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domingo, 23 de agosto de 2020

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Já flertamos algumas vezes, de fato - mas nada tão agressivo quanto agora; porque não me levou? Porque me bateu tanto, me fez sentir falta de ar, sede, fez cada nervo do meu corpo se contrair de uma forma tão violenta que deixaram hematomas, tonturas, calafrios e hipertermia. E como num looping, me fez retornar ao ponto zero novamente.

Cá estou, vivo.

Estava inerte na cama, já não sentia o lado direito do corpo; tudo formigava, estava chegando a hora - pensava.

Senti uma sede sem fim, mas ao mesmo tempo meu corpo dizia para não beber água pois iria engasgar; perdi o controle dos meus olhos, dos lábios; já não via mais nada, não fazia sinapse, lutava para manter uma respiração continua e prolongada; não queria um último suspiro e pelo visto nem VOCÊ.

Eu implorei pela minha vida, VOCÊ quis isso. Eu pedi por ela, tamanho era o medo que senti. Eu senti desespero, balbuciava: não, não, não quero morrer.

Comecei a juntar todos fragmentos de conhecimento sobre vida e morte que havia assimilado durante a minha existência: um dos últimos sinais de vida é sentir sede; frio e pedir perdão.

Pressionei minha língua com força contra o assoalho da boca para não contrair e me asfixiar; tentei me manter na mesma posição. Queria pedir perdão para tantas pessoas, mas nenhuma estava próxima, então pedi para a que estava por perto, por fazê-lo presenciar seu melhor amigo ter uma intoxicação por tudo quando é tipo de dor e ficar no limiar entre a vida e a morte.

Fez-me sentir medo, pedir ajuda, recolher-me à minha insignificância diante da vastidão da vida. Meu coração batia tão forte, mas tão forte que era visível as suas contrações, meu peito enrubescia e escurecia conforme as contrações; ficara vermelho escuro, quisera explodir, sair tudo para fora; musculatura, pleura, pulmão, artérias e veias e sangue, muito sangue.

Não as contava, apenas aspirava que parasse logo, que meu olhos se revirando centralizassem, a sudorese evaporasse, meu corpo silenciasse e finalmente eu pudesse descansar. Senti uma miscelânea de sensações físicas que nunca senti.

Nestes instantes para me desvencilhar da dor, do desespero e do incerto; pensava em como seria esta transição corpo x espírito; será que alguém iria me buscar ou se simplesmente fecharia os olhos, escureceria tudo e era chegado  fim.

Fiquei esperando alguém me buscar pela mão de verdade, mas ninguém veio.

Nem para cima, nem para baixo. Nem de branco, nem de preto.

O que estava querendo me dizer? Qual era a mensagem? Era que, a hora que você quisesse, eu seria um sopro, um estalo de dedos, um grão de poeira?

Seu esforço parece ser contraproducente. Quanto mais me precavê e me alerta; mais longe tento ir.

As crises estão se tornando mais intensas; mas não desistimos. Eu, indo no meu limite, VOCÊ tentando mostrar que a tendência não é sobreviver, mas sim viver.

Fui me recuperando aos poucos; quando pensei em desistir; quando o ar me faltava, os olhos reviravam, os lábios pretejavam, minha boca estava estática com a glote seca; contrações involuntárias e violentas; veio um silencio sepulcral.

Sabia que não tinha morrido, meus braços se estiraram na cama, já movia o pescoço, engolia lentamente saliva, a dor passara - meu amigo comemorava, pedia eu para aguentar o socorro.

Aos poucos me restabeleci; sem tomar nada, nenhuma ajuda profissional, meu corpo estabelecia a homeostase. Do nada, simples assim, contra todos os prognósticos. Por nada. Eu não entendi. Era para eu ter morrido, apesar do medo, estava pronto para isso.

Enquanto me recuperava na ambulância, já respondia todas as perguntas do técnico; aceitava calado os conselhos e broncas, apenas olhando fixamente numa janela fechada do carro. Tinha sinais vitais estáveis, apenas o raciocínio lento. Eu me sentia fraco, envergonhado, culpado, assustado.

Infelizmente as minhas perguntas ficaram sem resposta; passei por uma avaliação criteriosa; Técnicos de hospitais se comunicavam gritando: o nome  do paciente sempre associado ao que eu havia tomado ou feito. “Fulano que caiu da moto”; “Senhora da pressão”; Fabiano da overdose.

Porque não me leva; seja com dor, sem dor, sofrimento – qual a parte que isso aqui nunca me apeteceu, ainda não assimilou? Desde os meus tenros oito anos de idade quando sentia aquelas dores insuportáveis daquela doença autoimune mutilante que eu não queria fazer parte disso daqui.

Eu nunca gostei desse lugar, sempre te falei em pensamento. Isso não é para mim, porque eu tenho que passar por tudo isso? Mas ao mesmo tempo eu não consigo por si só por um fim nisso; tenho todas as ferramentas, mas isso não é meu mister. É seu porra!

Só me leva cara. Me leva, porque eu não vou fazer isso diretamente, doa o que doer, mas você vai me levar, porque eu não aguento mais isso que escreveu para mim.

 

 


quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Um par.



Um ParLos Hermanos
Composição: Rodrigo Amarante
Mesmo quando ele consegue o que ele quis,
Quando tem já não quer
Acha alguma coisa nova na TV
O que não pode ter
E deixa de gostar
Larga mão do que ele já tem
Passa então a amar
Tudo aquilo que não ganhou
Dê motivo pra outra vez acreditar
Na cascata da vez
Que você comprou assim zero mais dez
Um presente pra mim
Mas se eu perguntar
De onde veio esse agrado
Você vai gritar
Diz que é homem feito, sei não
Ah faça-me o favor
Diga ao menos o que foi
E se eu faltei em te explicar
Diz que a gente sempre foi
Um par
Sai domingo diz que é o dia de jogar
Mas que jogo eu não sei
Fica até segunda o dia clarear
E troféu não se vê
Entra sem falar
Sai correndo e volta outra vez
Sem cumprimentar
Nem parece aquele
Eu rezo, ai deus do céu
Ou alguém no chão
Diga-me o que foi
Que eu deixei faltar
O que eu não consigo é entender
Como é que um filho meu é tão diferente assim
De mim
Me faz entender.

(Acho que sou assim, exatamente assim, milimetricamente assim, larga mão do que já tem e passa a desejar tudo aquilo que não ganhou. Isso justifica minha gana, minha vontade e meu descontrolado impulso. Há, se não fossem eles, quem eu seria. A velhice é física apenas, meus atos continuam atemporais.
Abri uma garrafa de cerveja e depositei nela todas as minhas expectativas, respirei fundo, imaginei, desejei, absorvi. Eu quero muito mais, estou lutando e planejando para conseguir mais...entretanto ainda não sei mais o que eu quero...)

domingo, 23 de outubro de 2011

Momentos mornos.


Insônia é algo que não faz mais parte do meu cotidiano. Queria poder tomar um café preto, amargo, degustar de bons momentos de reflexão, à luz da falta de sono, olhos estalados, corpo febril, mas os remédios me impedem...

A vida nos reserva momentos intermediários de sentimentos. Nem de tristeza absoluta, nem felicidade extrema. São intervalos, hiatos que beiram o tédio, e geram inconformismo. São situações perigosas, principalmente para quem é alimentado por uma instabilidade descomunal. Mudar de ares me fez cair num ostracismo que há tempos não era sentido, remetendo a minha acanhada adolescência, onde conflitavam hormônios com a depressão.

A minha imensa parte que vive a me corromper por popularidade, agora, destoa totalmente daquilo que vivo: um sem-fim de expectativas murchas.

Neste exato momento estou me questionando o porquê de correr atrás de um carro em movimento, tal qual um cão que o persegue com afinco, de ofício. Continuo a correr sem parar, cada vez mais, esperando que ele não pare, evitando assim uma tomada de atitude.

Estou numa fase longa, sufocada por poderosos remédios que limitam a minha criatividade e influenciam diretamente as minhas tomadas de decisão. Não é melancólico, mas há tempos meus olhos não brilham por mais de dias seguidos – continuidade, seqüência.

Peguei-me, no meio de um raciocínio, durante a resolução de um problema matemático, me questionando o porquê de resolvê-lo. Achei a solução para a equação, para meu desespero total. Noutros tempos, apenas encontrar a solução seria o ápice, independente do objetivo fim.

Estou estranho, é verdade, preciso parar de me esconder atrás de metáforas e voltar a ser eu mesmo, que tanto trabalho me dá, contudo me rende ótimas experiências de vida e bons textos.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Mal contato.





Toda vez que ligo o meu velho computador, sigo o mesmo ritual: digito uma senha sem nem mesmo saber o porquê de tê-la posto, aguardo pacientemente o cansado hardware iniciar todos os aplicativos, depois vou fechando os desnecessários; abro meu editor de texto e, na seqüência, o player de musicas. Coloco-o para tocar, como sempre, no aleatório, mas noto que o volume está baixo por um problema de contato. Tento corrigir o problema, ouve-se barulhos, estalos das caixas, até que o som se estabiliza.

O ambiente externo pouco me influencia: se dia, noite, frio, calor, companhias ou não. Por razões que desconheço, prefiro as tardes, solidão e o frio para escrever, sempre acompanhado de uma bebida, nem que seja a saliva para não engolir a seco.

Depois de ajustar o cabo de áudio, sento-me novamente, relaxo o corpo deixando-me levar pela musica. Gosto de escrever a esmo quando não tenho algo em mente; também tenho o hábito de visualizar fotos concomitantemente com a escrita. Deste ritual entrelaçavam-se longas conversas pela internet com amigos, horas a fio contemplando uma tela em branco, bebendo, sorrindo e produzindo palavras que me nutriam por muito tempo. Ficava sempre exaurido – raramente terminava de uma única vez e, quando acontecia, depois eu sempre dormia exausto.

De uns tempos para cá, sem tom melancólico, não tenho tido a mesma sensação de prazer e intensidade, como conseqüência disso não tenho produzido mais. Tudo o que eu escrevi neste ano passado, resume-se ao que eu escrevia em dois meses quando em épocas áureas. Algumas coisas me fazem falta, são símbolos, para dizer a verdade, e tenho extrema dificuldade em achar substitutos para estes objetos/pessoas/lugares/sensações/sons/épocas.


quinta-feira, 3 de março de 2011

Enquanto isso...


A rotina me consome de tal forma que meu corpo executa todas as suas tarefas diárias por osmose, sem comando algum, mesmo quando se tratar de uma atividade diferente, contudo já executada anteriormente.

O resultado de todo este mecanismo repetitivo é um cansaço descomunal, uma apatia para atividades simples que acabam se tornando um martírio executá-las. O que me levou a este resultado é, sem dúvida nenhuma, a minha mudança de comportamento, a rotina bucólica, o isolamento, a depressão, a subserviência minha para os que convivem comigo, as incertezas...

Qualquer esforço, por menor que seja vem acompanhado de um sonolento bocejo – meu maxilar se alonga ao máximo parecendo querer rasgar as bochechas. O olhar de desdém para escovar os dentes, sentar-se à mesa, tomar banho, fazer a barba, seguem a sina de quem um dia mantinha disciplina militar para fazer qualquer movimento corriqueiro.

Meus dias são encurtados, tenho excelentes noites de sono, me refugio e busco prazer nos sonhos, tento encontrar respostas ou pistas do meu futuro em todos os estágios do sono. Durmo profundamente com ou sem auxílio de remédios, meu corpo está programado para desligar-se automaticamente diante de um sinal de colapso de monotonia. Dormir, agora, trata-se de uma necessidade psicológica, um escape, meu ópio.

Meu ócio não é mais sinônimo de criatividade – como efeito colateral os remédios me trazem perdas na memória recente, tenho dificuldade em me concentrar, as palavras me fogem ao teclado. Sinto falta dos meus textos para me expressar, regurgitar tudo o que estou sentindo, colocar para fora sem entrelinhas, sem ter que explicar o porquê depois de dito. Meus livros foram todos encaixotados, principalmente os de auto-ajuda; agora auto-ajuda são meus textos que escrevi há anos atrás, que os releio e tenho sensações prazerosas graças as lacunas em branco na memória.

Se pudesse definir meu presente numa palavra eu definiria em incerteza. Nada pior para um meticuloso planejador, um prudente tomador de decisões do que não saber onde morará daqui há um mês, com quem trabalhará nesta época, qual universidade freqüentará, que ares o farão se movimentar novamente. A conjunção se, é a única capaz de tirar o meu épico sono. Se somente se eu continuar assim eu vou enlouquecer. A clausura, as procuras por novas atividades, as terapias alternativas, me deixaram estafados. Não há mais recursos, meu corpo fisicamente está perfeito, precisa de combate, excesso de anticorpos, está purificado e a minha mente precisa de realidade, chega de assistir televisão, imaginar o futuro e me refugiar em bocejos.






domingo, 13 de junho de 2010

Daí nois puxa o "ére" pra falar também.



É engraçado como os apresentadores (as) de programas regionais de sucursais de grandes emissoras fazem questão de explicitar o seu sotaque. Esta é uma característica peculiar nossa, que nascemos no interior dos estados. Dizem que meu sotaque mudou muito, eu tenho cá minhas dúvidas; leite quente eu não falo (ainda).

Referente aos apresentadores, hoje estava vendo um programa destes de culinária local; divulgação de colunas sociais e uma infinidade de propagandas lindeiras, apareceu um ex-professor meu de contabilidade (que não tem sotaque e acha que Santa Catarina é o melhor Estado do mundo), uma figura espetacular (como professor), e muito divertida como pessoa - divulgando uma grande festa popular regional em comemoração ao aniversário da cidade de Foz do Iguaçu - a Fartal.
[...] 31/05/2010

Estava escrevendo uma postagem para divulgar a importância de eventos como este, mas depois de “prestigiar” vou direto às críticas. A principal foi referente foi referente ao preço dos produtos e serviços oferecidos. Fica até vergonhoso de chamar este evento de festa popular; sem contar que serviu de “palanque” para meu ex-professor de contabilidade nas suas aspirações políticas, por se o organizador da feira. Agricultura de subsistência, micro-empresa familiar, sustentabilidade, repartir o bolo econômico, renda em prol de entidades...Como diria próprio professor de contabilidade sobre missão das empresas:

- Tudo conversa fiada, o que todos nós queremos é dinheiro, lucro a todo custo.

E foi o que se viu; se os expositores pretendem vender seus produtos pelos valores superfaturados da feira, é melhor que sucumbam aos produtos chineses e as grandes redes.

Na verdade é um paradoxo: organizar um evento deste vulto demanda muito empenho e desta forma espera-se retorno proporcional. Ocorre que, o evento foi patrocinado por verbas públicas e todos os expositores desembolsaram somas generosas para participar, então não entendi o porquê da “elitização” de uma festa para o município.

Em suma: comi e me diverti o suficiente, mas confesso que muitas pessoas não tiveram a mesma oportunidade. No final do passeio, para relembrar meus tempos de infância - na qual andávamos em todos os brinquedos dos parques (devido ao custo ser acessível a qualquer um) comprei uns bilhetes, mas fiquei constrangido em me divertir ao ver uma menina acompanhada apenas pela sua mãe, a observar os outros brincarem. Minha família não esperaria outra atitude minha e na verdade queria ter feito mais - infelizmente quando verifiquei na carteira para ver o que havia me sobrado, só tinha o suficiente para pagar o estacionamento.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Procura-se.




É hora de voltar a ser frio; não apenas motivado pela brusca variação de temperatura – que nos acompanhará pelos próximos sete longos meses – mas por uma convicção de que um dos princípios inexoráveis da vida é a lei da inércia:

- “Na ausência de forças, um corpo em repouso continua em repouso, e um corpo em movimento, continua em movimento retilíneo uniforme”.

E é assim que devemos nos ver: ou parados, ou em movimento. Definitivamente o ano ainda não começou para mim, ou se sim, não da forma que eu esperava. Nenhuma força agia sobre mim, logo eu permanecia em repouso. Acomodado pelas circunstâncias, motivos que me fogem ao controle, talvez detalhes pequenos ou complexos, como planejamento, fato é que estou estático.

Voltando a afirmação anterior, nenhuma força externa agiu sobre mim e nenhuma força agirá, porque motivação é intrínseco, vem de si próprio, ninguém nem nada pode me motivar. Lembro-me que discutia com a professora de Psicologia Organizacional quando ela questionava se uma organização é capaz de motivar alguém - dizia eu:

- “É claro que sim, é obvio professora. Bons planos de carreira e cargos, remuneração, benefícios...”

Sem saber, eu pensava como um comportamentalista: onde a motivação é explicada através de incentivos e recompensas, em cujo certo comportamento me levaria a tais atrativos. Mas com o tempo, estas recompensas não me satisfazem mais ou se chego ao objetivo, não me sinto mais atraído para me comportar daquela forma. E agora?

Então, fui apresentado aos pesquisadores humanistas: nas quais os fundamentos da motivação estão na necessidade de auto-realização. O conceito de auto-realização é tão complexo e íntimo, portanto, diverge, invariavelmente de pessoa para pessoa. Eu era bombardeado por questões simples por experientes professores, tais como:

- “Por que você está aqui hoje? Por que escolheu este curso? Aonde quer chegar? O que é o topo para você? Você é feliz?

Todas estas perguntas simples que nunca tinha me feito antes, pesavam a tal ponto que eu me curvava diante da minha vida. Foi então que eu definitivamente entendi o conceito de motivação; são perguntas que somente EU poderia responder e mais ninguém. Eu poderia sofrer influências exteriores sim, e estas poderiam me modificar ou não, dependendo de como eu as interpretasse.

E assim finalizei o meu conceito sobre motivação – enquadrando-me completamente no conceito dos cognitivistas: Onde os fatores internos determinam o nosso comportamento e que reagimos de diferentes formas para o mesmo evento, ou seja, reagimos conforme a nossa interpretação do evento e não em relação ao evento em si.

Assim comecei a aplicar a teoria na prática, no meu trabalho, minha maior fonte estimuladora de comportamentos. Percebi, de forma simples que, o que estava bom para mim, não estava bom para meus colegas, e vice-versa – mesmo sendo, teoricamente benefícios, considerados satisfatórios para todos, uns se sentiam entusiasmados e outros não. Logo devo admitir na teoria e na prática que a minha professora tinha razão:

- “Ninguém nem nada é capaz de motivar você”.

Logo, então, concluo que coloquei em prática ainda os ensinamentos do ano passado. O que me falta é motivação. Um motivo para agir, uma força interior para me movimentar; auto-determinação que com o passar do tempo se perdeu e não voltará se eu não descobrir o porquê. Estou inerte, pois ainda não sei o que me motiva; se é que isso existe.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Quem vai pagar o pato eu não sei.




Setenta e duas horas recluso dentro de um quarto, completo hoje. Tudo começou quanto toquei a câmera digital e ela se quebrou; logo após fui regular os graves das minhas caixas acústicas e elas se perderam; então me dirigi ao restaurante mais próximo e barato, meu carro apresentou problemas; não obstante, fui atender o telefone celular e o mesmo recusou-se a me dar qualquer informação. Minhas relações comigo andam desgastadas e não é de hoje.

Tenho ouvido palavras-chave das pessoas próximas que martelam, martelam até que me convenço que realmente estou errado. E eu estou. Vivo num mundo teoricamente de aparência, onde tenho que manter uma suposta estabilidade para ser aceitável no meu convívio social.

E eu não sou estável, tão-quanto normal ou sociável - e cada vez mais tenho chegado a conclusão de que não preciso disso para viver. Eu posso ser isso mesmo quando saio do quarto; um completo irresponsável, que faz o que dá vontade e não mede as conseqüências; que muda de opinião a cada instante e não tem vergonha de assumir; que leva o corpo ao extremo e depois se penitencia comendo legumes cozidos. Atropela o sentimento dos outros e logo depois pede desculpas e ri; pouco se importa com o resultado porque não sente solidão nem medo de ficar sozinho, pois já o é.

Eu posso viver setecentas horas trancafiado no meu quarto que não me sentirei mal. Os meus cabelos brancos me permitem isso - somado ao meu poder de persuasão, alguns caraminguás na conta bancária e um suprimento de leitura, comida e remédios para dormir. O mais lamentável é que quando eu sair do quarto ninguém terá notado a minha ausência.

Sinceramente eu desisto de me policiar, manter a pose de bom menino, desisto daquilo que nunca fui, literalmente.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Ho ho ho.




Natal me remete a muito saudosismo e, por este motivo, quando voltar a Foz do Iguaçu, acredito que terei muito que escrever. Natal para quem não sabe, é aquela data Cristã, (que os judeus e os chineses aproveitam o feriado para ganhar dinheiro) na qual as pessoas se reúnem em volta de um objetivo comum: não, não é o nascimento de Jesus, mas sim o Peru!

O grande símbolo do Natal, sem dúvida nenhuma, é o consumismo. Nunca vi data mais apelativa, hipócrita e significante para as pessoas. Ao longo do ano, servimo-nos de ganância, intolerância, egoísmo - mas ao chegar o Natal, nos reunimos, juntamente com as pessoas que, na maioria das vezes, mal nos importamos o ano todo, e de uma maneira “mágica” (como na propaganda da Coca-Cola); tudo se resolve, consumindo, consumindo e consumindo.

Independente destes conceitos e da dor de cotovelo que estou sentindo das pessoas que realmente assemelham a essência do Natal; pensei numa inversão total: durante todo o ano, praticamos o espírito de Natal; nem precisa nos encher de presentes e se entupir de Peru; apenas a essência do Natal - e no dia vinte e cinco; chutamos o balde, a bunda gorda do Papai Noel, a mesa, o peru, os convidados e o caralho a quatro!

Soa mais coerente, porém acredito ser impraticável para muitos – talvez me inclua também, mas para os entusiastas do Natal em si – o que me excluo desde já – para estes sim, impraticáveis desde sempre.

Antes da ceia, vamos todos nós – ao redor do mundo – rezar pelas pessoas que tem fome, não tem trabalho, não tem teto; depois, sem o mínimo constrangimento, enfiar um pedaço suculento de carne na boca, tomar bastante vinho e depois dormir nas nossas camas secas, não atingidas pelos desastres naturais.

Viva esta magia do Natal, o verdadeiro espírito de felicidade que nos contagia e faz-nos sentir menos culpados pelos problemas do mundo, afinal de contas, é Natal!

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Sim sinhô coroné!




Não me causou estranheza a autoproclamação de Roberto Requião ao pleito de uma candidatura própria do PMDB à presidência da república. Mas o que me assusta mesmo é o seu discurso teoricamente pró-nacionalismo. Requião, esquece-se que, no seu discurso - no qual diz que apresentaria uma proposta desvinculada de interesses financeiros – foge totalmente à realidade dos avanços sociais, conseguidos hoje, claro, com o empenho do governo; entretanto às custas de recordes de arrecadação de impostos justamente sobre as mercadorias e serviços geradas pelos interesses financeiros.

Na verdade “liberalismo” seja qual for o contexto no qual se encaixe, não faz parte do vocabulário de sua excelência, Roberto Requião, donatário da capitania hereditária do Paraná.

É famoso por centralizar todas as suas decisões, utilizar-se de todas as ferramentas governamentais para cercear os direitos de quem o contrapõe: censurando literalmente a imprensa paranaense, demitindo líderes sindicais, pressionando o poder judiciário e claro, usando órgãos de imprensa pública para atacar seus adversários. Dentre outros “traços de personalidade”, nosso governador é famoso simplesmente por não cumprir ordens judiciais. Além de ter inúmeros processos que só não tem prosseguimento graças à sua imunidade governamental, que impedem que os seus desmandos sejam julgados pela justiça comum.

Requião se declarou “lulista de carteirinha” em entrevista à Carta Capital, mas na verdade, suas características o credenciam a um “chavista de carteirinha”. O Estado do Paraná não tem um governador, uma figura representativa do povo, o Paraná tem um dono. Questionem-no e verão o quão grande é sua fúria, ira e falta de argumentos para um debate corriqueiro num estado democrático de direito.

Lamentavelmente estamos acostumados com tudo isso; há quem diga que os coronéis estão em extinção ou centralizados em regiões pouco desenvolvidas, mas a realidade é outra - estamos todos sob o crivo de seus aguçados chicotes.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

A arte da guerra.




A guerra começou. Infelizmente, foi necessário uma tragédia para que tomássemos consciência de que realmente não estamos nos sentindo protegidos. A realidade é esta: estamos completamente desprovidos de qualquer respaldo e, se não bastasse, somos visto como os grandes culpados da falência, descaso e precariedade das condições de segurança que nos são oferecidas; ou seja, para sua excelência, o governador, o fato gerador dos assassínios de agentes penitenciários somos nós mesmos, que estamos nos lugares errados nas horas erradas.

É incrível como realmente não somos enxergados como deveria – as declarações do secretário de Justiça, e, principalmente do governador do Estado, mostra que, realmente os agentes penitenciários não fazem parte de processo algum, que não os de meros coadjuvantes do complexo processo de execução penal.

A panela de pressão explodiu; desta vez, movidos por um momento de tristeza e necessidade imediata do atendimento das nossas reivindicações básicas. Era o que nos faltava – uma prova real e concreta da nossa situação fora dos presídios. Alvos fáceis, à mercê da busca insaciável de vingança por parte dos ex-detentos. Somos extremamente expostos e é inegável este fato; mais inegável ainda é a nossa necessidade de portar arma de fogo.

Caberia explicar para o senhor secretário de Justiça - desembargador aposentado – que, de todas as partes envolvidas, desde a investigação do crime, identificação dos autores, prisão, julgamento, sentenciamento e posterior cumprimento da pena, somos nós – agentes penitenciários que passamos o maior tempo em contato DIRETO com os presos. Cumprimos a pena juntamente com o preso - metaforicamente falando; mas estes argumentos são irrelevante, tamanha a prepotência, desconhecimento de causa e intransigência do chefe da nossa secretaria.

Esta foi a estratégia escolhida pela alta administração: a desqualificação covarde e hostil da nossa categoria perante a opinião pública, expondo situações hipotéticas sobre o caso dos colegas de Londrina, ofendendo a memória do nosso idôneo colega falecido, imputando fatores extraordinários para o assassinato. Sem contar o cansativo uso de frases feitas sobre nosso suposto melhor salário da categoria em todo Brasil e os processos disciplinares em andamento.

Era o que esperávamos, uma enxurrada de acusações infundadas, argumentos surreais, defasados e a negativa de solução para nossas reivindicações.

Talvez, a família do nosso colega, esperava uma manifestação de apreço e condolências do Secretário de Justiça, que devido a sua “extrema sensibilidade”, limitou-se a dizer que “não conseguiremos nada com as manifestações...”.

Nosso poder de mobilização será posto à prova. Mobilização, organização e principalmente nervos. É sabido que será um duelo desigual, todos nós estamos cientes do poder coercitivo que detém o Governador. Com sua postura imponente, é conhecido por ser um péssimo negociador - haja visto que não há negociação - ele impõe, decreta e faz cumprir. Requião é temido pela maneira peculiar que lida com quem o afronta: usa de toda sua fúria e poder até esmagar os opressores. Sua estratégia é sufocar manifestações na fonte, utilizando seus nomeados diretos, pressionando-os a fazer pressão psicológica, terrorismo, ameaça de exoneração e todo tipo de assédio moral.

Beira o absurdo nossa situação: Três colegas são alvo de um atentado, uma emboscada planejada; um é morto, outro ferido gravemente, o terceiro reage baleando o criminoso, que ainda consegue fugir. Ao serem socorridos pelo atendimento, uma viatura da Polícia Militar se desloca ao local e dá voz de prisão para o agente penitenciário que atirou no bandido, o leva até a delegacia onde é lavrada a ocorrência por porte ilegal de arma de fogo. Vale lembrar que caso o colega não estivesse armado, o bandido não recuaria e executaria friamente os três.

Mas este fato em si, pouco importa para as autoridades que ainda não vêem necessidade de legalizar o porte de arma de fogo para nossa categoria.

Vale lembrar que não queremos apenas o direito de portar arma de fogo; queremos treinamento adequado, melhores condições de trabalho, equipamentos de proteção, abertura de novo concurso para contratação de maior efetivo, descongelamento do nosso adicional de atividade penitenciária, estruturação do plano de carreira e principalmente respeito. Respeito como profissionais, funcionários concursados que passaram por várias etapas até a efetivação no cargo, respeito como pais de família fora dos presídios, respeito como cidadãos perante a sociedade.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

IRPF - 2009




Situação das Declarações IRPF 2009
Prezado Contribuinte (CPF 219.XXX.XXX-XX)

FABIANO PEREIRA DE L.

Sua declaração apresenta pendências.
Maiores informações consulte o Extrato do processamento.

Em Brasília - DF
28/09/2009
23:13



Sua declaração apresenta “p-e-n-d-ê-n-c-i-a-s”.

Seria uma forma polida e não condenatória de dizer: Você caiu na malha fina!? Por enquanto não há motivo para pânico, pois não recebi nenhuma notificação formal de multa, intimação para apresentar documentos ou algo parecido, é somente uma informação informal na qual eu posso fazer a devida correção das "pendências" pela internet.

De um modo geral, a população, principalmente a classe média – a maior financiadora dos cofres públicos – pouco sabe sobre o funcionamento da cobrança Imposto de Renda: suas alíquotas, seus abatimentos, formas de restituição e o seu destino. Confesso que, infelizmente, por falta de interesse, entendimento matemático, tributário e político, hoje, não dispenso a devida atenção à minha pequena, porém sentida parcela de contribuição aos abastados cofres da Receita Federal.

Desde que comecei a “contribuir”, imediatamente, procurei saber mais sobre o funcionamento: esmiucei os manuais, pesquisei assíduamente a internet, fiz cálculos, analisei possibilidades e, por fim, vi-me obrigado a pagar os impostos.

Devido à minha contribuição ser efetivada diretamente da minha fonte pagadora, não há como não pagar. No contra-cheque vem sempre especificado a alíquota percentual e o devido valor convertido em reais. Aproximadamente quinze por cento do que eu ganho todo mês, (excetuado rendimentos não-tributáveis) não me pertence - é desviado diretamente à Receita Federal, pela minha fonte pagadora.

Foram três anos contribuindo tacitamente, sem questionar e sem reaver uma parcela da contribuição através dos abatimentos legais – despesas com saúde, instrução, dependentes etc. A equação não é simples, pois há um teto máximo de valores para cada tipo de despesas e dificilmente seus gastos superarão o necessário para conseguir de volta o percentual total de contribuição.

São aproximadamente vinte e cinco milhões de declarações anuais; cada qual com um número na casa dos milhares contendo as mais diversas informações, que ficam armazenadas na base de dados da Receita. Apesar dos avanços na área de tecnologia de informação, parece impossível um controle total destes dados, a sua verificação minuciosa; parece, mas não é, pois eles utilizam de cruzamento de dados, colocam as informações em conflito uma com as outras para achar irregularidades. Um exemplo simples é o recebimento dos meus vencimentos: A minha fonte pagadora, “declara” que me pagou um valor; eu, sou obrigado a “declarar” que recebi tal valor, pois já fora declarado anteriormente o pagamento; logo se quando do recebimento das duas declarações, as informações são cruzadas e, caso apresentem divergências, ambos são chamados para prestar esclarecimentos diante da Receita. Se eu pago, você recebe; se pago X, você deve receber X e deste X, o “Leão” morde um percentual, de acordo com a sua faixa de renda. Caso eu lhe pague X e você “declare” que não recebeu X, omite de forma intencional – acaba por sonegar rendimento para não recolher impostos, incutindo, assim, em crime.

Justamente por ter uma única fonte pagadora e a contribuição ser efetuada diretamente desta, a possibilidade de sonegação torna-se improvável por minha parte, a não ser que haja outros tipos de rendas, e eu as “omita”.

Seja qual for o motivo para qual fui "tentado" a prestar esclarecimentos, este não será por sonegação de impostos, pois, definitivamente não cometi nenhum crime - apesar de achar exagerada a minha alíquota para minha faixa de renda, minha parcela está quite, sempre - todos os meses, no primeiro dia útil de cada mês. Eu pago todos os meus impostos, arco com as minhas obrigações, apesar de doer no bolso, não faço estardalhaço ou procuro artifícios para não pagar.

Entretanto minha contadora deve ter digitado acidentalmente um dígito a mais no preenchimento das despesas referentes às notas fiscais dos meus prestadores de serviços, (despesas dedutíveis legalmente) isso vai ter o preço de uma viagem de férias, uma úlcera gástrica, dor-de-cabeça e muitas noites sem dormir.

Tudo se resolverá da melhor forma possível, acredito – para o "Leão", obviamente.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Rasgando os dentes.




Um tempo de fúria. Há tempos não me via assim tão irredutível e conflituoso. Só precisava de um olhar – qualquer motivo que fosse: uma brincadeira inoportuna de um colega durante o trabalho; a falta de mais um professor na faculdade; uma provocação de algum preso; um pedido negado pela chefia, uma afirmação ou declaração sem fundamento ou qualquer discussão na qual eu fosse a parte interessada.

Eis que meus desejos se realizaram, - senti todo aquela casca pacificadora que recobria minha personalidade apaziguadora dos últimos anos se esvaecer. Estava novo e pronto para o conflito. Queria o conflito, a solução pela contra-argumentação agressiva e, se necessário, apelativa. - Quem vocês pensam que são? - foi a frase mais proferida.

Olhar de desdém nunca mais, nada mais passa pelo meu crivo crítico; doa a quem “foder”; que não eu. Aceito-as também, aliás, faz-se necessário para uma boa discussão. O que temos a perder ambas as partes? Vai ouvir o que eu penso sim e pouco me importa se vai gostar.

Senti meu sangue ferver desde o momento em que levantei cedo; tal qual um mecanismo de ataque, logo partindo para o fronte. Péssimas notícias, fizeram novamente eu mudar meu conceito de humanismo. Descobri que não somos tão blindados como pensávamos e que uma saraivada de tiros no carro dos seus amigos, nos faz refletir sobre nosso real papel como agentes de segurança pública. Ainda tinha uma leve esperança, bem pouca mas tinha. Agora ela foi enterrada, juntamente com outro "empecilho”.

Ira, revolta e imprevisibilidade; não pelo fato isolado citado anteriormente, mas por mudança de comportamento mesmo. A raiva é muito mais confortante do que a melancolia; recolha-se no seu quarto, fique a lamentar ou conformar-se com a situação, enquanto poderia agir, mesmo que por impulso, movido pela sede, pela fúria, mas racionalmente.

Eu senti raiva das pessoas hoje, de todas, sem exceção e fiz questão de deixar isso tudo bem claro. Expus minha insatisfação com tudo; fatos, atos e omissões. Corri um sério risco de perder um dente, responder um processo disciplinar administrativo ou perder amigos – indiferente. Estava dependente emocionalmente de muita gente; pessoa que me agregavam mais prejuízos do que benefícios.

Ainda há muito por vir, principalmente as represálias. - Quem eu penso que sou!? Nada aconteceu, acredito eu, nada. Só preciso descontar minha raiva em alguma coisa, de preferência que se mova e possa se defender, e, aparentemente ofereça resistência. A forma dependerá do oponente: tenho língua afiada, sou frio, calculista, irredutível, passional, raivoso e muito bom com as palavras falando ou gritando.

Como disse um velho amigo que sofrera hoje nos ouvidos hoje esta mudança de paradigma:

- Pessoas como nós nunca mudam. (T.R.A.).

- Errado meu caro, pessoas limitadas como você nunca mudam e é por isso que está onde está e, apesar de ser meu amigo, não sinto a mínima pena de você, pois eu lhe avisei.

Certa vez conversando descontraidamente com um velho amigo hipócrita árabe, ele disse com seu sotaque característico:

- Cara, eu gosto daqui, muitas mulheres, bebidas, você podem fazer o que vocês querem, mas sinto falta de uma coisa...- deixou uma interrogação no ar.

Perguntei, rindo, então, o que faltava...

- Sinto falta de uma guerra! (Y.N.R.).

Disse com um brilho peculiar nos olhos. Discordei de imediato, tentei argumentar, mas parecia decidido. - Pois bem, fique com suas pseudo-guerras, seu país destruído e bebendo às escondidas. Ele sorriu, deu-me um tapinha nas costas e fomos para uma festa. Talvez ele tenha razão, a auto-determinação vem de um ideal seja ela qual for, desde que seja bem alimentado e direcionado, pode tirar proveito, mesmo que seja expodindo inocentes na rua.

Estou me sentindo auto-suficiente; o que para mim, hoje, é excelente, mesmo agindo desta forma pouco ortodoxa, porém cotidiana e tão peculiar do ser humano: a raiva como mola propulsora para a resolução de problemas.

Tenho muitos livros para me distrair, vida universitária para me ocupar, internet ilimitada, carteira de habilitação vencida, pouquíssima paciência (agora) e uma vontade iminente de mandar o mundo todo para...

Cuidem-se!

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Saia justa que nada.




De repente apenas paro e observo, - desconfio - como que por instinto animal mesmo. Olho para os para os lados, vejo inúmeras pessoas; todas me conhecem, sabem meu nome, freqüentam minha vida, sabem quem eu sou; uns trabalham comigo; já outras freqüentaram minha cama; alguns me ligam chorando de madrugada porque brigaram com a namorada; outros apenas querem sair para beber; ir para a faculdade estudar; oferecer-me conforto nas horas difíceis; conversar sobre filosofia; pedir dinheiro emprestado e um sem- fim de combinações de situações - as mais variadas possíveis.

Pego o celular, deslizo a seta para baixo e observo pacientemente cada nome, sobrenome e associo da onde e há quanto tempo os conheço. Entro na internet, janelas se abrem – raramente eu as aciono – novamente paro, penso e analiso: será que realmente sei quem são vocês?

Sinto uma dúvida, uma leve desconfiança em confidenciar algo, dizer aquilo que sinto que, com certeza, será confidenciado à outra pessoa com a premissa de “mas não diga nada para ele, só falei porque você é meu amigo”.

Nada morre aqui, certo? Nada. Sempre nos sobra depois que já dos acontecimentos um “Há eu já sabia também, mas não quis falar pois a (o) é meu amigo”... E as outras partes?

Não me sinto frustrado pelos desvios de personalidade, fidelidade ou fraqueza das pessoas pessoas (até porque já fiz parte desta categoria), porque afinal de contas, eu já sabia; todos sabemos - segredo bem guardado é aquele que confidenciamos com o espelho.

Todos nós sabemos que não existe o melhor amigo e sim uma rede de amigos, tal qual: eu sou seu melhor amigo, mas você tem uma melhor amiga e esta não é a minha amiga. Pegou? Pois bem, Ela sabe, mas eu não sei que ela sabe, logo para ela pouco importa se outros saberão. É como telefone sem fio, mas no final a ligação SEMPRE retorna para o emissor que diante da situação constrangedora passa a se sentir traído.

- Alô, oi aqui é o retorno da ligação privada que fez há um bom tempo para UMA pessoa apenas, achando que ela guardaria seu segredo, passei por vários números desconhecidos e agora voltei para te dizer que todo mundo já sabe, um abraço!

Eu fico feliz por ter amigos e eles por confiarem em mim...
Comigo não morre aqui, eu mato aqui!

domingo, 16 de agosto de 2009

terapia/amigos@hotmail.com




Fá
me fala
meu psiquiatra me fez uma pergunta
e eu vou fazer pra vc ...
e quero que seja simplista , e mais sincero possível ....
O que e do que sente falta?
o que parece que vc procura e não encontra?
o que te falta Fa?



eu nao sei Lia.
se soubesse seria o cara mais feliz do mundo!



então Fa
deveria sondar o que sente sabe
essa semana
eu comecei a pensar na sua vida
nunca comentei nada com vc
por vc rir disso talvez
mas vou falar
Sempre gostei da sua vida
da suas histórias
sabe,,...
quando penso em uma vida que gostaria de experimentar
sempre penso na sua
morar só , independente...seguro d certa forma
te acho muito inteligentes sagaz ...
esperto
astuto
raposa
e ao mesmo tempo
vejo tanta coisa igual a mim em vc
gosto da sua disciplina ....
gosto da forma como impõe metas e devora assuntos de seu interesse
a forma como escreve e vive relacionamentos
e sinto também as mesmas frustrações sua
ao mesmo tempo
que compreendo não entendo
e talvez ainda pensando e viver algo como a sua vida
eu penso que sentiria sim
a mesma depressão
mas juro que não sobreviveria
a metade do que vc sobreviveu
gosto muitoooooooooo de vc Fa
e nem sei como aconteceu tudo isso
foi o unico que ficou e consegui deixar ficar
passei do patológico ao fraterno
e até materno ....
Mas tenho vc como referencia do que quero me tornar ou melhorar
não o vejo como algo a recusar como modelo mas sim como eu gostaria de vir a ser
ter a metade de suas potencialidades
toda vez que olho minha filhota
eu penso que ela poderia ser e ter
como um Fabiano na vida
a mesma vontade garra amor e descaso com o mundo
pense assim
se veja assim
eu o vejo assim
acredito que és
é assim



[…] Preciso de um espelho e de um psiquiatra; urgente...












terça-feira, 4 de agosto de 2009

Pow!



Tive uma satisfatória noite de sono, depois de muitas outras em claro ou tendo que interrompe-las para trabalhar. Sonhei que o supervisor da outra equipe (que não a minha) lavava toda a minha louça suja sem pestanejar e, não obstante; ariou todas as minhas panelas, deixando-as brilhando.

Foi uma sensação que, por incrível que pareça, não me levou à desforra, até porque, além de extremamente carismático e competente, é um grande amigo meu; contudo fez-me - ainda com o rosto por lavar - refletir sobre capacidade e iniciativa.

Pensei em ficar na cama mais uns instantes, aproveitar os últimos dias de frio intenso que, sem sombra de dúvidas, sentirei falta, mas não - joguei-me da cama; senti um choque térmico e, em seguida, um arrependimento posterior; contudo não hesitei.

Meu corpo ainda sente as marcas dos exageros do final-de-semana; a consciência não. Logo, esta fez questão de arregaçar as mangas do moletom e jogar litros e litros de água fria e sabonete líquido no meu rosto. Doía e ardia ao mesmo tempo. Evitei olhar ou interferir, pois era necessário esta interação sem mediadores, deixei que se resolvessem. Se não bastasse o desgaste, o corpo ainda ganhou dois tapas de leve no rosto, como forma de aviso: cuide-se!

Foi uma semana produtiva; abandonei antigas companhias (muitas) , mantive as fiéis (poucas), retomei as esquecidas (muitas) e fiz novas (muitas). E assim será, até eu sentir um mutualismo, uma compensação justa para todos, reciprocidade, enfim...Amizade.

Acredito que desvencilhei-me do sentimento de culpa em relação às pessoas: o "não" hoje, soa com mais clareza, frieza e certeza, não deixando margem para um "talvez". Poupa tempo: o meu principalmente.

Sequei cuidadosamente o rosto, fitei-me rapidamente ao espelho, corri para a cozinha, olhei para a minha louça: esta estava devidamente limpa e organizada.

A minha – limpa e organizada.

Capacidade e iniciativa. Foi uma semana produtiva; enfim tenho tempo só para mim e para minha vida, para fazer o que eu bem necessitar.

Lavem suas próprias louças e me deixem em paz.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

férias, vacation, urlaub, vacaciones, vacances, vacanza. vakantie.



  • Segundo a Lei Áurea; Carta Magna - popularmente “desconhecida” como Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988, as férias são:


CAPÍTULO II
DOS DIREITOS SOCIAIS

...Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social:

...XVII - gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o salário normal;


  • Seguindo o Ordenamento Jurídico, os parlamentares Estaduais fazendo seu papel e para não perder o costume, inserindo alguns artigos descabidos que fiz questão de deletá-los: Férias...


LEI Nº 6.174
Data 16 de novembro de 1970
SÚMULA: Estabelece o regime jurídico dos funcionários civis do Poder Executivo do Estado do Paraná.

CAPÍTULO V
DAS FÉRIAS

...Art. 149 O funcionário gozará de trinta dias consecutivos de férias por ano, de acordo com a escala para este fim organizada, pelo chefe da unidade administrativa a que estiver subordinado e comunicada ao órgão competente...
- Vide art. 39, § 2º, CF e art. 34, X, CE.

...Art. 151 Durante as férias, o funcionário terá direito a todas as vantagens, como se estivesse em exercício...

...Art. 153 O funcionário promovido, removido ou transferido, quando em gozo de férias não será obrigado a interrompê-las...


  • Para que não sobressaiam as dúvidas gramaticais, de interpretação e congêneres: as definições do dicionário: "para todas as coisas..." (Como bem definiu Fernando Reis, na sua composição “Diariamente”) .


fé.rias:

s. f. 1. Dia de semana. 2. Soma dos salários de uma semana. 3. Salário de operário. 4. O que diariamente se apura das vendas de uma casa comercial. S. f. pl. Dir. trab. Tempo de repouso a que fazem jus funcionários, empregados, escolares etc.


  • Para os preguiçosos e/ou praticos, a Wikkipedia: Férias...


Férias Laborais
Brasil

No Brasil, a legislação trabalhista estabelece um mínimo de 20 ou 30 dias consecutivos por ano de férias, sendo que aqueles que têm apenas 20 dias podem requerer compensação pelos outros 10 dias em forma de aumento no salário. Um trabalhador deve gozar as férias necessariamente entre 12 e 24 meses decorridos desde data da sua contratação, ou desde as últimas férias.

O objetivo das férias é proporcionar um período de descanso. Sendo assim, o trabalhador não pode se privar das férias nem por vontade própria e deverá consumir no mínimo 1/3 do período.

No Brasil, o direito às férias foi conquistado, junto com outros direitos dos trabalhadores, após as greves operárias do início do século XX na luta por melhores condições de trabalho, melhores salários e garantias trabalhistas.


  • Férias 2009, por eu mesmo:


Devido a mudança de escala no trabalho não tive a oportunidade de escolher o mês de férias para me beneficiar; (lembram-se do artigo que apaguei, falava justamente sobre isso: tenho o direito e obrigação de tirá-las, mas a oportunidade é de acordo com a Administração e para não tumultuar planilhas e obrigar a ter um sorteio e ser esfaqueado pelos meus colegas de plantão resolvi assinar o termo).

A faculdade, provas, seminários e as viagens que já fiz este ano - somado ao fato de que o “benefício” inciso XVII, do art. 7º sequer cobriu meu limite na conta corrente – tiveram grande peso, por decidir-me a ficar por aqui; mas deleitando-me com alguns clássicos que quero ler; ver todos os episódios do meu seriado favorito, tomando chá de limão natural com hortelã, nada de saquinhos; fazer visitas esporádicas aos meus amigos casados, para não perder a noção de “família”; dedicar mais tempo durante o dia para meus amigos boêmios, fazendo questão de acordá-los antes do meio-dia; visitar diariamente o supermercado para pegar sempre as hortaliças frescas e quem sabe uma viagem curta? Aproximadamente trezentos quilomentros, um final de semana apenas - nada que afete o psicológico da gerente do meu banco - afinal de contas é um lugar legal, com mais de 500 anos de cultura, história, ruínas...

O Banco do Brasil se gaba por apoiar e divulgar a cultura nacional, lugares históricos, diversidades e bla,bla,bla; Pode ser um bom argumento para pedir um aumento de limite de crédito! (Ela só não precisa saber que a viagem é para o interior de outro País)!




Estava procurando o que havia escrito ano passado sobre as férias e achei este post no meu antigo e saudoso blog; Há, quanta saudades dele, pena que tinha poucos recursos e pouca divulgação.


quarta-feira, 3 de junho de 2009

E se eles querem meu sangue...


Independente dos meios, o que realmente importa, na atual conjuntura, é que o resultado final seja atingido, e que beneficie a todos - indiscriminadamente. Pois bem, guarde este início, pois será muito útil antes de me queimarem na fogueira dos egoístas, antiéticos e desalmados.

Certa vez, por necessidade precisei doar sangue, isto faz um bom tempo, há dois anos atrás, quando ainda era da área da saúde/biológicas, usava branco, cabelos raspados, jogava futebol de salão e tinha até uma namorada fixa. Até então, nunca senti necessidade de doar sangue; até porque, nunca precisei de uma bolsa de sangue alheio, então para que me submeter à isso?

Lembro-me de casos famosos, se não me falhe a memória - daquele cantor sertanejo da dupla Leandro e Leonardo - que morreu de câncer. Em vida acredito que, por mais altruísmo que possuíra - jamais pensou em doar parte do seu patrimônio para um Hospital de tratamento para doentes de câncer ou sequer uma parcela ínfima daquilo que arrecadava com seus shows, seria destinada a pequenos e inocentes leucêmicos.

O “Super Homem”; Christopher Reeve - que caiu literalmente do cavalo e ficou tetraplégico- sequer imaginaria que um seria apoiador e financiador de campanhas para estudos sobre células embrionárias enquanto usava sua capa e era à prova de balas.

A mãe do Cazuza e a sua campanha de prevenção a AIDS, o ator Paulo José divulgando os perigos do Mal de Parkinson e inúmeros outros casos; não só de pessoas famosas, mas das que tomam ônibus para trabalhar, estão na fila do banco, esportistas e enfim; nós mesmos.

Fato é que realmente despertamos nosso espírito de “amor ao próximo” quando realmente somos afetados diretamente ou indiretamente sobre algum fato que venha a nos interessar. Não considero um defeito; na verdade é humano, bem humano, pois nos “acionamos” melhor quando somos estimulados e nada melhor/pior do que um estímulo ruim, sentirmos na pele a necessidade e descruzar os braços.

Eu me incluo nesta categoria e você também; - sim, você e eu! - Não adianta olhar para o lado, porque é com você mesmo que estou falando.

Diga-me quantas horas do seu ano; - eu disse “ano” - você dedica a serviços voluntários? Acredito que tenha ficado encabulado (a) tanto quanto eu em não poder encher a boca e responder: mais do que você imagina.

Pudera, afinal de contas temos tantas tarefas; trabalho, família, estudos, casa e até o cachorro; não nos sobra tempo para olharmos as necessidades dos que desconhecemos. Sabe, vendo por outro ângulo podemos justificar nossa comodidade com desculpas: - A culpa é do Governo, pago meus impostos em dia, ele que se vire! Ou algo mais “aceitável”, tal como: - De que adianta eu fazer a minha parte se você não faz a sua; senão que tal: - O que eu fizer não mudará coisa alguma.

De todas as correntes, eu como ser humano me enquadrei em várias – invariavelmente, de acordo com a necessidade (minha). Isso já diz tudo e me envergonho em admitir, mas é a verdade.

Altruísmo é um dom; é dedicação, é paciência, é reciprocidade. Ajudar as pessoas que mal sabem que você existe, logicamente parece a maior perca de tempo, ainda mais quando não irá receber nada em troca, mas há algo de mais sublime nisso, mais do que o "receber"; há uma satisfação interior que nós pecadores ainda não tivemos tempo de senti-la. Minha avó sempre nos ensinou como filosofia - arduamente aprimorada nas lavouras do interior de Minas Gerais: “Fazer o bem e não olhar a quem.”

- Cresci com isso vó e faço o bem, mas este “bem” limita-se ao meu círculo de convivência. Dou a vida pelos meus amigos, faço questão de vê-los bem e felizes, faço o impossível pela minha família, dou o sangue pelos meus colegas de trabalho, literalmente.

Quantas vezes não acordei, ou melhor, fui acordado de madrugada com um telefonema de alguem próximo, aos prantos, soluçando; se necessário fosse, correria para hospitais, delegacia, caixa eletrônico para emprestar dinheiro ou ficava somente consolando, ouvindo e passando a minha noite em claro para poder vê-los bem.

- Fazer o bem e olhar a quem, vó. Somos limitados e por mais puras que forem as nossas almas e atitudes, vivemos por afinidades, logo, tornamos limitados apenas ao nosso círculo de convivência. É algo que talvez não tenha aprendido quando da sua infância sofrida, mas fizemos questão de aprimorar. Sempre queremos algo em troca e não podemos esperar o mesmo de desconhecidos, quiçá os conhecidos nos oferecem. Resumindo: não podemos resolver todos os problemas do mundo, mas se todos os círculos de convivência fizerem o mesmo – podemos atenuá-los, entendeu querida? - Não né? - É complexo, eu sei....Mas estou ampliando minha visão - vendo além do meu umbigo, dos umbigos conhecidos e me preocupando mais com umbigos de estranhos, mas que precisam de ajuda; as vezes até mais do que os nossos.

Tudo isso passa por: frustrações anteriores, instinto de sobrevivência, prioridades e um sem-números de fatores e desculpas. Não é somente puro egoísmo generalizado.

Aos que morreram, pararam apenas no estimulo, sequer tiveram uma iniciativa; já os sobreviventes tiveram uma reação, que por sinal, beneficiaram muita gente e nunca é tarde. Todas as atitudes são louváveis, independente do que as motivaram, várias pessoas se beneficiarão do “egoismo” dos “Leandros”. Da visão capitalista das empresas que doam somas em dinheiro para instituições filantrópicas somente para abater do Imposto de Renda; dos que dão as suas moedas no sinal e acham que fizeram a sua parte e daqueles que doaram sangue apenas para conseguir uma dispensa no trabalho.

Poderia ser diferente? Claro que poderia, mas para isso precisaríamos mudar o mundo, frear o capitalismo, desentortar pessoas limitadas e, em alguns casos, abrir mão de nossas prioridades e que, na maioria das vezes, desconhecidos não fazem parte delas - até que alguém próximo passe por uma necessidade similar.

domingo, 10 de maio de 2009

Para minha "mãe".



Fiquei acanhado em ligar-te mãe, mas saiba que mesmo assim pensei muito em ti. Sou completamente disléxico com datas comemorativas, mas não alheio aos movimentos da humanidade - promoções, cartazes, recados na internet, infestaram a cidade e o planeta consumo. Sim, hoje é o dia das mães, mas não é somente o seu dia e sei disso.

Nossa relação sempre foi estranha: é estranho quando nos falamos, estranho quando nos abraçamos, estranho quando nos vemos e nos beijamos de forma desajeitada - é tudo muito estranho.

Hoje, confesso que muito do que se passou, eu assimilei e entendi, mas ainda como um mortal e como um “fraco” (este adjetivo admito apenas àquela que me gerou: você!) que não tive coragem de te ligar e dizer que a amo.

Mal sabe você que tenho um blog; não imagina que eu escrevo muitas coisas aqui a seu respeito, coisas que não tenho coragem de dizer-te cara a cara e, na única vez que tive coragem, ensaiei dois meses. Estou levando e relevando. Sempre caio e levanto e você nem sabe; auto-suficiente como sempre; ou pelo menos tento. Sabe de muito pouco do que se passa comigo.

Talvez eu devesse mesmo te ligar agora e dizer TUDO em detalhes o que eu fiz esta semana, sem constrangimento algum, talvez devesse pedir dinheiro quando precisasse, como todo filho faz; ou colo, carinho e atenção, como todo filho faz; ou simplesmente dizer que estou com saudades e te amo, como todo filho faz!

E por se passar tanto tempo mãe, isso hoje não é possível; eu travo, não sai – calcifiquei. Há, fiz tantas coisas erradas que precisava te falar, precisava desabafar, não queria colo, compreensão, apenas uma outra voz do outro lado do telefone, sem reação, apenas ouvindo o filho falar.

Não sabe como é difícil para mim escrever isso, imagine falar - não sabe como as lagrimas caem com facilidade dos meus olhos agora - estou aos prantos como nunca. Há tempos não me sentia tão frágil, tão humano, mãe.

Eu não consigo parar de tremer, de chorar, estou desesperado, agoniado, berrando. Não consigo chorar com freqüência sabia? Pode morrer amigo, podem matar inocentes, podem se casar, terem filhos, mas eu não choro – mas eu tenho meu calcanhar de aquiles e sei que você é parte fundamental dele; você e ele.

As lagrimas que escorrem desesperadamente agora do meu rosto estão servindo para lavar minha alma, serve como consolo da minha falta de coragem, da falta de tato, de compreensão de minha parte, da minha ignorância e egoísmo que sempre me fez olhar para o meu rabo de filho.

Você teve papel fundamental na formação da minha personalidade, você sabe e não quero te cobrar por nada mãe - pena que foi tudo tão indiretamente que não criamos um vinculo afetivo; vinculo acima de qualquer questionamento. Não o temos e isso me faz chorar, me faz ter vontade de arrebentar a janela do meu apartamento com o peito e voar do sétimo andar para os braços do desconhecido.

Os copos d´ água com açúcar não estão sendo suficientes e para os diabos os calmantes, não sabe como os consumo. Freneticamente! Não fumo, não tomo café e bebo com muita freqüência. Eu queria isso mesmo mãe – chorar, ter que aumentar o rádio para que ninguém ouvisse os meus sussurros de sei lá o que, de fraqueza, de desabafo. Um misto de saudade, culpa, raiva, arrependimento.

Há, nunca me expus tanto assim sabia? Tenho certeza absoluta que não lerá isso, mesmo sabendo que me influenciava muito a ler, você não lerá isso. Sabe que aqui é meu cantinho e se um dia ler, guarde para si, reflita, mas não se culpe ou se condene – lembre que somos jovens ainda, temos uma família aparentemente e o vinculo sanguíneo filho/mãe.

Nunca pensei que fosse ficar assim, deveria ter mesmo ficado apenas na mensagem que lhe enviei, friamente pelo celular - supostamente alegando estar no trabalho, mas no final das coisas foi a melhor coisa sentir novamente lágrimas escorrerem pelo meu rosto indefinido, pela minha cara de confuso e ao mesmo tempo auto-suficiente – acima de qualquer suspeita.

Queria que fosse de uma maneira mais tradicional; que almoçássemos juntos, pudesse enviar-lhe flores ou ligar dizendo que está tudo bem, mas não consigo – por Deus, eu não consigo! Juro, mãe, não sai!. Queria um dia olhar nos seus olhos e dizer sim, que te amo e que sinto a sua falta e que me arrependo de ter ido embora e de um dia ter te culpado por um problema que somente se referia à minha carência afetiva.

A ferida nunca vai se fechar, ignorei, tentei adiar, pensar em outros assuntos mas esta tudo aqui mãe – isto é a resposta que tanto pergunto todos os dias, cada a ato de responsabilidade, ou desatino está ligado à tudo isso. É um câncer, posso controlá-lo, ignora-lo com remédios e ter uma boa condição de vida, mas estará sempre presente nos meus exames de ressonância emocional. É aquela agua suja que ainda insiste em correr pelas minhas veias.

Mama, queria tanto que adivinhasse o que eu sinto, queria tanto que tivesse a empatia mãe/filho, queria tanto, tanto, tantas coisas, tanto mas tanto que até não acho justo.

Lamento por tudo o que se passou, por tudo mesmo. Assumo minha parcela de culpa por ter me calado, por ter externado da pior forma possível tudo aquilo que eu pensava. Lamento por ter tido que perder parte da sensibilidade da mão direita, alguns tendões e nervos do pulso para que você olhasse para mim como eu queria.

Lamento por tudo e sei que é recíproco – inclusive este medo de APROXIMAÇÃO, de tentar conversar sobre tudo o que se passou.

De qualquer forma, aqui eu consigo dizer que TE AMO de todas as maneiras possíveis, e que tenho orgulho de ser seu filho e sinto por DEMAIS sua falta. Espero que tenha gostado da mensagem, foi o máximo que a minha capacidade de “tocar em feridas do passado” conseguiu – uma mensagem de sms.

Retiro os óculos, enxugo as lágrimas, abaixo o radio, engulo seco o ultimo gole d´água juntamente com um calmante, respiro fundo e vou dormir mãe – com os travesseiros encapados com as fronhas que me deu – obrigado pelo dom da vida, mãe.