fracas e desprovidas de ímpeto - mal conseguem me empolgar a levantar do meu cômodo estado de paralisia emocional.

- Quem ou o que bate? - não ocasionalmente, mas na maioria das vezes; “o que” bate e me atrai mais do que o “quem bate”. Mesmo assim titubeio entre levantar ou ficar inerte.

À procura de algo real que me consuma – este é o meu verdadeiro sentido da vida; o meu egoisticamente, Fabianisticamente falando – sentido da porra da vida. Algo que me consuma, que viva das gotas de sangue que escorrem das minhas feridas, alguém (e não algo) que seja alimentada por mim e não sugada pelos meus problemas, questionamentos infantis e crises de meia-idade. Alguém que não me entenda, não tenha a mínima paciência e seja tão instável quando a mim.

Em biologia, passaria de parasita à hospedeiro; e sequer faço idéia se existe algum ser tão “versátil” ou que sobreviva desta forma; mas - esperançosamente, gostaria de que se realizasse tal metamorfose.

Você existe “coisa”?; bate sempre na minha porta quando não estou em casa ou quando estou me divertindo temporariamente? Não acho justo, não é o certo, assim não há entusiasmo para deixá-la entrar na minha vida. Não faz sentido. Bata enquanto estiver aqui com a cara limpa, sem nada para me alimentar ou passar o maldito tempo. Faça-me perder menos tempo com provisoriedades e dê- me aquilo que oferece aos montes.

Há milhões “quens e o quês” batendo nas portas alheias e pessoas deixando-as entrar por osmose.. Por que somente eu não tenho mesma sorte/atitude de recebê-las ao meu bel prazer? Sem utilizar um apurado filtro de qualidade/defeitos.

Será que sou exigente demais? Ou será que sou um simples mortal que prevê que futuramente algo irá dar errado? Ou porque tenho medo de me sentir frágil, dividir...

Ainda há muitas vírgulas embutidas nas pessoas que me afastam, pontos de interrogação que, indevidamente, atrapalham o curso natural dos parágrafos.

Será que você pensa em mim na forma como eu ainda “imagino” você? Se pensasse não bateria tanto assim na minha porta de forma tão displicente. Tenha certeza do que quer de mim, seja exigente e não apenas “bata” na minha porta; felicidade. Senão será ignorada e bloqueada pelo porteiro.

Sinto uma sensação tao vazia quando alguem vem se despedir de mim no msn: -Fá, tenho que sair “boa noite”; isso quando acontece a parte educada do diálogo. Estranho falarem sobre suas feridas e num instante deixá-las todas expostas aqui para mim; logo eu que fico a esperar baterem na minha porta na esperança e pacientemente atento a todos os caracteres digitados por pessoas/coisas supostamente próximas a mim.

Deve ser por isso! Fico aqui, batem na minha porta mas estou ocupado demais me despedindo das pessoas que pouco se importam para mim e ninguém – a não ser o próprio olho do... (deixa para lá).

- Então, fiquei triste por você; ou fiquei feliz por ter conseguido, parabéns mas tenho que sair, beijos.

- Espera aí, como assim, tenho que sair? Sair para onde? Sair o caralho, fique aqui comigo, vamos, termine de contar, diga-me os pormenores, estou aqui, deixando de fazer minhas tarefas da faculdade, perdendo meu tempo precioso e vital de sono, tentando dividir nossos enormes sulcos no coração. Seja cúmplice e não somente uma porra de um emotiocon que se deleta ao desconectar.

Cazuza me entenderia; Charles Bukowski também; uma garrafa de vinho barato juntamente com um coice bem dado nas costas de vocês - idem. E para o caralho com os seus “boas noites”, quero que se fodam todos os hipócritas e egoístas; e que durmam com seus medos, demônios e fantasmas, larguem suas feridas abertas para que as moscas desovem e procriem. E não me procurem quando precisar, não mesmo ou trato-te como a felicidade, mas com um pouco mais de AGRESSIVIDADE, que agora me é MUITO peculiar.

Felicidade, sei que bate à minha porta diariamente, na mesma proporção na qual prefiro ficar com meus textos ou debaixo do meu edredom à levantar e ter que consumir ao ser consumido.

Quero vomitar de paixão novamente, quero ser consumido por cada metro cubico de ar que você, (sim, você que nem sei se existe; expelir); e isso há de acontecer e enquanto não ocorrer senhora felicidade, pare de me incomodar que odeio acordar cedo, vá bater na porta dos filhos-da-puta que saem repentinamente do msn e fazem eu acreditar que sou importante para eles, ou que dizem que depois conversamos - no alto dos meus vinte e nove anos e tantas batidas desperdiçadas na minha porta, só se fosse mesmo um emotiocon para aceitar isso.

Boa noite aos que me entenderam! E aos que não – ainda há resquícios de boa educação da minha parte.


domingo, 10 de maio de 2009

Para minha "mãe".



Fiquei acanhado em ligar-te mãe, mas saiba que mesmo assim pensei muito em ti. Sou completamente disléxico com datas comemorativas, mas não alheio aos movimentos da humanidade - promoções, cartazes, recados na internet, infestaram a cidade e o planeta consumo. Sim, hoje é o dia das mães, mas não é somente o seu dia e sei disso.

Nossa relação sempre foi estranha: é estranho quando nos falamos, estranho quando nos abraçamos, estranho quando nos vemos e nos beijamos de forma desajeitada - é tudo muito estranho.

Hoje, confesso que muito do que se passou, eu assimilei e entendi, mas ainda como um mortal e como um “fraco” (este adjetivo admito apenas àquela que me gerou: você!) que não tive coragem de te ligar e dizer que a amo.

Mal sabe você que tenho um blog; não imagina que eu escrevo muitas coisas aqui a seu respeito, coisas que não tenho coragem de dizer-te cara a cara e, na única vez que tive coragem, ensaiei dois meses. Estou levando e relevando. Sempre caio e levanto e você nem sabe; auto-suficiente como sempre; ou pelo menos tento. Sabe de muito pouco do que se passa comigo.

Talvez eu devesse mesmo te ligar agora e dizer TUDO em detalhes o que eu fiz esta semana, sem constrangimento algum, talvez devesse pedir dinheiro quando precisasse, como todo filho faz; ou colo, carinho e atenção, como todo filho faz; ou simplesmente dizer que estou com saudades e te amo, como todo filho faz!

E por se passar tanto tempo mãe, isso hoje não é possível; eu travo, não sai – calcifiquei. Há, fiz tantas coisas erradas que precisava te falar, precisava desabafar, não queria colo, compreensão, apenas uma outra voz do outro lado do telefone, sem reação, apenas ouvindo o filho falar.

Não sabe como é difícil para mim escrever isso, imagine falar - não sabe como as lagrimas caem com facilidade dos meus olhos agora - estou aos prantos como nunca. Há tempos não me sentia tão frágil, tão humano, mãe.

Eu não consigo parar de tremer, de chorar, estou desesperado, agoniado, berrando. Não consigo chorar com freqüência sabia? Pode morrer amigo, podem matar inocentes, podem se casar, terem filhos, mas eu não choro – mas eu tenho meu calcanhar de aquiles e sei que você é parte fundamental dele; você e ele.

As lagrimas que escorrem desesperadamente agora do meu rosto estão servindo para lavar minha alma, serve como consolo da minha falta de coragem, da falta de tato, de compreensão de minha parte, da minha ignorância e egoísmo que sempre me fez olhar para o meu rabo de filho.

Você teve papel fundamental na formação da minha personalidade, você sabe e não quero te cobrar por nada mãe - pena que foi tudo tão indiretamente que não criamos um vinculo afetivo; vinculo acima de qualquer questionamento. Não o temos e isso me faz chorar, me faz ter vontade de arrebentar a janela do meu apartamento com o peito e voar do sétimo andar para os braços do desconhecido.

Os copos d´ água com açúcar não estão sendo suficientes e para os diabos os calmantes, não sabe como os consumo. Freneticamente! Não fumo, não tomo café e bebo com muita freqüência. Eu queria isso mesmo mãe – chorar, ter que aumentar o rádio para que ninguém ouvisse os meus sussurros de sei lá o que, de fraqueza, de desabafo. Um misto de saudade, culpa, raiva, arrependimento.

Há, nunca me expus tanto assim sabia? Tenho certeza absoluta que não lerá isso, mesmo sabendo que me influenciava muito a ler, você não lerá isso. Sabe que aqui é meu cantinho e se um dia ler, guarde para si, reflita, mas não se culpe ou se condene – lembre que somos jovens ainda, temos uma família aparentemente e o vinculo sanguíneo filho/mãe.

Nunca pensei que fosse ficar assim, deveria ter mesmo ficado apenas na mensagem que lhe enviei, friamente pelo celular - supostamente alegando estar no trabalho, mas no final das coisas foi a melhor coisa sentir novamente lágrimas escorrerem pelo meu rosto indefinido, pela minha cara de confuso e ao mesmo tempo auto-suficiente – acima de qualquer suspeita.

Queria que fosse de uma maneira mais tradicional; que almoçássemos juntos, pudesse enviar-lhe flores ou ligar dizendo que está tudo bem, mas não consigo – por Deus, eu não consigo! Juro, mãe, não sai!. Queria um dia olhar nos seus olhos e dizer sim, que te amo e que sinto a sua falta e que me arrependo de ter ido embora e de um dia ter te culpado por um problema que somente se referia à minha carência afetiva.

A ferida nunca vai se fechar, ignorei, tentei adiar, pensar em outros assuntos mas esta tudo aqui mãe – isto é a resposta que tanto pergunto todos os dias, cada a ato de responsabilidade, ou desatino está ligado à tudo isso. É um câncer, posso controlá-lo, ignora-lo com remédios e ter uma boa condição de vida, mas estará sempre presente nos meus exames de ressonância emocional. É aquela agua suja que ainda insiste em correr pelas minhas veias.

Mama, queria tanto que adivinhasse o que eu sinto, queria tanto que tivesse a empatia mãe/filho, queria tanto, tanto, tantas coisas, tanto mas tanto que até não acho justo.

Lamento por tudo o que se passou, por tudo mesmo. Assumo minha parcela de culpa por ter me calado, por ter externado da pior forma possível tudo aquilo que eu pensava. Lamento por ter tido que perder parte da sensibilidade da mão direita, alguns tendões e nervos do pulso para que você olhasse para mim como eu queria.

Lamento por tudo e sei que é recíproco – inclusive este medo de APROXIMAÇÃO, de tentar conversar sobre tudo o que se passou.

De qualquer forma, aqui eu consigo dizer que TE AMO de todas as maneiras possíveis, e que tenho orgulho de ser seu filho e sinto por DEMAIS sua falta. Espero que tenha gostado da mensagem, foi o máximo que a minha capacidade de “tocar em feridas do passado” conseguiu – uma mensagem de sms.

Retiro os óculos, enxugo as lágrimas, abaixo o radio, engulo seco o ultimo gole d´água juntamente com um calmante, respiro fundo e vou dormir mãe – com os travesseiros encapados com as fronhas que me deu – obrigado pelo dom da vida, mãe.

sábado, 9 de maio de 2009

Irish coffee.




Primeiros encontros são sempre estranhos – remeto-me às nossas raízes animalescas onde os opostos se olhavam, cheiravam, tateavam e chegavam ou não a um senso comum. Se não, partiam para o ataque brutal; caso sim; procriação era o esperado.

Civilizadamente falando, gosto de conhecer pessoas, conversar, interagir e se por ventura meus encontros casuais virarem primeiros encontros, farei o possível que sejam primeiros e últimos primeiros encontros.

Diferentemente das outras espécies, um passo em falso pode acarretar um entrave, um dessabor e por ventura um não. É um jogo de pequenos e sinceros detalhes – pequenos e sinceros que quando ressonam temos o efeito esperado: tímidos e curtos beijos e acanhadas trocas de carinhos.

Gosto da sensação posterior, a de curiosidade, de leve ansiedade de saber como reagirá a parte contrária. Esperar algo é o mais supérfluo: prefiro a surpresa, o acaso e houver uma afinidade em comum e..: “voilá”.

Esperar, esperar e esperar. Quer situação mais comoda do que esta? Ora, para isso criamos mais espectativas, ansiedade, esperança. Palavras que além de serem pesadas têm efeito devastador na vida de pessoas que se apaixonam fácil.

O grande segredo dos relacionamentos estão nos primeiros encontros – sejam eles reais ou imaginários. Os meus imaginários estão dentro do armário há muito tempo a espera de uma boa companhia, mas os reais são os que mais me surpreendem, os mais improváveis – fruto de parte do acaso com desejo e loucura.

Acontece com menos freqüência, devo admitir; para falar a verdade não os permito muito. Na busca frenética pela felicidade esbarro sempre nas próprias pernas: atropelo tudo, conheço, abraco, beijo, caso, tenho filhos, brigo, separo, volto em questão de horas...

Uma sensação estranha que só mesmo quem é capaz de imaginar sente. Boa a sensação de sentir um corpo que nunca antes fora tocado por ti, fazer-te ficar arrepiado.

Será que devo fechar a janela de vez em quando?

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Extreme fight.


Um dos poucos traços não me são inerentes é a agressividade; hoje, por motivos que desconheço e influenciado por fatores da mesma ordem, desabafei.

Poucos dias antes, viajei, descansei, aproveitei cada metro cúbico de oxigênio daquela cidade, a companhia de todos que conheci e agraciei os que já tinha contato. Fiz e desfiz de tudo – literalmente.

Esta noite tive um curto espaço de sono, provocado pela ansiedade de atualizar alguns assuntos pendentes com velhos amigos, uma vontade incontrolável de colocar no “papel” alguns textos, baixar as fotos – assuntos corriqueiros para uma noite qualquer...

O dia de trabalho foi mais um dia de trabalho: a mesma comida, os mesmos problemas, as mesmas discussões sem fim, os mesmos colegas falando das mesmas coisas e todos sempre com as mesmas preocupações.

Final de plantão; assuntos pendentes ainda não resolvidos por incompetência e/ou falta de vontade de outros, mas momentaneamente nada justificava. Por que sou tão complacente com meus colegas?

Montamos uma academia num setor não mais utilizado no presídio – alguns equipamentos ainda estão para chegar mas dos que já chegaram – por doação e por recursos próprios. Eu me identifiquei com um saco de areia – aqueles que pesam torno de cem quilos, todo bem costurado, em couro, pintado na cor vermelho, preso por uma corrente na estrutura metálica de um galpão gentilmente cedido pelo Diretor da unidade para que passássemos a efetuar treinamento técnico/tático. Um ambiente tal qual uma academia de boxe do Bronx, onde se revelaram grandes talentos do pugilismo.

Nunca tive muita afinidade com qualquer tipo de arte marcial ou habilidade na qual proporcionasse contato físico impactante. Técnica zero, apresentei-me diante do alvo. Foram poucos minutos, algumas instruções de colegas experientes para que eu externasse toda minha raiva acumulada de mais de vinte e nove anos de idade num alvo fixo cheio de areia.
De repente apareceu a cara do meu pai no peso; da minha mãe; dos meus familiares; ex-amigos, namoradas, amigos, colegas de trabalho. Meus golpes eram desajeitados no começo, mas fortes, minha técnica aprimorou-se em questão de segundos. Empunhadura, guarda sempre armada, força bruta, bom reflexo e jogo de pernas.

Tudo corria bem até aparecer outro oponente que me intimidou completamente – observava-me fixamente; olhando no fundo dos meus olhos, numa tentativa de me dominar, fitando meus movimentos de principiante, não baixava a guarda e partia para o ataque sem perdão.
Tomei tantos golpes, apanhava como um condenado; aquele que antes tinha as mão calejadas de tanto bater agora recebia duros golpes em todas as partes: da vida profissional, acadêmica e sentimental, familiar e tantas outras frustrações. Golpes duros e impiedosos diretos na minha consciência. Fiquei tonteado por alguns instantes, pensei em desistir mas minha reação foi espontânea e completamente reativa. Esmurrei tudo - com força física, técnica, vontade, raiva, ódio, chutes, cotoveladas, tapas até o oponente ir a nocaute.

Depois da reação, não esboçou reação, caiu desfalecido ao chão, ainda sem o tatame que compramos - estava todo machucado, sangrando, cansado, mal preparado e arrependido. Por que me desafiou desta maneira?

Olhei bem nos seus olhos e me vi lá dentro.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Fabiano Pereira, Igor Estanislau e Fábio Sodré - 2009


É meu amigo, você não teve escapatória, mas estou MUITO FELIZ POR TI E PELA LILIAN – o próximo será o Fábio, por que se depender do gato guerreiro - você sabe! Hahahaha.

A festa e a cerimônia do casamento estavam perfeitas: cada detalhe, dê os parabéns à noiva pela organização, escolha do tema, recepção, local, cardápio, "madrinhas" e principalmente pelos baldes de Chandon que fizeram tão bem ao meu humor.

Gostei muito de conhecer seus familiares, principalmente sua mãe, pai e sua irmã! Agora sei bem o porquê de ser tão querido por todos!

Felicidades eternas para ti e a sua esposa meu grande amigo, ex-colega de trabalho, confidente, irmão, colega de estudo, conselheiro e cunhado (oops,; este você detalhe você não sabia; hahahahaah).

Quanto aos votos que fez referente ao casamento; acredite! Serve também para os amigos - conte comigo para o que der e vier! Aproveite a viagem e a vida de casado!