segunda-feira, 29 de junho de 2009

Fim, férias II.


Final de férias II.

Descanso;
O corpo devidamente, exaustivamente e exageradamente descansado; agora vamos ao mais importante - o que demanda mais tempo e atenção; disciplina; apego; culto; liberdade; dedicação e compreensão: o que sobrou das férias!

Decisão;
Minhas férias do trabalho acabam dia trinta deste mês, mas estou arrumando as malas agora. Arrumando as malas, sim – lenta e vagarosamente. Vou viajar.

Preparação;
Peguei duas bem grandes para caber roupas de frio; roupas que quero doar porque não uso mais; valise para levar os livros que não li nas férias e alguns resumos para me preparar para as segundas-chamada das provas que deixarei a me esperar.

Estou pegando cada peça de roupa a dedo; colocando-as em ordem de peso, tamanho e cor; divida por categorias – acima e ao lado, dentro da mala. Os chinelos ficam nas bolsas laterais - chinelos me remete à férias, agora sim; no sentido literal da palavra – excluindo qualquer desvio de objetivo.
Férias, finalmente, férias de tudo. Decididas por mim, dadas por mim – eu quero tirar férias! Ponto.

Prioridades;
Não posso esquecer os eletrônicos (câmera, mp3, carregadores e afins); bebidas; mimos para meus familiares; história para meus amigos; remédios; traje à rigor para formatura; calça de moletom para dormir; tênis para correr na pista; caderno e caneta – adoro escrever à mão e os documentos pessoais.

Expectativa;
Estou com saudades da minha família (mãe, irmã, padrasto e três vira-latas); das minhas raízes, daquilo que sou feito, da minha formação de caráter; dos meus bons e maus exemplos – sinto falta de referências de “sangue”; DNA. Estou precisando andar pelas ruas que eu cresci e rever meus seletos e especiais amigos; ver flores por toda casa; visitar minhas tias, primos e a minha querida e amada avó.

Sinto falta dos meus bares favoritos, dos cafés incrementados e das pizzas que só nós - paulistas sabemos fazer; das ruas estreitas do meu bairro; happy-hour todos os dias; das intermináveis ladeiras da minha cidade, das novas construções que sempre aparecem quando das minhas ausências semestrais.

Estou com saudades de se sentir em casa; dormir numa "casa" que não tenha doze andares e mais de cento e cinqüenta moradores. Sinto falta da relação “mágica” que eu tinha com a vida - onde a comida aparecia pronta pontualmente às 12:30, as contas todas pagas, a gasolina aparecia no tanque do carro por osmose e as roupas sempre limpas e passadas dentro do meu guarda-roupa; saudades de dormir numa cama de solteiro com colchão ortopédico.

Quem vai I;
Eu e um amigo bem próximo (piloto e co-piloto) - vai ser divertido; vamos nos perder, comer na estrada e passar mal; trocar pneus; depois uma parada para almoçar com velhos amigos em Maringá para daí então seguirmos até nossos destinos. Há o carro não vai quebrar - vamos com o dele e está na garantia ainda!

Quem vai II;
(Você...não da forma que eu gostaria, mas não consigo NÃO te levar).

Obrigações I:
Teoricamente teria que voltar a trabalhar – teoricamente, mas resolvi emendar as folgas do mês de julho, trocar plantões de trabalho e adiar por mais quinze dias meu retorno. Eu posso; além de um direito, é um dever tirar as folgas, ou seja, você é obrigado a não trabalhar duas vezes por mês. Sendo assim cumpro com as minhas obrigações e deveres fielmente, sem questionar nada.
As trocas de plantão eu pago seguidamente; cinco dias trabalhados; doze horas diárias – cama trabalho; trabalho cama; mas isso fica para o fim de julho, à perder de vista.

Obrigações II:
Meus professores serão compreensivos e complacentes; tenho notas dentro da média; sou presente nas aulas; participo quando solicitado e, caso sejam intransigentes – segunda chamada.

Satisfação, motivação e conclusões:
Minha querida e jovem irmã vai se formar (antes de mim); claro. Meu amigo me perguntou se ela era bonita – ignorei a pergunta (coisa de irmão ciumento); depois perguntou se isso me afetava de alguma forma. - Disse que sim; sinto um grande alívio, afinal é uma conquista; a primeira dela de muitas que virão; isso não garante nada, mas pelo menos vai poder estudar fora, como ela sempre quis e ser independente.

Mas ele perguntou se isso me afetava de forma negativa; respondi com a mesma simplicidade de sempre; agora aprimorada pelos trinta dias de férias, quase trinta de idade, várias cabeçada na parede, dias sem dormir, inúmeros porres...

Disse que não. Não me importo em mudar, começar de novo sempre que achar que não é realmente o que me trará satisfação pessoal; não me importo jogar tudo para o alto se achar que não estou sendo feliz. E que ele deveria fazer o mesmo, ser feliz – à sua maneira; sem se importar com as cobranças externas; somente as internas - se é que as tem, à contar pela pouca idade.

Expliquei que não é indecisão, infantilidade, volatilidade ou algo parecido, é viver; é tentar, fazer escolhas e arcar com as conseqüências. Na verdade é uma DECISÃO.

Mas para que não ficasse preocupado em ter que arcar com as despesas do apartamento sozinho, de um hora para outra, caso eu resolvesse não voltar mais - eu disse que estou no caminho certo, sempre estive, e que isso me deixa feliz - apesar de ter momentos de dúvida eu sempre soube o que eu quero para mim, sempre.

Sempre me vejo daqui há dez, quinze, vinte anos, como estarei, em que área estarei atuando e com qual tipo de pessoa ao meu lado. Não consigo não me ver de alguma forma e isso não me frustra, sempre tenho um objetivo.

Experimentar, errar até acertar ou acertar e errar depois; parar e recomeçar novamente se preciso for, tantas vezes quantas se fizerem necessárias.

Finalizando;
Conclui dizendo que tenho um objetivo sim, mas para alcançá-lo não posso nunca mais tirar férias! Nunca mais!

domingo, 28 de junho de 2009

Fim, férias.




Final de férias.

Alívio:
O que o meu corpo descansou minha consciência trabalhou em dobro; meus planos para o futuro o triplo; os nervos em quíntuplo - e o coração...há coitado.

Fiz exatamente o que se espera de alguém que tinha um ritmo alucinante e que, de repente fica ocioso: reflete, questiona, coloca tudo o que estava fazendo, em xeque, até então - pois não havia como parar para pensar – desde conceitos sobre família, estabilidade, faculdade, profissão, amizade, sentimentos até se debater com a frase do professor de Teorias Gerais de Administração: - Como você se vê daqui há dez anos.

O meu corpo pedia descanso - cansaço físico, desgaste, baixa resistência, frio, chuva, má alimentação, sedentarismo aliado a uma rotina estafante acabaram comigo.

Só precisava de alguns dias, uma semana talvez era o suficiente para me recuperar, somado à boa alimentação, vida regrada, tempo para ler sem compromisso algum, acordar tarde dois dias seguidos; ver televisão sábado e domigo seguidos; chegar no começo das aulas dois dias seguidos; ler o jornal dois dias seguidos; ficar em casa à noite dois dias seguidos; ir para a academia dois dias seguidos; almoçar dois dias seguidos; estudar dois dias seguidos; ficar com a mesma pessoa dois dias seguidos.

Era só isso. Dois dias seguidos, não trinta dias seguidos para chegar a conclusão de que tudo o que eu estou fazendo não vai de encontro com a minha satisfação pessoal.

Apesar de ser uma grande conquista, não me parece muito eficaz tirar férias. Acumula-se muito e espera-se alívio imediato, mas depois volta-se à rotina desgastante. O que se recupera nas férias dura no máximo um mês após o descanso – independente do programa, viagem, estado, compromisso, trabalho. É fato, e depois? E os outros dez meses, quiçá nove dependendo do condicionamento emocional da pessoa.

Na verdade não precisamos realmente parar; precisamos diminuir o ritmo, ponderar, cadenciar. Eu preciso de mais horas vagas no meu dia, não no meu mês, todas acumuladas. Preciso de horas para estudar no dia - não posso estudar a matéria do ano todo em um mês; não posso entrar em forma na academia durante um mês e conservar este condicionamento pelos outros onze meses; não tenho como esperar que os problemas coincidam com a data das minhas férias para poder dedicar mais tempo a eles; não há como ler tudo o que eu quero num mês e ficar cego o resto do ano.

Ser massacrado durante onze meses e depois tentar recuperar as energias em um só, duma vez é tapar o sol com a peneira. É recarregar as baterias de uma carcaça vazia, esgotada, já bem desgastada – contudo o ideal seria que elas não se descarregassem, ficassem viciadas e fossem forçadas a serem recarregadas todos os dias. O ideal.

Ninguém faz nada nas férias e por mais que faça; será pouco. Ninguém é consumido por problemas; cansaço; desavenças; estresse nas férias. O problema é que justamente não tendo estas particularidades inseridas no seu dia-dia você passa a se ver realmente. Sinto necessidade de uma continuidade nos fatos; ritmo; rotina (por pior que seja) não preciso parar totalmente, é uma sensação angustiante e nada confortante e conflitante.

Olhar para si com calma e sem preocupação; sem obrigação nenhuma; sem pressa é uma conseq6uencia das férias. Passa a ser mais crítico, exigente consigo mesmo - justamente por não ter a obrigação/justificativa da falta de tempo.

Tenho tempo e me faltam obrigações/tenho obrigações e falta tempo. (dilema).

Não é uma crítica generalizada, é uma constatação – porém quando nos foi garantido este direito, ainda pouco se pensava em qualidade de vida, mas sim garantia de direitos. Não falo só por mim; penso nas pessoas que tem família, filhos e que passam onze meses se cruzando todos os dias sem se falar por falta de tempo e só podem realmente parar para pensar no que há de errado uma vez por ano, uma vez por mês, nas férias.

Enfim, meu corpo agradece os trinta dias de descanso - totalmente remunerados com 1/3 a mais no salário e contando como tempo de serviço trabalhado para qualquer benefício. (Sem contar que ainda tenho doze dias devido a uma manobra legal, que pagarei posteriormente com todo prazer).

Agora quanto à minha consciência; meus planos para o futuro; os nervos e o coração...há coitados - precisam de férias urgente!

(Estranho o texto que eu escrevi ano passado, quando realmente pude escolher a data das minhas férias - trata-se do final das minhas férias, já que parecia estar de férias mesmo!

Grey Room.


Well I've been here before,
I've sat on the floor,
In a grey grey room,
Where I stay in all day,
I don't eat, but I play,
With this grey grey food,
(…)
Yeah, well I've been here before,
Sat on a floor, In a grey grey mood,
Where I stay up all night,
And all that I write is a grey grey tune,
(…)

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Damn, I Want a Cigarette!




- Pai, para que serve aquela parte ali marronzinha com aquelas coisinhas dentro? - perguntou para o seu pai, uma menininha de aproximadamente uns sete anos de idade - apontando para uma foto no topo de um “display” de caixas de cigarros - destes que ficam expostos no supermercado, em locais estratégicos e de difícil acesso...

Estávamos em fila, aguardando o momento de utilizarmos o caixa eletrônico; seu pai aparentava ser um senhor distinto, vestindo um terno que não parecia ser comprado em grandes redes varejistas, ajustado com uma bonita camisa que deixava à vista, quando esticava seu braço um relógio – no qual deveria valer mais do que o meu carro. Juntamente com a companhia do seu colega, bem mais jovem e não menos distinto. Ambos aguardavam educadamente sua vez. E eu também.

- Esta parte filha, serve para entupir as veias do seu coração! - respondeu a pergunta; olhando sério para sua herdeira; logo após já engatou – apontando para o desenho: (que era de um cigarro enorme, dissecado em cortes esquemáticos; explicando o seu funcionamento) - E esta parte filha, serve para seus dentes ficarem amarelos; esta aqui para cair sua perninha (apontando para uma necrose na foto) se experimentar isto algum dia.

Eu não me contive – dei uma gargalhada espontânea, quase que imperceptível - mas ele percebeu, - riu também; mas sua filha continuava curiosa...

Tínhamos todos terminados de almoçar; percebi pela pressa do pai e pelo copo de sobremesa da menina e eles devem ter percebido pela minhas olheiras por acordar cedo e pelo copo de sobremesa na mão (bem maior e mais açucarada do que a da garota).

Enquanto aguardava seu colega - educadamente o Sr. Marlboro procurou por um funcionário do supermercado, para que abrisse a porta do armário e pegasse sua “sobremesa”; afinal de contas era para isso que estava sacando dinheiro, pois não é aceito cartão de crédito para pagar despesas com cigarro.

- Mas pai pra que serve então...- perguntou a menina, enquanto se lambuzava com seu mac-alguma-coisa... - porém seu pai não a deixou prosseguir: - Termine com seu sorvete querida, pois o papai precisa voltar ao trabalho e você para a escola. - concluiu, ansioso; porém desta virando-se para mim, olhando nos meus olhos e dizendo em tom de preocupação:

- Cuide bem dos seus filhos, meu jovem!


(Há duas coisas que meu organismo não tolera: tabaco e café puro. Mas naquela tarde, depois do meu almoço - eu senti uma vontade de chegar em casa, jogar o tênis pelo corredor, sentar nas minhas desconfortáveis cadeiras da sala, esticar as pernas e ascender um cigarro; acompanhado por um copo de café preto bem quente - daqueles que os policiais americanos adoram: bem forte e cheio; talagando vagarosamente, sentido o aroma, o sabor incomparável e, ao mesmo tempo, intercalando com tragadas no cigarro; jogando a fumaça a esmo para todos os cantos; esvaziando e enchendo meus pulmões de ar – quieto, solitário, observador e pensativo...)



quarta-feira, 24 de junho de 2009

Que horas são agora?

O silencio pairava sobre todos os cantos; era tarde, bem tarde – eu, como sempre procastindo minha vida - só que esta vez de uma maneira menos destrutiva, pacífica e silenciosa; de forma simples, olhando pacientemente para o relógio.

A chuva da primeira noite de inverno era incessante e fina; na verdade era uma névoa traiçoira, assim como a sua companheira inseparável: a escuridão, infinita e fria – típica de inverno. Esperava um “tic, tac”, mais acelerado, mas nada. Só o silencio imperava. Uma sensação prazerosa, ilimitada para pensamentos inconclusivos, apenas pensamentos....

Relógios de computadores são estranhos, não geram ansiedade alguma - não há sons e não se sabe quando irá trocar os minutos - o passar das horas não é sentido ou ouvido. A sensação de ócio era alimentada pela cadência da bobina do despertador – tal qual um coração de um ritmo só.

Gostava dos velhos despertadores de corda, daqueles que caíam no chão e eram indestrutíveis – de metal fundido dotado de um mecanismo simples, mas que quando quebrava era o fim. Os vermelhos - os mais efusivos, destacavam-se sempre, pois ninguém os perdiam de vista, estava sempre com seus dois grandes pratos sedentos por despertar quem quer que fosse à quilômetros de distância.

Chamavam a atenção pela sua forma assimétrica; por ser objetivo e fiel; porém movido a estímulos. Estava sempre sendo observado por todos, mas apenas quem realmente se interessava dava corda. Muitos achavam desnecessário, pois alguem já teria o feito; outros exageradamente, faziam questão de deixá-los estupefatos, achando que desta forma, sua energia duraria mais tempo.

O mecanismo do despertador era o mesmo do coração, alimente-o e nunca o deixará na mão; estará sempre pronto para acordar-te para a vida; sentir-se vivo, desperto. Com a vantagem de o despertador de corda ser inquebrável e não alterar o ritmo. Bastava que alguem fosse lá girasse ao contrário as suas hastes até que ouvesse um travamento: pronto! Não cobrava, não precisava de energia, não adiantava os ponteiros sozinho, atrasava ou falhava. Tudo mecânico, programado e fiel – em contrapartida tornava-se um obediente escravo dele.

Mas o grande entrave estava quando alguém me dava corda demais, sem intenção alguma e esquecia-se de olhar as horas com freqüencia. Ainda bem que os despertadores antigos são resistentes, que mesmo sendo arremessado contra a parede quando desperam cedo demais, continuam a funcionar. Bom estímulo este para quem não tinha ritmo definido; enfim - voltando a funcionar de forma cadenciada.

Então foi quando senti que acertei a ponderação nos meus estímulos, que mesmo eu perdendo o controle das “cordas” sou capaz de imprimir o ritmo que melhor se adaptar a mim e ao mundo externo.

Senti o controle nas minhas mãos novamente e o reflexo disso veio em forma de surpresa; confusão; felicidade descabida; uma pequena porção de medo e um telefonema - tudo isso coberto com uma camada espessa de esperança e tranquilidade – somado à minha instanânea impotência diante das suas lágrimas e ao doce som das suas sempre sinceras gargalhadas.

Seja sempre bem-vinda: em qualquer ritmo, situação ou horário - desde que desperte-me; nem que seja me atirando contra a parede!





segunda-feira, 22 de junho de 2009

Eu estou calmo...


Tem dias que nem mesmo as melhores descobertas da química mudam o seu estado de espírito - chocolate, drogas, remédios, álcool, sexo e (dinheiro!?)...Bom, monetariamente falando, deve ser a quimica da atração, mas como nunca entendi estes conceitos de química...

Percebe que tudo remete sempre mesma unidade indivisível do universo? Percebe? Sabe de quem estou falando? Sabe do que eu estou falando? Olhe-se no espelho e a (o) veja! “.

Gosto das aulas sobre Personalidade e Comportamento da disciplina Psicologia Organizacional e, modéstias às favas, pressupunha que realmente o meio influencia diretamente o meu comportamento; não a genética, hereditariedade ou algum ser inanimado para colocar a culpa (Hó, céus; queimarei na fogueira; mas enfim: quem brinca com fogo - remediado está!?).

Pensando logica e metaforicamente, a culpa será sempre do seu “meio”! Com ou sem ambiguidades, entendeu? - ou seja - como melhor lhe “encaixar” esta colocação. Mas neste caso, olhando para o ser mais indivisível do universo, a culpa é minha! Minha!? Isento vocês. Há, isento-me também; pois, na verdade nem é minha, é culpa do player e do meu "meio" ou do meu...

Então quero que os átomos que se confabulam e formam as moléculas para posteriomente formarem complexas-sedutoras-estruturas estimulantes que influenciam SIM no meu comportamento vão para o fundo do meu estômago - (provisoriamente); e repousem lenta e deliciosamente até que sejam digeridas e propiciem excelentes noites de sono, sem pesadelos, dias regados a muito apetite e afazeres, estudos, educação no trânsito, boas notas, planos e brilho nos olhos.

Mas naquele instante, naquela hora da noite; eu irredutível - com o estatus no ocupado, tentando organizar alguns textos, sincronizá-los na pasta com o mesmo nome das imagens que publico no blog, para não perdê-las posteriormente; (como num ataque repentino de T.O.C) - estava cego; calado e sistematicamente corrigindo erros de grafia, procurando textos mal alinhados ou com dupla tabulação, tentando entender o porquê de parágrafos que mesmo separados por uma linha são tratados como “blocos”; vendo que pouco utilizo o recurso auto-formatação; dentre outros questionamentos.

Precisava fazer algo que me entretesse, que me enganasse, mas ao mesmo tempo fosse paupável, meu e que não fosse de influencia alheia (humana/organica/sentimental [doeu sim, e muito]) e que não tivesse conseqüencias desastrosas na minha caixa de e-mails posteriormente.

Debatia-me com pensamentos insanos, com aflições e questionamentos tolos; todos meus, somente os meus. Meu, meu, meu! Tudo para mim! À puta que pariu quem me chamasse no msn!!! (Com crase no começo da frase mesmo! E que se foda a teoria daqueles livros velhos e contraditórios!)

Aos trancos e barrancos, fui apanhando, desesperado e perdido; com meu teclado já gasto - como diria um colega que já o testou: - Sem óleo de máquina, Fabiano – e, ao mesmo tempo, eu tentando descobrir como tabular milimetricamente, espaçar e inserir parágrafos automaticamente no meu Office “comunista”; vulgarmente conhecido como Br Office – genérico, odeio! De softwares à remedios manipulados; de pessoas à situações. Não funcionam! Não acredite em GENÉRICOS! Engodos, placebo, paliativos, filhos-da-puta gratuitos ou não; que são em sua maioria ineficientes e que custam pouca coisa menos dos que os originais.

- Porque você não ouve mais música Fabiano, não aparece mais nada aí como mensagem...? - perguntaram-me. - Para não ser mais influenciado por pessoas, vozes, personalidades, entendeu? - retruquei tal qual um puro sangue árabe; oriundo das melhores baias do rancho Quarto de Milha, Presidente Prudente – SP.

Há tempo não odiava meu player, mas desta vez conspirou desfavoravelmente ao momento - à minha estreita relação com realidade/sentimento e ansiedade. - Pare de tocar estas merdas influenciadas pelos anos sessenta, setenta; dois mil, - estou cheio; farto! Pare de tocar tudo!!! Cala a boca Media Player®! - conclui engolindo um original PSICOSEDIN® à seco mesmo, para sentir a língua amortecer lentamente, assim como os pensamentos e posteriormente, os músculos.

E chega de passar meu dia todo no MSN®
; original e os genéricos, estou farto de conversinhas e de ser chamado somente quando precisam ou para me irritar perguntando o porquê de eu estar on-line e colocar o estatus no ocupado. (Isto serve exclusivamente para mim).

Cansei de revoluções, teorias, vidas alheias, probabilidades, possibilidades, piedade e o diabo a quatro. Como diria um esforçado mestre de exatas: - Tem coisas que são assim porque simplesmente são assim, - ponto! Concluiu ofendido por não saber a resposta para uma pergunta filosófica. - Bravo professor! Bravo, eis o sentido da vida definido por um alguém prático! - pensei.

Estou fatigado de coisas que nunca existiram, nunca vão existir e que perdemos tempo debatendo, divagando, falando, procurando explicações e, "pelo em ovo"?! (É esta expressão que se usa quando procura o que não existe?); Tem uma boa também, usada pela minha querida avó: “Pare de procurar chifre em cabeça de cavalo menino!”.

(Há, aproveitando o gancho de frases feitas, outro dia disseram-me que o que escrevo é exageradamente melancólico, por isso evitava me ler quando não estavam bem. Não satisfeita(o) disse que sou pessoalmente o extremo oposto de tudo que escrevo; com base neste questionamento e nesta conclusão, feita numa boate - com fumaça, muito alcool e inteções parecidas - respondo em outra oportunidade; provo por A+B que a melancolia é a melhor forma de perdurar a felicidade - a mais infinita, auto-suficiente fonte de felicidade; mas por ora; quer rir, se sentir bem: acesse o KIBELOCO®; - o original, pois há alguns genéricos com piadas velhas e já circulam nos spams há semanas ou sites com frases feitas, belas paisagens, frases de efeito para reflexões).
E obrigado pelo elogio; lê-se melancolia, claro!)

- Há vamos debater realidades nossas, vamos? Falar sobre o que existe? Sobre o que foi provado, testado e apurado? Sobre o que vivemos neste exato momento? Deixemos os velhos mortos descansarem em paz. Vamo falar sobre nós; sobre mim; sobre o nosso umbigo? Sobre a porra do mundo que vivemos hoje? Vamos falar sobre a mesma unidade indivisível do universo? Vamos falar sobre "nós"?

Fale-me sobre o que pensa? Desde de que seja HOJE!

domingo, 21 de junho de 2009

Toc, toc, toc...quem bate?

Deixe-me sujo, atrasado, com frio e fome, com as minhas malas semi-arrumadas, meus relacionamentos impossíveis e inomináveis - juntamente com o meu celular que não desperta, nem toca...
Amanhã fará um lindo dia de inverno; o primeiro dia dele - precedido pela mais longa noite de sono; segunda-feira quero tomar um banho de parque e correr pelo sol.
Pensando bem...

Enquanto isso, atrás da tela LCD

eu tenho
tu tens
ele/ela tem
nós temos
vós tendes
eles/elas têm

eu choro
tu choras
ele/ela chora
nós choramos
vós chorais vós
eles/elas choram

eu gosto
tu gostas
ele/ela gosta
nós gostamos
vós gostais vós
eles/elas gostam

(…) mas eu não entendo, eu não aceito, não consigo esquecer e/ou viver: grita meu nome, vai?

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Deu-me um branco...




...não sei o que falar; digo escrever, cospir, lançar, jogar, vomitar, colocar, criticar, analizar, reclamar, banalizar, enfatizar, assustar, declarar, afirmar ou negar.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Por que você é assim?





Tinha um grande amigo, um ex-colega de trabalho que conseguiu sua transferência e fora para perto de sua família – idos do primeiro bimestre de 2008. Gostava de trabalhar com ele – tinha experiência, responsabilidade e autoridade no trabalho; sabia como cobrar todos, individualmente. Tinha uma habilidade interpessoal interessante, que aceitávamos tacitamente: a liderança.

Indiferença ou respeito, comigo não havia cobranças - apenas uma maldita pergunta; ora envolta em ironia; ora dúvida.

Ele era pragmático, estereotipado dentro e fora do trabalho: machista, hipócrita e às vezes ignorante. Fazia jus à sua criação, seu estado civil e a sua comodidade/estabilidade financeira, devido à sua abastada esposa. Sua vida era o seu trabalho, as duas tarefas sistematizadas e bem executadas - era ineficiente nos meios, mas eficaz nos objetivos. Assim como todo funcionário público – por motivos que excedem nossas competências; logo, ineficiência não significa deficiência, mas respeito à legislação, normas, portarias, decretos e um monte de "papeizinhos" colados para não nos esquecermos quem manda!).

Gostava de observá-lo e ele fazia o mesmo quando nos cruzávamos pelos extensos corredores da penitenciária - enquanto eu formalizava meus comentários acerca do trabalho; sério e preocupado, ele me fazia a maldita pergunta: - Por que você é assim? - sorria. - Por que você é assim? - esbravejava-se. Por que você é assim? - preocupava-se.

- Porque você é assim? Sempre a mesma pergunta durante o trabalho. Sempre! Mal sabia ele que isso tinha extrema influência nas minhas noites de reflexão; obvio que não era a sua intenção e mal sabia o cunho íntimo e até filosófico de tal questionamento. Sua pergunta, - aparentemente fraterna - servia-me como um despertador que tocava sempre quando algo dava errado; latejava a todo momento – desde de no transito até na ordem de lavar-me ao tomar o banho.

Olhava para o espelho e ouvia: - Por que você é assim? Deitava ao travesseiro e gritavam ao meu ouvido: - Por que você é assim? Por que você é assimmmmmm???? Tentava correr e sentia reverberar por entre as paredes do meu vazio apartamento: - Por que você é assim?

Ecoava aos quatro, cinco, todos os cantos. Era a pergunta mais vaga que já ouvira; mais idiota; mais rude; cruel; primária e mais torturante da minha vida. - Por que eu sou assim.

Nunca parei para respondê-lo pois não teria tempo necessário para ouvir ou talvez esta não fosse a sua intenção; talvez fosse uma forma de incentivar e cobrar ao mesmo tempo; desafiar-me; deixar-me em dúvida; alfinetar-me ou não - fosse somente; tão-somente um cumprimento entre grandes amigos – algo do tipo: “Eí cara, vamos lá!!!”

Deve ser; afinal de contas - apesar das enormes habilidades profissionais - meu colega também tinha suas limitações e acredito que também não teria argumentos para responder a própria pergunta.

Mas espera aí! - Vamos lá onde? Onde quer chegar cara? Como assim, vamos lá? Que “lá”?


sábado, 13 de junho de 2009

12 de junho de 2009.






Perdido no tempo e nos sentidos: foi assim que me senti - por um instante, aquilo que nos cercava se calou; pude ouvir apenas suas risadas e, estas ressoavam como sirenes que acionavam uma região no meu cérebro (da qual pouco me importa o nome) que produz a felicidade.

Quem em sã consciência já marcou um encontro com alguém, despretensiosamente e, coincidentemente numa data ímpar - na qual todos que estão formando um casal tem algo para comemorar, geralmente o fato de estarem juntos? E para completar, você vai completamente desnudo; com todas as suas fraquezas, falta de memória, sinceridade, inocência e sem intenções? - Prazer, Fabiano!

Estava munido apenas de uma folha em branco; expectativas e um pouco de frio. A frieza assusta em todos os sentidos, por isso a escolha de um local fechado foi fundamental. O local fechado na qual me refiro chama-se minha vida, na qual ninguém entra sem autorização expressa e sem revelar objetivamente as suas intenções.

Invariavelmente não deixo ninguém entrar; mas esporadicamente permito-se ser humano; permito-me criar expectativas e pensar no amanhã – que não apenas ter que acordar com um pedido de: - Por favor, leve-me para casa...

Estava in natura - talvez isso a atraiu; estava sem casca, podia ser eu mesmo, contando as minhas histórias, tomando minha bebida favorita e errando o nome da banda que estava tocando a todo instante; mas sempre olhando dentro dos seus olhos, fazendo questão de sentir cada vibração ou movimentação de oxigênio ao nosso redor.

Tão real quando nos meus textos, tão verdadeiro quando no dicionário - o inseparável. Tão intenso quanto os e-mails - mas mais acolhedores do que nossas telas de cristal liquido. Assim estava; de repente, as intensões apareceram como que num piscar dos nossos olhos míopes; uma mistura de ousadia e duma vontade incontrolável não dormirmos nunca mais; você respondeu positivamente com um sorriso convidativo.

Então peguei a folha em branco e comecei a rabiscar; escrever o que estava sentindo na forma de beijos, abraços, toques e olhares; sentindo sua respiração ali no meio da pequena multidão. Tudo fazia sentido agora: as ligações, o jogo, as entrelinhas, os e-mails. Quando o meu convite ao pé do seu ouvido soou como música - devido a minha suposta ardilosidade - deveria ter pedido seus rins; seu coração, mas não para negociar com terceiros, como supunha; mas para consumo próprio.

Pouco me importa se você vai de rock and roll e eu de MPB; se somos rivais acadêmicos; se houvera “senhores-cafés” em ambas as vidas; se não vi enlatados americanos; se não tenho uma tatuagem “Love Bandit” estampada no bíceps; ou se cometemos dois crimes naquela noite e fomos antiéticos numa data aparentemente egoísta.

O que importa é que as testemunhas fundiram-se num corpo só e viraram cúmplices; misturaram-se de forma tão uniforme que, ao acordar, tivemos que decantarmo-nos para a devida separação; e desta, restaram lembranças que ficarão na minha memória-corpo-sentidos por mais alguns dias dos namorados.

A pergunta que esquecera-se de fazer pessoalmente, aquela que sempre fez questão de frisar nos seus escritos, desde o início - aquela que deixei de forma propositadamente em aberto nas minhas respostas: assim ficará!

Ficará em aberto, com os códigos livres - pode reformulá-la um dia; fazer-me pessoalmente quando quiser; ou ignorá-la; gritá-la ou sussurrá-la, mas a resposta será sempre a que você quiser ouvir.








sexta-feira, 12 de junho de 2009

Caixa Postal.



Sinto-me feliz por fazer parte de uma minoria, de um seleto grupo, bem singular e ímpar - com pessoas que não pensam da mesma forma, que pouco se importam como você se veste, o que come ou quem é; de pessoas instáveis, mutantes, influenciadas e influenciadoras; que gostam de coisas velhas, mas não renegam o novo; cultuam hábitos retrógrados, mas se beneficiam de facilidades do mundo moderno; e, principalmente - dão valores a atitudes desbanalizadas e enxergam além do que os olhos vêem.

Tomei a liberdade de publicar uma carta (destas, escrita à mão, caneta e numa folha de caderno) que, devido ao seu contexto, poucos entenderão; mas a sua essência se faz fundamental na minha vida e na dos seletos que se identificarem com as palavras da autora - que por sua vez; é minha jovem, sensível e querida colega de universidade e curso.

[frente]
[verso]


quinta-feira, 11 de junho de 2009

E se ELAS querem o meu sangue...

Espero que tenha pago minha dívida para com seus sentimentos de uma vez por todas; sei que os estragos são/foram bem maiores do que o simples ignorar de sua parte, rebater ou tentar entender minhas atitudes.

Não há o que explicar, na verdade você quer mesmo o quê? - O quê? - O que a deixa intrigada? - O que te faz me cobrar a cada momento, tentar me alfinetar ou achar que o mundo está de complô contra ti – organizado pela minha pessoa. O fato de eu assumir minha culpa, aceitar qualquer tipo de punição ou simplesmente ser indiferente (hoje); às razões que me levaram a cometar tal irresponsabilidade te incomoda?

- Por que não assume sua culpa também? Cadê a sua cara para ela poder esbofeteá-la também? - Por que eu tenho que assumir sozinho o papel de vilão? Pois digo sem pudor nenhum, fui mal-caráter, mal intencionado, egoísta, e, por fim; um irresponsável. - E você? O que foi? A vítima? A coitada da história? Afinal de contas que história? Pode me relembrar? Queria saber onde entra a parte onde eu colocava a arma na sua cabeça, pois não me recordo desta passagem. Lembre-me da parte onde eu invadia sua vida; sem permissão ou era impedido de entrar.

A minha consciência e tudo o que eu perdi foram por deveras massacrantes, se é o que queria ouvir; arrependo-me amargamente de tudo o que fiz – não só por vocês, mas por mim, pelo tempo que perdi, pelas vidas que mudei e pelo terrorismo, literalmente que passaram.

Tudo refletiu em mim de forma monstruosa – família, vida pessoa e principalmente à minha saúde. Enfim, o prazer tornou-se tormento e o tormento atingiu meu umbigo; oops!

Acredito que mesmo muitas pessoas querendo ver-me na forca logo abaixo ou numa fogueira; a maioria se safou – as famílias continuam intactas; novas foram construídas (esta refere-se exclusivamente a vocês - suas carreiras continuam a todo vapor e a vida continuou seu curso, enfim..

Parabéns para os que conseguiram se esquivar; parabéns para você; para eles, (quem são mesmo? Afinal de contas faz tanto tempo) era isso que queria ouvir? - O que mais te magoa? O fato de ter atingido diretamente seu ego ou as conseqüências desastrosas do que eu fiz? Que tal a sinceridade acima de tudo; acima do seu ego de mulher, principalmente - afinal de contas o que temos a perder, senão horas de sono numa noite fria?

Seja humana – admita que o que foi ferido foi seu EGO de mulher; e que nada do que fizer mudará – a minha escolha, as minhas atitudes e a aparente indiferença naquela época a magoaram e ainda te fazem mal. Mas a vida continua – a minha, a sua, a dela, a do vizinho, padeiro, jogadores de futebol, apresentador do jornal, a dos que me lêem - de todo mundo. E continuará assim, entende? - Mas se quiser continuar com isso; eleve o nível – desculpe a sinceridade - mas sente no divã, de preferência num imparcial, que não o seu e reflita, pense e defina realmente o que quer de mim, ou melhor, como quer me ver, se não quer me ver ou ficar feliz a me lamuriar.

Não há mágoa eterna, amores eternos e desculpas eternas. Eu cansei de pedir desculpas e confesso que a minha paciência se esgotou – fiz sim lavar meu rosto, tirar toda a sujeira que me consumia na época e assumir os meus erros perante você. Por que não experimenta fazer o mesmo? Por que não me pergunta dela? Envie um e-mail, diga que se arrepende também de ter participado ou não; diga que faria de novo – que é mortal, fraca e deixou-se ser levada por um sentimento que fora alimentado por mim – o grande vilão.

Será que há espaço e tempo para tal – pois passa a maioria do tempo lambendo apenas a sua ferida – para se perguntar como ela reagiu diante disso tudo?

Jogue toda a culpa no vilão; como sempre fez, mas pelo amor de deus pare tentar procurar em mim uma justificativa para os seus fracassos; pare de imputar ao que aconteceu - em apenas um mês todas as frustrações da sua vida – POIS NÃO VOU ME SENTIR MAIS CULPADO; – hoje não.

Por mim não haveria justiça – mas sim apenas a consciência; somos dotados dela e entramos em contato diariamente - seja deitando ao travesseiro ou enquanto nos adoramos pelo espelho; mas se há justiça própria implícita em sua natureza, utilize-a em mim da forma como melhor lhe convier.

A minha sentença? Esta fora dada, outrora...

- CULPADO! Três votos a zero a favor da condenação – inclusive o meu; contudo paguei minha pena, estou com a consciência tranqüila - já vocês; hoje espero que, sinceramente e de coração, se recuperem e sejam felizes para sempre e que durmam com suas consciências tranqüilas.



(E se a carapuça servir para mais alguém que me conheça pessoalmente – vista-a! É unissex e em tamanho único! Pois é foda-se os erros de gramática, tô cansado de “perfeição” em todos os sentidos; quanto aos demais desconhecido - peço desculpas pelo desabafo e prometo algo mais afável em palavras para o dia dos namorados).

terça-feira, 9 de junho de 2009

E se alguém gritar meu nome...



- Vamos fugir? Vamos? Agora!? Já! Arrume suas coisas, pegue somente o básico - seu mp4, uns livros velhos, óculos escuros, camisetas e um jeans. Deixe os lenços de papel molhados com suas antigas lágrimas - juntamente com o peso que a consome dentro de um baú com cadeado e entregue a chave para seu maior desafeto.

Não pense; arrume-se rápido! Passo em alguns minutos para te pegar, o tempo suficiente para destruir meu telefone celular jogando-o contra a parede - somado a um certeiro soco na tela do computador já dizendo: - Meninos, vou ser feliz e não volto nunca mais - se virem, sejam homens felizes, honestos e paguem as suas contas em dia - sempre! Caso me procurarem diga que enlouqueci; que comprei duas garrafas de rum, peguei meu carro, rasguei todos os documentos e larguei tudo: faculdade, trabalho, família e inclusive eles - fui-me embora viver de verdade!

E você; esqueça as formalidades, diga: - Mãe, estou indo ser feliz - ele vem me buscar agora! - Saia correndo enquanto ela tenta se desengasgar coma pipoca. Pegue “nosso” gato e, caso ele prefira o calor de um lar, deixe-o com um puta beijo na boca e diga que o ama, mesmo sendo interesseiro.

Ligue para seu patrão e demita-o de sua vida; diga para pegar o dinheiro do acerto e gastar tudo num bar mais próximo - tudo por conta da sua felicidade!

Use colorido enquanto da nossa fuga, leve travesseiros e taças para comemorarmos em plenas segundas-feiras nossa liberdade; não faça perguntas sobre onde vamos ou se ficaremos juntos o suficiente; entre no carro confie em mim, segure minha mão e não solte. Sinta o vento forte soprar por nosso rostos enquanto rimos de felicidade de tudo que deixamos para trás.

- Vamos?

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Sebastião Rodrigues Maia.





(...)
Pois bem cheguei, quero ficar bem à vontade na verdade eu sou assim...

Bola quinze.



Sábado, sobrepondo meu corpo sobre uma mesa de sinuca, iluminada apenas por uma lâmpada fluorescente - que de tão amarela, parecia uma incandescente comum - e, utilizando um taco perfeitamente esférico no seu diâmetro; proporcional ao meu tamanho - resolvi me testar.

Apesar de econômica, as lâmpadas era frias, iguais a maioria dos que nos cercavam. Não havia sinais de fumaça, sub-solos; descaracterizando, assim o local como um original Pub - a contar, também, pela quantidade de bancos ao redor do balcão, que era mínima. Mas era alternativo, agradável e seletivo; as pessoas ao nosso redor inspiravam cultura (e não transpirava, devido ao frio); e havia grande diversidade de marcas de cervejas e alguns grupos já fechados de pessoas aparentemente interessantes.

Conversas esporádicas foram surgindo, aos poucos o frio interpessoal entre os grupos fora esquentando. Havia inúmeras possibilidades ao meu redor, ninguém me conhecia mesmo – sequer superficialmente; afinal de contas, o mundo não é tão pequeno assim. A não ser meu parceiro de jogo - no qual dividimos o apartamento a seis meses apenas - tão inapto para jogos reais quanto eu. Era como sair da casca novamente; e realmente eu estava.

Utilizamo-nos da lógica; por ora, para jogar - bastava mirar, bater com força proporcional à distância e preparar a próxima tacada. Estávamos nos dando bem, afinal de contas nos víamos diante de adversárias, - tão adoráveis e divertidas quanto filhotes de border collie´s que escapam da casinha num sábado a noite. Adoráveis pessoas, mas num primeiro momento distante de mim - o digamos, novato do grupo.

Tocava clássicos dos anos setenta, oitenta, geralmente em versões ao vivo; alternando com “indie”; “punk”; Roberto Carlos; “ e até Tim Maia. - Há os metais hein! - Que saudades de Tim...
- Você toca Tim? - perguntei empolgado ao meu colega de apartamento que toca violão. Confesso que antes, nossas saídas se resumiam a descer do elevador apenas, mas – apesar de sermos completamente diferentes - tratou-se de uma excelente companhia para beber.

Nossas companhias (inteligentes e descoladas) estavam inquietas; por isso tratei-me de concentrar no jogo, contudo sem tirar os olhos de quem estava ao meu redor. Fiz comentários com base na minha observação com uma das adversárias sobre as suas companhias - e me equivoquei! - Não ela não é mau-humorada, fique tranqüilo Fabiano, ela deve estar te olhando assim porque você estava entretido numa conversa com uma ex-namorada dela. - Há sim, claro – pensei.

Mesmo diante do olhar desafiador, não me intimidei; afinal de contas tínhamos algo de muito intimo em comum, mais até do que um relacionamento lésbian chic. Parece ridículo, mas trabalhamos com um mesmo programa de computador durante um tempo em nossas vidas. Não se encontram pessoas assim perdidas, ainda mais num sábado sábado à noite.

As minhas intenções eram as mais divertidas o possível, enfim; estava relaxado e já tinha quebrado um maldito copo inconscientemente por vontade própria – odeio tomar cerveja em copos tipo “americano”, e só estava preocupado mesmo era em ter que acordar às sete horas da manhã de terça - feira para recepcionar a nova “colaboradora” do apartamento: - Sargento Dona Maria.

Eu era uma pessoa sem intenções aparentes, num lugar com pessoas com muitas intenções e destinos já pré-definidos; noite regada com a cerveja que era uma das minhas preferidas – cuja Inbev ainda não comprou - já com mais de 700 anos de tradição alegrando e mudando os destinos dos seus fiéis consumidores.

A cada talagada minhas tacadas ficavam cada vez mais precisas e o olhar aguçado e seletivo; estava me sentindo o ás do snooker e ao mesmo tempo percebia estar sendo observado. Não por ciumes desta vez, mas por curiosidade; de outra adversária - agora pela forma ambígua como eu conversava com todos ao meu redor, sem deixar claro o que realmente eu queria ou era.

E por incrível que pareça, só foi preciso usar de sinceridade, apenas falar a verdade para uma breve aproximação. Eu só queria me divertir (conceito subjetivo); ouvir boa musica (optativo) e beber o suficiente para voltar dirigindo (necessário). Nada nas entrelinhas...sequer haviam entrelinhas...

Depois de algumas partidas e conversas descontraídas e divertidas chegamos a uma conclusão óbvia: - Você não gosta de mim, tão-quanto eu de você; não é o amor da minha vida e nunca será, – certo? - Certo meu caro! É puramente momentâneo e físico! Exatamente! - Ótimo, fomos feitos um para o outro neste sábado à noite – afirmei, enquanto tentava me desvencilhar agora dos olhares da colega de software.

É inegável não se sentir atraído por pessoas fisicamente, algo intrínseco e tão natural que foge do nosso controle. Esbarramos apenas na oportunidade e no momento em que estamos vivendo e, no meu caso, especificamente - não é o de provações.

Infelizmente cometi um erro primário mas que massageou meu ego; não fora planejado, mas sim tentado, fui desafiado, acometido por uma oportunidade em mil. Era único o resultado esperado, depois de tanta conversa; de olhar dentro dos olhos da pessoa que, de repente estava desnuda na minha frente, feliz alegre e confiante - poderia ter colocado a “coleira” e levado-a para passear e depois a devolvido ao seu dono, que não era/nem queria ser eu! Pelo menos àquele instante.

Senti tentado, claro; Stella Premium Beer sempre me deixa bem maleável e há tempos não conhecia/saía com ninguém, desta forma, tão informal e sem compromisso, aliás – desde que parei de beber, sequer saia de casa...

Eu cedi momentânea e publicamente; foi divertido, fullgás (tal qual Marina Lima cantando enquanto jogávamos) e sai com algumas pequenas escoriações nos lábios, devido a tamanha voracidade, furor e libido - resposta dada pela minha adversária da mesa de sinuca, aos estímulos que ofereci, sentada ao meu lado e me prendendo com os braços para que eu não me levantasse.

Precisava pegar a última cerveja, junto ao balcão e (…) aceitou; aproveitei e me despedi da que conhecera logo no começo; estava rodeada por quatro caras, mas não me fiz rogar - interrompi educadamente a disputa, peguei o telefone, e-mail e trocamos elogios, combinamos de sair, descontraidamente.

- Você está pegando o telefone da minha amiga, perguntou sorrindo (...). - Sim, combinamos de sair qualquer dia desses para conversar, tomar alguma coisa, conhecer gente nova, fazer o que estamos fazendo hoje; eu e você...- respondi tranqüilo, leve e feliz.

- Vamos embora? Eu te deixo na casa do seu namorado. - sorri. - Só se me prometer que me pega daqui meia-hora? - promete? - sorriu também.

Pouco me importava o resultado de tudo - desde o copo quebrado ou a oportunidade de voltar para casa como cheguei – apenas com meu colega de apartamento, - e foi o que aconteceu; apesar do convite para pegá-la em meia-hora, depois que deixássemos o bar, pois já teria jogado tudo para o alto com o ex.; preferi não ligar; preferi não interferir novamente na vida das pessoas; não mudar o curso comum de relacionamentos já estabelecidos; confundir a cabeça de quem tem dúvidas; influenciar e tirar proveito da situação que não trariam nada mais do que uma leve dor na consciência.

Preferi ir para casa, escrever para uma pessoa nunca vi e me consome a cada instante; baixar a discografia do Tim Maia (bem oportuno); comer o resto Doritos que ficara sobre a minha cama, enfim; sinceridade acima de tudo - até da libido...

domingo, 7 de junho de 2009

Send to...


Acordo com ressaca; uma dor-de-cabeça tão infeliz, que mal consigo abrir os olhos; cubro a cabeça na tentativa equivocada de sufocar os sintomas - mas é em vão.

Crio coragem/necessidade de me deslocar até o meu “pronto-atendimento”, (lê-se caixa de remédios no guarda-roupas) mas quando procuro meus chinelos vejo uma porção pequena, clara e homogênea de suco gástrico e líquido bile – o suficiente para relembrar os meus vinte anos; que juntamente com o frio, afastam qualquer possibilidade de sair da cama.

Precisava das horas, estou de férias, mas afinal de contas sou escravo do tempo e dependendo da sua resposta eu tomo uma iniciativa ou volto a cobrir a cabeça. Escravo sem feitores: não tenho relógio, minha televisão tem, mas para tal preciso achar o controle remoto. Abro uma ínfima parte da janela com a ponta dos pés - a luz do dia me cega, tenho a impressão de as pupilas se adaptarem à intensidade da luz - como as dos gatos quando recebem um facho certeiro nas vistas - tento fechar, mas meus pés não alcançam mais a folha da veneziana.

Deve ser onze manhã, penso. Ouço furadeiras, filtro da piscina em ação, carros à todo vapor; conversas nos outros apartamentos, latidos de cachorros (que não são permitidos).

- Atitude, atitude! Vamos, mexa-se Fabiano!

Celular! Dorme sempre no peitoril da janela e na maioria das vezes, esquece-se da sua função principal: despertar-me! Desta vez, estico a mão, pois não há sono, paciência e preciso urgentemente de outra “cabeça”. Estranho, mas ele é extremamente sensível a temperaturas; (o celular e não eu) no calor recusa-se a funcionar; no frio congela literalmente. Pego, chacoalho, esbofeteio e nada; então - como que num clarão, tenho um surto de sagacidade matino-ressacal (linda esta denominação) e resolvo ligá-lo.

Espero toda a burocracia, seguro pacientemente a tecla “desconectar chamada” até que apareça a logomarca da minha operadora; enfim.. cade as horas? Quero horas, quero tempo, medidas para me cobrar, horas porra! Eis que surge um: - “Sua caixa postal está cheia, delete mensagens antigas para receber as novas”. - Solto um “foda-se” e cancelo tudo “C”; pressiono repetidamente a tecla "C";"CCCCCC" e caio direto no tempo; 0:00 do dia 1 de janeiro de 2000 – Que maravilha. Agora você subiu no topo das minhas prioridades materiais à adquirir. querido celular.

Isso explica a ressaca, as atitudes e a amnesia alcoólica, pois pelo meu celular ainda tenho dezenove anos. Estou perdido no tempo, mas a dor de cabeça e a poça permanecem intactas – uma latejando e a outra ressecando.

- Quer saber? Vou deletar mensagens antigas! Vamos ver; por onde começar? Há sim, pelas pessoas que deletei dos meus contatos, aqui não aparece o nome da pessoa, somente o número, então significa que não tem tanta importância. Apago umas dez, faltam algumas mais...vejamos....São mensagens de quase um ano. Subo um pouco mais, desço e vejo os remetentes:

“Você é um homem maravilhoso. Boa tarde. Lia.” [De] Lia G., 14/07/08.

“Brothers in brothers, a festa nunca pode akabar, na guerra é pior msm...irmão de coração, vc é parceiro, te considero muito , meu irmãozinho d verdade, se precisa já sabe, conta cmg my brother, abraçao. [De] Cassiano S., 04/08/08.

“Ooo Federal, otimo ano novo com tudo dentro ae! Rsrs Dentro da santa paz e felicidade brother. AbraÇo Altair... [De] Altair 31/12/08

Para não citar outras; tantas outras também não são somente elogios, mas afinal são meus amigos...

Meus amigos: tenho tantos e gosto da mesma forma de todos; fiquei com pena de apagar as mensagens - serve-me como um livro de auto-ajuda, pois é a uma forma indireta de ser ajudado por eles. Mal sabem que penso em todos diariamente; procuro saber como estão e só fico tranqüilo enquanto vejo TODOS bem. Perco boas horas do meu dia, pensando numa maneira; direta ou indireta de ajudá-los.

Vasculhei mais mensagens procurando as que não tivessem importância ou influíssem diretamente nos meus dias e vi umas com “Fabiano [texto enorme] Te amo”. [De] (…);(...);(...)...
- Deletei! Mas sem valorar ou menosprezar, por ser hoje um sentimento inexistente, inexpressivo e ineficaz - apesar do conteúdo e a palavra “amor”... Estas pessoas talvez nem se lembrem de mim ou fazem questão de não se lembrar...; mas foi uma sensação estranha: - Como assim você me ama (va)? - pensei. Deixemo-las descansar em paz...(Nada de retornar mensagens)!

O celular começou a baixar as novas mensagens e lançou uma: “Ovelha, pq vc nunca atente esta merda de cel, qdo vc chegar só vai ter carne fria e a loça pra vc lavar, aproveita passa no posto traz + gelo e cerveja! Tamo te esperando moleque! [De] Queridos amigos, um domingo destes...

Pulei a poça, peguei um pano com desinfetante e esfreguei o chão; lavei um copo, tomei um antiácido/paracetamol, sorri e voltei a dormir!

Quinta-feira...

sexta-feira, 5 de junho de 2009

O que não tem remédio, remediado está!




Há tempos não me divertia tanto numa farmácia como neste dia. Desde quando consegui me desvencilhar dos meus hábitos de auto-medicação - oriundos de crises intermináveis de hipocondria - nunca mais precisei utilizar um cesto para colocar as compras na farmácia; bastava colocá-las na palma da mão, carregá-las e paga-las junto ao caixa.

Pois bem, chegou o frio e com ele as suas conseqüências são visíveis na minha saúde; mesmo com a vida regrada, careta e saudável que levo hoje – durmo cedo, ando agasalhado, não bebo, nunca fumei, não faço parte de grupo de risco - aliás não faço parte de grupo algum no momento – minha resistência baixou de forma brusca.

Voltando da faculdade, pensei em dirigir-me até o centro para encontrar uma mega-store, com milhares de oportunidades e princípios ativos diferentes; mas vejo duas farmácias de médio porte, numa avenida movimenta, de um bairro legal – um dos mais tranqüilos da fronteira - resolvo desacelerar, observar as fachadas, as prateleiras rapidamente para me decidir em qual parar.

- É essa aqui, tem um nome legal e não tem muitas pessoas, vou poder passar o tempo que quiser. - conclui. Entro e ouço um rebuliço de funcionários discutindo sobre escalas de plantão, horários...- Ótimo, ninguém para me perguntar: posso ajudá-lo? - pensei.

Andei pela sessão de cosméticos, mas há.. - não perco muito tempo. Os dos supermercados são mais baratos e a variedade é bem maior. Passo apressado pela sessão de fraldas, fico olhando a infinidade de modelos, tamanhos, abas, e quantidade de tipos de xixi que podem ser produzidos, incrível! E os absorventes então?! Haja tipos de (…) ...pensaram que eu escreveria? Se pensou em fluxo, errou.

- Será que já definiram quem vai trabalhar no final de semana? - pensei, pois preciso ir nos balcões de medicamentos que teoricamente necessitam de receitas e porque está frio, quero ir logo para casa. Preciso descansar e estar bem preparado para não fazer absolutamente nada na minha sexta-feira antes do meio-dia.

Interrompo a discussão sutilmente com um: - Com licença; e lançando um olhar certeiro e demorado para o crachá do vendedor; fixando os olhos na frase “atendente” e olhando nos olhos dele, repetidamente.

- Trabalha aqui? - pergunto com cinismo, ironia e impaciência. - É, mas você já tirou folga aos sábados, agora vai ter que cobrir fulano...- Grita e gesticula o vendedor com outros dois do lado da caixa, ignorando temporariamente minha.

- Sim senhor, em que posso ajudá-lo? - diz, depois como num piscar de olhos se transforma em atendente de rede de farmácias, com todas as honras e méritos; estufa o peito, ajeita a camisa, arruma o crachá e sorri discretamente.

Então... - digo e vou andando em direção ao balcão de atendimento. - Preciso daquela pomada para passar nos meus lábios, estão prestes a estourar bolhas, pois o frio baixou minha resistência e está ardendo. Quero Aciclovir... - defini.

- Deixe-me ver as lesões... - disse todo atencioso o pseudo-médico. Virei o rosto de bate-pronto e disse: - Traga-me aquela da Medley, não tente me enganar com outras porque sei que ainda não lançaram nada de novo no mercado. - falei, deixando bem claro que tenho longa experiencia em bulas de remédios.

- Tenho esta aqui, olha... - mostrou-me uma genérica. - Hum, deixe-me ver...passe ela no código de barras, - pedi educadamente. - “Pip”: apareceram vários dígitos... - Cara, traga-me a da Medley, que tal? - eu saio feliz e você pode ir lá porque quanto mais você demorar, vai ficar sem ter como escolher os horários das escalas de final de semana. - disse rindo e pensando no bem comum da humanidade.

- Cara, em partes você tem razão, mas para falar a verdade, a contar pelo seu entusiasmo, acho que não vou sair perdendo ficando aqui vendendo remédios por quilo para você! Estou precisando de comissão e a outra marca de pomada me paga bem mais se eu a indicar. - disse-me com extrema sinceridade.

- Pela sua sinceridade eu vou...- interrompeu-me rapidamente antes de concluir dizendo: - Vai levar a outra né? - empolgou-se! - Não meu amigo, quero a da Medley, mas em compensação vou levar não uma, mas duas manteigas-de-cacau; quero as melhores marcas esta bem, não me importo com o preço. - disse com o diabinho já no meu ombro sorrindo. - Há, tem alguma novidade neste setor caro vendedor? Inventaram em spray? Ou algo mais líquido e que não congele? - perguntei. - Então, chegou em formato de bastões roll-on. - disse, cabisbaixo.
- E presta? - perguntei; até porque nunca tinha ouvido falar. - Não cara, ele seca rápido, uma bosta. - Sinceridade on!? - pensei, um vendedor honesto!

- Quanto custa? - perguntei. Ele sorriu e disse: - Cara, já perdi as folgas do fim-de-semana, você vai levar a tradicional mesmo, que é mais cara sim, mas pelo menos funciona! - concluiu. - Está bem, não precisa ficar nervoso, meu amigo, vou levar, não se preocupe. - acalmei-o.

- E o que mais você precisa? - já sem tanto entusiasmo, perguntou. - Cara hoje é seu dia de sorte, preciso daquele polivitamínico, aquele caro pra caralho, o...o... Esqueci o nome, agora ele vai me pegar! - pensei! - Há, o com vitamina “B”, concentrada. - expliquei.
- Vitamina o que? “D”? - Confundiu-se o vendedor!
- Não, colega, vitamina “B”; “B” de @#$%¨& e olhei suspirando para a - digamos saliente atendente de caixa. - Há sim, “B” de (…), entendi. Engraçado, mas geralmente não costumam fazer este tipo de comentário da minha esposa, ainda mais na minha frente... - afirmou falando sério. Fiquei pálido, branco e totalmente sem graça, sem saber onde enfiar a cara.

Tentei consertar: - Então, pensando bem vou levar o dobro de tudo, pode por os mais caros está bem amigo, é até melhor, estas marcas nacionais geralmente não tem a mesma eficácia e para não pairar dúvidas sobre o tipo de vitamina, coloque de A a Z...- disse engolindo seco e sem saber como sair daquela saia justa.

- Hahahahhahahahahhhahahahahaha. - Gargalhou o filho-da-puta! - Relaxa, vamos lá rapaz, continuemos com as vendas; ela é isso mesmo, mas é a esposa do chefe e não minha, portanto tem total razão! - Estava pensando em levar anti-inflamatórios e ataduras depois desta bola fora meu amigo, com medo do estrago que faria na minha cara, assim você me mata do coração; mas então já que não morri, por favor me veja aquele envelope de camisinhas. - sorri olhando para a mulher do chefe! - sorriso amarelo e brilhante e com um "ufa"...

- Hum, deixe-me ver, o que mais preciso? - pensei falando alto... - Barbeador e umas latas de leite NAN. - Intrometeu-se. - Barbeador sim, mas porque leite NAN? Por acaso estou desnutrido “doutor atendente”? - questionei não entendendo onde queria chegar. - É o que tenho de mais caro aqui que e pode vendido sem receita médica, leve uma caixa fechada e faça um vendedor feliz! - Hehe! - Vá ganhar às custas de aposentados, meu caro - sorri!

- Vamos lá cara, traga-me a atendente, digo complexo “B”, quero tirar a embalagem e ver a bula para saber quantos miligramas tem realmente. - Só trago se for realmente comprar! - disse com petulância. - Traga logo senão vou ser obrigado a apontar para a mulher do seu chefe e rir, acho que ela não vai gostar que estamos reparando em detalhes da sua anatomia. - Virei o jogo; sou bom nisso! - Aqui está! O que mais precisa “senhor cliente”! - disse aceitando a sua derrota e rangendo os dentes!

Tem gente que não tem medo do perigo mesmo, mas gostei deste cara...é um desperdício de talento, tem bom humor, pensei – mas que está comendo a mulher do chefe, com certeza está, filho da puta!

- Você tá saindo com ela né cara? - chutei o balde, foda-se ele estava feliz com a boa comissão das vendas e ainda a "comição" da patroa. - Garoto esperto, nem precisa de vitamina “B”; tem raciocínio rápido. - concluiu o vendedor.

Fiquei ainda mais uns vinte minutos, comprei remédios para sintomas da gripe, antiácidos, preservativos, anti-inflamatório, pílulas de cafeína concentrada, esparadrapo, gaze, paracetamol (meu coringa) água oxigenada, band-aid e um monte de coisa que mal lembro o nome ....Peguei minha cestinha pela boca com remédios e afins , feliz da vida por achar tudo o que eu dia vou precisar (ou não) fui para o caixa segurando o riso.

Olhei para o vendedor e ele disse em tom irônico: - Tome a “vitamina” sempre ingerindo algum liquido, geralmente antes de ir dormir, caso não resolva seu problema, procure outra “vitamina”; há inúmeras no mercado, esperando para serem testadas. Tenha uma boa noite senhor e se precisar, procure-nos, estamos aqui para servi-lo! - concluiu formalmente - irônico e satisfeito com a vultuosa venda.

- Débito ou crédito moço? - perguntou sorridente a vitamina, digo a caixa, dona da farmácia. -
-Débito senhora, débito, por favor. - disse eu, serio e formal.

- Pode colocar o cartão, mas com força porque a máquina está com problema querido. - disse serelepe e inclinando-se para mim. - Foi combinado isso né - pensei! Olhei novamente para o vendedor e ele discretamente sorria e espanava o balcão como se nada tivesse acontecendo.

Peguei meu comprovante fui embora. Entrando no carro me lembrei....- Esqueci a dipirona em gotas, mas que droga!

(Diálogo real, sem nenhuma adaptação - aconteceu às 22:49, do dia 04/06/2009, em Foz do Iguaçu, avenida Silvio Américo Sasdelli; Só não me perguntem o nome da farmácia, por favor).

quinta-feira, 4 de junho de 2009

férias, vacation, urlaub, vacaciones, vacances, vacanza. vakantie.



  • Segundo a Lei Áurea; Carta Magna - popularmente “desconhecida” como Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988, as férias são:


CAPÍTULO II
DOS DIREITOS SOCIAIS

...Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social:

...XVII - gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o salário normal;


  • Seguindo o Ordenamento Jurídico, os parlamentares Estaduais fazendo seu papel e para não perder o costume, inserindo alguns artigos descabidos que fiz questão de deletá-los: Férias...


LEI Nº 6.174
Data 16 de novembro de 1970
SÚMULA: Estabelece o regime jurídico dos funcionários civis do Poder Executivo do Estado do Paraná.

CAPÍTULO V
DAS FÉRIAS

...Art. 149 O funcionário gozará de trinta dias consecutivos de férias por ano, de acordo com a escala para este fim organizada, pelo chefe da unidade administrativa a que estiver subordinado e comunicada ao órgão competente...
- Vide art. 39, § 2º, CF e art. 34, X, CE.

...Art. 151 Durante as férias, o funcionário terá direito a todas as vantagens, como se estivesse em exercício...

...Art. 153 O funcionário promovido, removido ou transferido, quando em gozo de férias não será obrigado a interrompê-las...


  • Para que não sobressaiam as dúvidas gramaticais, de interpretação e congêneres: as definições do dicionário: "para todas as coisas..." (Como bem definiu Fernando Reis, na sua composição “Diariamente”) .


fé.rias:

s. f. 1. Dia de semana. 2. Soma dos salários de uma semana. 3. Salário de operário. 4. O que diariamente se apura das vendas de uma casa comercial. S. f. pl. Dir. trab. Tempo de repouso a que fazem jus funcionários, empregados, escolares etc.


  • Para os preguiçosos e/ou praticos, a Wikkipedia: Férias...


Férias Laborais
Brasil

No Brasil, a legislação trabalhista estabelece um mínimo de 20 ou 30 dias consecutivos por ano de férias, sendo que aqueles que têm apenas 20 dias podem requerer compensação pelos outros 10 dias em forma de aumento no salário. Um trabalhador deve gozar as férias necessariamente entre 12 e 24 meses decorridos desde data da sua contratação, ou desde as últimas férias.

O objetivo das férias é proporcionar um período de descanso. Sendo assim, o trabalhador não pode se privar das férias nem por vontade própria e deverá consumir no mínimo 1/3 do período.

No Brasil, o direito às férias foi conquistado, junto com outros direitos dos trabalhadores, após as greves operárias do início do século XX na luta por melhores condições de trabalho, melhores salários e garantias trabalhistas.


  • Férias 2009, por eu mesmo:


Devido a mudança de escala no trabalho não tive a oportunidade de escolher o mês de férias para me beneficiar; (lembram-se do artigo que apaguei, falava justamente sobre isso: tenho o direito e obrigação de tirá-las, mas a oportunidade é de acordo com a Administração e para não tumultuar planilhas e obrigar a ter um sorteio e ser esfaqueado pelos meus colegas de plantão resolvi assinar o termo).

A faculdade, provas, seminários e as viagens que já fiz este ano - somado ao fato de que o “benefício” inciso XVII, do art. 7º sequer cobriu meu limite na conta corrente – tiveram grande peso, por decidir-me a ficar por aqui; mas deleitando-me com alguns clássicos que quero ler; ver todos os episódios do meu seriado favorito, tomando chá de limão natural com hortelã, nada de saquinhos; fazer visitas esporádicas aos meus amigos casados, para não perder a noção de “família”; dedicar mais tempo durante o dia para meus amigos boêmios, fazendo questão de acordá-los antes do meio-dia; visitar diariamente o supermercado para pegar sempre as hortaliças frescas e quem sabe uma viagem curta? Aproximadamente trezentos quilomentros, um final de semana apenas - nada que afete o psicológico da gerente do meu banco - afinal de contas é um lugar legal, com mais de 500 anos de cultura, história, ruínas...

O Banco do Brasil se gaba por apoiar e divulgar a cultura nacional, lugares históricos, diversidades e bla,bla,bla; Pode ser um bom argumento para pedir um aumento de limite de crédito! (Ela só não precisa saber que a viagem é para o interior de outro País)!




Estava procurando o que havia escrito ano passado sobre as férias e achei este post no meu antigo e saudoso blog; Há, quanta saudades dele, pena que tinha poucos recursos e pouca divulgação.


quarta-feira, 3 de junho de 2009

E se eles querem meu sangue...


Independente dos meios, o que realmente importa, na atual conjuntura, é que o resultado final seja atingido, e que beneficie a todos - indiscriminadamente. Pois bem, guarde este início, pois será muito útil antes de me queimarem na fogueira dos egoístas, antiéticos e desalmados.

Certa vez, por necessidade precisei doar sangue, isto faz um bom tempo, há dois anos atrás, quando ainda era da área da saúde/biológicas, usava branco, cabelos raspados, jogava futebol de salão e tinha até uma namorada fixa. Até então, nunca senti necessidade de doar sangue; até porque, nunca precisei de uma bolsa de sangue alheio, então para que me submeter à isso?

Lembro-me de casos famosos, se não me falhe a memória - daquele cantor sertanejo da dupla Leandro e Leonardo - que morreu de câncer. Em vida acredito que, por mais altruísmo que possuíra - jamais pensou em doar parte do seu patrimônio para um Hospital de tratamento para doentes de câncer ou sequer uma parcela ínfima daquilo que arrecadava com seus shows, seria destinada a pequenos e inocentes leucêmicos.

O “Super Homem”; Christopher Reeve - que caiu literalmente do cavalo e ficou tetraplégico- sequer imaginaria que um seria apoiador e financiador de campanhas para estudos sobre células embrionárias enquanto usava sua capa e era à prova de balas.

A mãe do Cazuza e a sua campanha de prevenção a AIDS, o ator Paulo José divulgando os perigos do Mal de Parkinson e inúmeros outros casos; não só de pessoas famosas, mas das que tomam ônibus para trabalhar, estão na fila do banco, esportistas e enfim; nós mesmos.

Fato é que realmente despertamos nosso espírito de “amor ao próximo” quando realmente somos afetados diretamente ou indiretamente sobre algum fato que venha a nos interessar. Não considero um defeito; na verdade é humano, bem humano, pois nos “acionamos” melhor quando somos estimulados e nada melhor/pior do que um estímulo ruim, sentirmos na pele a necessidade e descruzar os braços.

Eu me incluo nesta categoria e você também; - sim, você e eu! - Não adianta olhar para o lado, porque é com você mesmo que estou falando.

Diga-me quantas horas do seu ano; - eu disse “ano” - você dedica a serviços voluntários? Acredito que tenha ficado encabulado (a) tanto quanto eu em não poder encher a boca e responder: mais do que você imagina.

Pudera, afinal de contas temos tantas tarefas; trabalho, família, estudos, casa e até o cachorro; não nos sobra tempo para olharmos as necessidades dos que desconhecemos. Sabe, vendo por outro ângulo podemos justificar nossa comodidade com desculpas: - A culpa é do Governo, pago meus impostos em dia, ele que se vire! Ou algo mais “aceitável”, tal como: - De que adianta eu fazer a minha parte se você não faz a sua; senão que tal: - O que eu fizer não mudará coisa alguma.

De todas as correntes, eu como ser humano me enquadrei em várias – invariavelmente, de acordo com a necessidade (minha). Isso já diz tudo e me envergonho em admitir, mas é a verdade.

Altruísmo é um dom; é dedicação, é paciência, é reciprocidade. Ajudar as pessoas que mal sabem que você existe, logicamente parece a maior perca de tempo, ainda mais quando não irá receber nada em troca, mas há algo de mais sublime nisso, mais do que o "receber"; há uma satisfação interior que nós pecadores ainda não tivemos tempo de senti-la. Minha avó sempre nos ensinou como filosofia - arduamente aprimorada nas lavouras do interior de Minas Gerais: “Fazer o bem e não olhar a quem.”

- Cresci com isso vó e faço o bem, mas este “bem” limita-se ao meu círculo de convivência. Dou a vida pelos meus amigos, faço questão de vê-los bem e felizes, faço o impossível pela minha família, dou o sangue pelos meus colegas de trabalho, literalmente.

Quantas vezes não acordei, ou melhor, fui acordado de madrugada com um telefonema de alguem próximo, aos prantos, soluçando; se necessário fosse, correria para hospitais, delegacia, caixa eletrônico para emprestar dinheiro ou ficava somente consolando, ouvindo e passando a minha noite em claro para poder vê-los bem.

- Fazer o bem e olhar a quem, vó. Somos limitados e por mais puras que forem as nossas almas e atitudes, vivemos por afinidades, logo, tornamos limitados apenas ao nosso círculo de convivência. É algo que talvez não tenha aprendido quando da sua infância sofrida, mas fizemos questão de aprimorar. Sempre queremos algo em troca e não podemos esperar o mesmo de desconhecidos, quiçá os conhecidos nos oferecem. Resumindo: não podemos resolver todos os problemas do mundo, mas se todos os círculos de convivência fizerem o mesmo – podemos atenuá-los, entendeu querida? - Não né? - É complexo, eu sei....Mas estou ampliando minha visão - vendo além do meu umbigo, dos umbigos conhecidos e me preocupando mais com umbigos de estranhos, mas que precisam de ajuda; as vezes até mais do que os nossos.

Tudo isso passa por: frustrações anteriores, instinto de sobrevivência, prioridades e um sem-números de fatores e desculpas. Não é somente puro egoísmo generalizado.

Aos que morreram, pararam apenas no estimulo, sequer tiveram uma iniciativa; já os sobreviventes tiveram uma reação, que por sinal, beneficiaram muita gente e nunca é tarde. Todas as atitudes são louváveis, independente do que as motivaram, várias pessoas se beneficiarão do “egoismo” dos “Leandros”. Da visão capitalista das empresas que doam somas em dinheiro para instituições filantrópicas somente para abater do Imposto de Renda; dos que dão as suas moedas no sinal e acham que fizeram a sua parte e daqueles que doaram sangue apenas para conseguir uma dispensa no trabalho.

Poderia ser diferente? Claro que poderia, mas para isso precisaríamos mudar o mundo, frear o capitalismo, desentortar pessoas limitadas e, em alguns casos, abrir mão de nossas prioridades e que, na maioria das vezes, desconhecidos não fazem parte delas - até que alguém próximo passe por uma necessidade similar.