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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Segue o seco.




Cai uma chuva fina, lenta, daquelas cadenciadas, na qual você pode prever quando será o próximo pingo; momento propício para embalar o que eu sinto agora.

Achei que seria fácil, pensei que, sem falsa modéstia, eu com minhas habilidades, nos sairíamos bem – poríamos tudo e todos no seu devido lugar e com o tempo, voltaria a exalar SEROTONINA para todos os lados. Recomeçar não é ruim, difícil mesmo é findar um ciclo para depois começar outro. Infelizmente, existem determinadas situações que se sobrepõem as boas perspectivas de uma mudança física. Elas têm peso, um peso vivo, cansativo. É a fase de adaptação ao novo lugar que não pode ser atropelada como deveria: a duzentos quilômetros por hora por minha vontade de interagir. São os estranhos que circulam rapidamente ao meu lado na rua; os que insistem em me ignorar no trabalho; as ruas que tendem a me confundir sempre com seus nomes novos e suas esquinas inexploradas. É o ar seco que alimenta ainda mais minha congestão nasal.

Sinto um leve arrependimento... O sentimento de desafio, agora se encontra adormecido, ao contrário das minhas lembranças de tempos atrás que estão cada vez mais vivas.

Ô chuva vem me dizer
Se posso ir lá em cima prá derramar você
Ó chuva preste atenção
Se o povo lá de cima vive na solidão
Se acabar não acostumando
Se acabar parado calado
Se acabar baixinho chorando
Se acabar meio abandonado
Pode ser lágrimas de São Pedro
Ou talvez um grande amor chorando

(Marisa Monte, Segue o seco).

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Um par.



Um ParLos Hermanos
Composição: Rodrigo Amarante
Mesmo quando ele consegue o que ele quis,
Quando tem já não quer
Acha alguma coisa nova na TV
O que não pode ter
E deixa de gostar
Larga mão do que ele já tem
Passa então a amar
Tudo aquilo que não ganhou
Dê motivo pra outra vez acreditar
Na cascata da vez
Que você comprou assim zero mais dez
Um presente pra mim
Mas se eu perguntar
De onde veio esse agrado
Você vai gritar
Diz que é homem feito, sei não
Ah faça-me o favor
Diga ao menos o que foi
E se eu faltei em te explicar
Diz que a gente sempre foi
Um par
Sai domingo diz que é o dia de jogar
Mas que jogo eu não sei
Fica até segunda o dia clarear
E troféu não se vê
Entra sem falar
Sai correndo e volta outra vez
Sem cumprimentar
Nem parece aquele
Eu rezo, ai deus do céu
Ou alguém no chão
Diga-me o que foi
Que eu deixei faltar
O que eu não consigo é entender
Como é que um filho meu é tão diferente assim
De mim
Me faz entender.

(Acho que sou assim, exatamente assim, milimetricamente assim, larga mão do que já tem e passa a desejar tudo aquilo que não ganhou. Isso justifica minha gana, minha vontade e meu descontrolado impulso. Há, se não fossem eles, quem eu seria. A velhice é física apenas, meus atos continuam atemporais.
Abri uma garrafa de cerveja e depositei nela todas as minhas expectativas, respirei fundo, imaginei, desejei, absorvi. Eu quero muito mais, estou lutando e planejando para conseguir mais...entretanto ainda não sei mais o que eu quero...)

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Nem desistir nem tentar... estamos indo de volta para casa...


É com pensamento convencido que vou aos poucos recolhendo minha outrora cansada carcaça, agora recuperada de tanto esforço emocional e colocando-a lentamente nos trilhos de uma rotina já previamente experimentada por mim.

Rotina esta, largada aos flancos, obstruída por uma saída abrupta da minha própria vida – num resgate providencial, executado por um esforço descomunal de várias partes, pus-me recluso.

Deixei meus amigos próximos se cansarem de pedir minha presença, acolhi com atenção os conselhos e anseios dos familiares quanto ao retorno e assim calcifiquei minha decisão: eu vou voltar ao trabalho e conseqüentemente a morar sozinho.

Olho para o espelho pelas manhãs e procuro ver o que mudou nestes cinco meses, o que consegui absorver e o que fora transpirado e a maior lição a que chego é que eu nunca estarei sozinho novamente. Por mais que eu tente, por mais que eu queira, por mais distante que eu vá, quanto maior a quantidade de problemas, sinto que não estarei mais sozinho.

Foi uma oportunidade ímpar na minha vida, tirei férias de mim em três estágios: internação psiquiátrica, terapia intensiva e readaptação familiar. Todos momentos marcantes, experiências incríveis, dignas de início de década. Neste ínterim, era como se eu estivesse sentado numa mesa circular com todos os meus fantasmas e pudesse perguntar o porquê de terem me assombrado tanto.

O destino será o mesmo de cinco anos atrás, a cidade em que me remodelou em quatro anos, desta vez literalmente com mais bagagens, partindo do mesmo ponto, desta vez sem amarras, com menos planos e mais objetivos.

- Conversando com minha querida, lúcida e octogenária avó sobre meu retorno ela com toda sabedoria dizia que me apoiava, apesar de querer que no fundo eu fosse demitido e arrumasse outro emprego aqui na nossa pacata cidade. Lutar contra ordens naturais do universo é algo que não me atrai mais...

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Mal contato.





Toda vez que ligo o meu velho computador, sigo o mesmo ritual: digito uma senha sem nem mesmo saber o porquê de tê-la posto, aguardo pacientemente o cansado hardware iniciar todos os aplicativos, depois vou fechando os desnecessários; abro meu editor de texto e, na seqüência, o player de musicas. Coloco-o para tocar, como sempre, no aleatório, mas noto que o volume está baixo por um problema de contato. Tento corrigir o problema, ouve-se barulhos, estalos das caixas, até que o som se estabiliza.

O ambiente externo pouco me influencia: se dia, noite, frio, calor, companhias ou não. Por razões que desconheço, prefiro as tardes, solidão e o frio para escrever, sempre acompanhado de uma bebida, nem que seja a saliva para não engolir a seco.

Depois de ajustar o cabo de áudio, sento-me novamente, relaxo o corpo deixando-me levar pela musica. Gosto de escrever a esmo quando não tenho algo em mente; também tenho o hábito de visualizar fotos concomitantemente com a escrita. Deste ritual entrelaçavam-se longas conversas pela internet com amigos, horas a fio contemplando uma tela em branco, bebendo, sorrindo e produzindo palavras que me nutriam por muito tempo. Ficava sempre exaurido – raramente terminava de uma única vez e, quando acontecia, depois eu sempre dormia exausto.

De uns tempos para cá, sem tom melancólico, não tenho tido a mesma sensação de prazer e intensidade, como conseqüência disso não tenho produzido mais. Tudo o que eu escrevi neste ano passado, resume-se ao que eu escrevia em dois meses quando em épocas áureas. Algumas coisas me fazem falta, são símbolos, para dizer a verdade, e tenho extrema dificuldade em achar substitutos para estes objetos/pessoas/lugares/sensações/sons/épocas.


sábado, 19 de março de 2011

No come down.




Tem horas que a minha vontade é colocar o player nas músicas do Verve para tocar, ascender o cigarro que nunca fumei, tomar uma Cerveja Müller – que seria minha nova preferida; debruçado no balcão de um pub, respirando toda a fumaça e de preferência sem acesso à luz do dia. Servido pacientemente por garçons oriundos do Leste Europeu, mão de obra barata e bonita e; cercado por pessoas estranhas vagando ao meu lado: policiais assassinos, soldados da guerra-fria reformados, atrizes circenses, ex-padres, cantores líricos e vegetarianos. O horário escolhido seria o agora; medido por bocejos matinais e entregadores de leite puro, casa por casa. O idioma corrente deste círculo seria indecifrável aos comuns; criptografado por pessoas hereges, permeadas por pensamentos insanos, de contestação. A nossa moeda seria a melancolia.


Nunca me senti tão limitado assim, como agora, nesta noite. Estou no lugar errado, na hora errada e na época errada e fazendo coisas tidas como certas.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Final de férias.


Assisti a todas palestras do congresso, inclusive as apresentações de trabalhos científicos, mas a última, sobre inovação, foi de longe a mais interessante. Em determinado momento, contrariando a linha de grandes executivos, Valter Longo admitiu que prefere ter capital humano “rebelde” e ainda diz fazer questão de mantê-los e propiciar um ambiente que estimule seus questionamentos. Em linhas gerais, há três perfis de profissionais: o que dizem “não”, os que questionam sempre com um “por que” e os mais ousados sempre tem um “porque não” para todas as situações.

Neste instante, olhei para o lado e vi meus colegas de faculdade compenetrados e pensei se não fosse o nosso “porque não”, certamente não teríamos vindo. Na verdade era uma experiência que me faltava e vou levar comigo para sempre. Sete dias de convivência diária, fizemos questão de ficar em alojamento, dormindo três horas por dia, aulas de manhã até a noite e depois o roteiro de festas. Não por acaso meu livro de cabeceira, antes da viagem, na casa da minha mãe foi On the Road, de Jack Kerouac, que segundo minha tia, que o notou entre minhas cobertas, foi um dos preferidos de Janis.

Eu me permiti, fiz de tudo, conheci muita gente de todos os lugares do Brasil, aprendi muito e me diverti muito na companhia dos meus queridos amigos. Queria me desvencilhar um pouco da minha realidade e consegui nestas viagens. Tenho uma reserva de serotonina excedente e só vou usá-la em caso de extrema necessidade.

domingo, 29 de novembro de 2009

Nova Tag Fotos: Maresias - SP

Uma foto, definitivamente, não vale mais do que mil palavras, entretanto, engloba umas quinhentas, creio eu. Ultimamente tenho escrito mais em folhas avulsas do que parado para digitar no computador. Tendo em vista que não faço cópia de segurança de nada, resolvi postá-las para um dia não perdê-las. Não se acostumem, pois não consigo expressar-me tão bem com as fotos. Como o próprio nome da "tag" diz; fotos= fotos! Tenho aproximadamente umas 3 mil fotos, vou postá-las ao longo da minha falta de criatividade/tempo/preguiça de escrever...

Maresias, 19 de novembro de 2008. Uma viagem planejada por dois grandes amigos em apenas quinze minutos de conversa telefônica, assim do nada, num estalo. - Vamos? - Sim, mas não tenho dinheiro, tempo e onde ficar. - Isso é o que menos importa! - Então que hora partimos? - Agora... - Fechou!


Eu não dirijo sem óculos, não troco pneus, comando o play-list do som, escolho os caminhos errados, vou comendo e falando a viagem toda - mas sei que sem mim a viagem não teria sido a mesma coisa. Não mesmo! (Pneu furado numa curva, descendo a serra; viagem atrasada umas três horas, mas para falar a verdade, quem tinha pressa de chegar?)

Tenho uma facilidade ímpar para fazer amizades, sejam duradouras ou momentâneas - devido à distância, o contato físico e os encontros são raros, mas quando acontecem, dá nisso...
(Sexta-feira chuvosa, não lembro o nome do bar (...)oficina-alguma-coisa, mas o ambiente era muito legal, uma mistura de pub-club-pizza; rodamos bastante para achar algum lugar que tivesse vaga para comermos, mas valeu a pena pelas companhias e pela comida também.)


É "titio", nosso nome é trabalho!!! E que trabalho nos demos! ahahahahaha.
(Sábado de sol, hotel Siribai, almoço demorado...há, que pressa que eu estava - "Quem só almoça tem direito à entrar no SPA? tsc, tsc, tsc.)


Nunca fiz amigos bebendo leite, "burb"...
(Foreing friends, lual, Whisky, pernilongos, velas...ué, cade o japa??? ahahahhaheaeh).


Há algum tempo não reservava um tempo para mim e para o mar e o reencontro foi em forma de estouro. Senti-me lavado, dos pés à cabeça. (Pouco importava as horas, mas era tarde...)


Há, escrever dentro de um quarto fechado, trabalhar de preto, andar somente de carro tem destas; digamos que eu e o sol não temos muita afinidade durante o ano todo...


Vai buscar mais cerveja Taka...


Que eu faço companhia para nossas amigas estrangeiras...


Bronzeador querida? (Ps.: ela me ensinou (em compreensível português com sotaque hebraico) as causas do conflito na faixa de Gaza e expôs os argumentos de Israel por querer explodir a Palestina, na visão de uma judia, claro. Enquanto eles se matam, nós vivemos por aqui.


Estava me esquecendo da noite em Maresias (...) Mas cadê o resto das fotos japa? Haaa...verdade! Eu estava me esquecendo...
Bom, estrelando: Marcelo Takahashi, Fabiano Pereira e Leonardo Bácaro.


Foi uma das melhores viagens da minha vida. Na verdade foi a que eu mais aproveitei em todos os sentidos - e haja sentidos. Demorei certo tempo para assimilar este tipo de comportamento que muitos chamam de "viver", agora não penso duas vezes, sequer penso; basta um pouco de ousadia, bons amigos e a vontade de se divertir.




Trilha sonora; (uma das favoritas na estrada...)
(...) I’ve got to be true to myself. Sempre!!!!!

domingo, 20 de setembro de 2009

Flor da pele.




Vapor Barato
Zeca Baleiro e Gal Costa
Composição: Jards Macalé / Waly Salomão - 1968

Ando tão à flor da pele
Qualquer beijo de novela
Me faz chorar
Ando tão à flor da pele
Que teu olhar "flor na janela"
Me faz morrer
Ando tão à flor da pele
Meu desejo se confunde
Com a vontade de não ser
Ando tão à flor da pele
Que a minha pele
Tem o fogo
Do juízo final...

Barco sem porto
Sem rumo, sem vela
Cavalo sem sela
Bicho solto
Um cão sem dono
Um menino, um bandido
Às vezes me preservo
Noutras, suicido!

Ando tão à flor da pele
Qualquer beijo de novela
Me faz chorar
Ando tão à flor da pele
Que teu olhar "flor na janela"
Me faz morrer
Ando tão à flor da pele
Meu desejo se confunde
Com a vontade de nem ser
Ando tão à flor da pele
Que a minha pele
Tem o fogo
Do juízo final...

Barco sem porto
Sem rumo, sem vela
Cavalo sem sela
Bicho solto
Um cão sem dono
Um menino, um bandido
Às vezes me preservo
Noutras, suicido!

Oh, sim!
Eu estou tão cansado
Mas não prá dizer
Que não acredito
Mais em você
Eu não preciso
De muito dinheiro
Graças a Deus!
Mas vou tomar
Aquele velho navio
Aquele velho navio!

Barco sem porto
Sem rumo, sem vela
Cavalo sem sela
Bicho solto
Um cão sem dono
Um menino, um bandido

Às vezes me preservo
Noutras, suicído!

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Trilha sonora do post anterior.




O Pulso
Titãs

Composição: Arnaldo Antunes

O pulso ainda pulsa
O pulso ainda pulsa...

Peste bubônica
Câncer, pneumonia
Raiva, rubéola
Tuberculose e anemia
Rancor, cisticircose
Caxumba, difteria
Encefalite, faringite
Gripe e leucemia...

E o pulso ainda pulsa
E o pulso ainda pulsa

Hepatite, escarlatina
Estupidez, paralisia
Toxoplasmose, sarampo
Esquizofrenia
Úlcera, trombose
Coqueluche, hipocondria
Sífilis, ciúmes
Asma, cleptomania...

E o corpo ainda é pouco
E o corpo ainda é pouco

Assim...

Reumatismo, raquitismo
Cistite, disritmia
Hérnia, pediculose
Tétano, hipocrisia
Brucelose, febre tifóide
Arteriosclerose, miopia
Catapora, culpa, cárie
Câimba, lepra, afasia...

O pulso ainda pulsa

E o corpo ainda é pouco
Ainda pulsa
Ainda é pouco

Pulso

Assim...



“O SENHOR te ferirá com úlceras malignas nos joelhos e nas pernas, das quais não te possas curar, desde a planta do pé até ao alto da cabeça. ” Deuteronômio 28:35"

Bon Appétit.



sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Fome.




Esta letra serve de resposta para tantos assuntos: vida sentimental, profissional, relações interpessoais (família, amigos, vizinho, cachorro) e principalmente para as conversas com o espelho durante o barbear.

A impressão que eu tenho é de que nunca ficarei satisfeito. Jamais, independente da situação... Ainda bem!?

(Primeiro encontro de Marisa Monte com os Titãs no palco, cantando a música "Comida" no programa Babilônia em 1989).

sábado, 4 de julho de 2009

BR-277


Há muito tempo atrás tomei um antiinflamatório, não lembro qual era o seu nome, mas era potente; tive uma espécie de alucinação. Estava sentido fortes dores nas articulações e me receitaram este, que segundo o farmacêutico era absorvido mais rápido e não prejudicava a mucosa estomacal.

Foi uma sensação estranha, de lentidão de movimentos – mexia vagarosamente meus braços e podia ver uma luz seguindo meus movimentos; tal qual uma espécie de espectro.

Passava longe de ser uma substancia alucinógena, afinal de contas era uma medicação - talvez o efeito fora causado pela falta de alimentação adequada por minha parte e pelo excesso na posologia, devido ao alto grau de dor. Qualquer movimento que eu realizasse era seguido pela luz, tal qual um efeito especial: fosse com as mãos, dedos, perna, cabeça... A dor passou, deitei na cama e dormi satisfeito.

À medida que ia se afastando da minha atual casa, tive a mesma sensação - só que desta vez sem antiinflamatórios e quem me seguia eram pensamentos apenas.

Estávamos atrasados, era preciso cruzar todo o Estado do Paraná; tínhamos seiscentos e poucos quilômetros pela frente de estrada esburacada em muitos trechos, duas pistas apenas, muito tráfego e três destinos finais diferentes.

O carro; novo e potente - somado a nossa pressa, habilidade de dirigir do meu amigo, e a sua intimidade com seu bólido - tentavam em vão deixar tudo para trás.

Afinal de contas eu estava indo para casa ou voltando para casa?

– Vamos acelere! – pensava; uma hora isso vai ter que deixar de me seguir. Bons trechos de asfalto e conversas divertidas sobre experiências amorosas nos permitiam ultrapassar a barreira dos centro e quarenta quilômetros.

- Quero ver se é capaz de me seguir com cento e oitenta quilômetros por hora! - desejava. Não adiantava, estava sempre atrás de mim, dos meus movimentos – os pensamentos.

Foi então que, ao passar vagarosamente por um obstáculo que respirei fundo, olhei para o espelho retrovisor e não vi mais nada. Senti um pequeno estalo - talvez provocado pelo obstáculo e pela parada repentina para efetuar a manobra na estrada.

Mexia as mãos ainda com receio; olhava para trás e só via meu outro amigo entretido num sono cadenciado com os balanços dos amortecedores do carro, em perfeita sincronia de movimentos: homem/máquina. Respirei aliviado, estiquei as pernas e pedi para aumentar o som – era música eletrônica, destas que não falam nada, não expressam nada e não transmitem emoções, sentimentos - somente sensações.

A sensação era prazerosa - coloquei o banco mais para trás, tirei o tênis e cruzei os braços entre o pescoço e deixei as sensações da trance, techno, house - seja lá qual nome dão a este tipo de “música” permear meus pensamentos provocando apenas sensações.

Quando retornar para casa, daqui há dez dias - quero sentir apenas sensações, chega de pensamentos.


segunda-feira, 8 de junho de 2009

Sebastião Rodrigues Maia.





(...)
Pois bem cheguei, quero ficar bem à vontade na verdade eu sou assim...

quinta-feira, 28 de maio de 2009

terça-feira, 26 de maio de 2009

E eu com a cara mais lavada digo "por que não"...?

Explosão e calmaria ou calmaria e explosão? Juro que os meios não justificaram os fins; e os fins – segundo nossas próprias conclusões – não eram mais permitidos.

Os meios ensejaram sua presença aqui comigo; desta vez sem nenhuma segunda, terceira ou quarta conotação hedonista.

A minha sinceridade - que invariavelmente cai como uma navalha nos seus sentimentos - desta vez serviu como um atenuante, um álibi para que depois não despejasse em cima do meu edredom tudo aquilo que conversamos antes sobre culpas e arrependimentos.

Queria apenas companhia, tomar um chá, ouvir a chuva cair sem parar pelo resto da noite, conversar com alguem em quem confio. O conceito de confiança não está diretamente ligado à amizade como supunha, lá pelas tantas da madrugada, enquanto eu torcia para que o temporal aumentasse e não tivesse condições de te levar. Há pensamentos que nem os melhores amigos entenderiam; e o pior: sequer os sensibilizariam ou se interessariam em compartilhar o meu presumido sofrimento/felicidade.

Para os meus amigos reservo outra parte, bem mais superficial, delgada e menos objetiva - mas não de aparências: uma face real, porém minimalizada em seus pormenores.

Já para os meus cúmplices reservo boas xícaras de porcelana, o aconchego do meu interior e a cara limpa e bem lavada para receber uns bons tapas; ou conforme o momento, o oposto de tudo isso sem nenhuma culpa - aquilo que gosto de falar ao espelho sem pudores, replicar ou suplicar sozinho quando vou dormir.

Estava precisando daquilo que me faz bem e que não me traga outras implicações consigo; e sei que, infelizmente, contigo não será possível novamente, pois as “implicações” são do tamanho dos sonhos de uma mulher de vinte anos, que tem sentimentos e já os deixou bem claro, só mesmo meu míope e esquivo coração que insistem em não querem ver.

Quando digo de precisar, necessidades – estas se resumem a atenção, carinho, afeto, confiança, boas risadas e não precisar omitir nada. Algo como sempre dizemos: - Fale o que está pensando agora!”

Esqueça os conceitos – aquilo que conversamos antes do encontro de ontem; a “roupa suja” que fora lavada à seco goela abaixo semana passada, ficou, por ora imobilizada dentro da minha caixa de e-mail.

Restaram apenas os bons momentos, apesar de saber que nada mudou dentro de ti; e para piorar a situação, reacendi um estopim e não há como negar. Depois de todos os goles do chá, olhei para o fundo da caneca e não vi escrito a palavra “arrependimento”; e acredito esta sensação seja mútua.

Culpa, talvez...mas tentei me esquivar e acabei cedendo às afinidades, à libido, instinto e a falta que o calor humano(verdadeiro) estava me fazendo e por conseqüência a paz interior que isso me proporcionaria depois. E quanto a você – esquivou-se de todas as minhas perguntas cara-a-cara, como que numa forma de fraqueza, intimidação ou mãos atadas em sentimentos.

Infelizmente somos todos culpados e não excluo a minha parcela, que é bem maior do que a sua justamente por estar em posição privilegiada - a de ser o responsável por sujar toda a roupa.

Foi como sempre: vital, único e afetivo, mas com o diferencial do “meio”; do que te trouxe aqui; daquilo que me fez levantar da minha cadeira e ir te buscar. Talvez pense que a necessidade fora somente minha ou que neste momento eu “quis”; talvez pense de tudo um pouco e não chegue a conclusão alguma; talvez reafirme o que me disse sobre fins, finais, extinção e desfecho, mas a vontade foi mútua: (minha e sua), dos meios - daquilo que precisava te falar, desabafar ou ficar apenas quieto, do seu lado.

Incluí-la no rol dos amigos seria imprudente, provamos isso ontem na prática, não temos tal auto-controle e ficar nesta situação; além, de não ser justa às suas aspirações - traz inúmeras conseqüências; dentre elas, as SUA felicidade para daqui alguns anos.

Sera o fim ou o começo de um novo estágio? Uma nova “classificação” para aquilo que odiávamos nominar. O que será? Quando passar o efeito, o seu cheiro desgrudar à força do meu corpo, talvez possamos chegar a inúmeras conclusões sem fim, mas que estão sendo as melhores que já me proporcionou.

Trilha sonora da madrugada chuvosa:

Por que não eu?
Leoni (participação de Herbert Vianna)
Composição: Leoni/Paula Toller/Herbert Vianna

Quando ela cai no sofá
So far away
Vinho à beça na cabeça
Eu que sei..
(...)
Quando ela insiste em beijar
Seu travesseiro
Eu me viro do avesso
Eu vou dizer aquelas coisas
Mas na hora esqueço...
(...)
Por que não eu?
Ah! Ah!
Por que não eu?...
(...)
Eu encomendo um jantar
Só prá nós dois
Se não tem nada prá depois
Por que não eu?...
(...)
Você tá nessa, rejeitada
Caçando paixão
Eu com a cara mais lavada
Digo:
Por que não?...
(...)
Por que não eu?
Ah! Ah!
Por que não eu?



sexta-feira, 22 de maio de 2009

Mundo cão.


André, esta nossa "mesa redonda" me rendeu muitas reflexões - principalmente quando titubeei ao responder sua pergunta para onde queria ser impulsionado com o meu suposto “Trampolim Estatal”. Confesso que mesmo com todo ímpeto; idas e vindas; bagagem profissional; caras-quebradas pelo tempo - fiquei em dúvida sobre o que fazer depois que terminar o curso - mas o mais importante é que já sei o que farei durante o mesmo.

Com certeza nossa conversa renderá muitas postagens no blog, mas isso fica para depois das provas, trabalhos e seminários da faculdade - ou quem sabe não cedo diante de um ataque de “permissividade” à pressão dos estudos! (Brincadeira).

Assim como você, queria que estas conversas que tivemos não ficassem restrita somente à uma “organização informal” dentro da sala do primeiro ano do curso de Administração, mas aberta a todos - mesmo aqueles que ainda sequer pensam no seu trampolim para alcançar seja lá qual for o objetivo.

Acredito que os objetivos que temos são parecidos - todos nós dentro da sala - mas os meios para alcançá-los é que dirão se realmente os alcançaremos ou não.

Há, saindo das formalidades, mas não fugindo ao tema da conversa e já que foi o foco das discussões o tema: Relações trabalhistas: o que você deseja para si mesmo. - Zeca Baleiro, com seu humor, ironia e criatividade que lhe é peculiar (como você sagazmente citou) ilustra de forma descontraída e porque não reflexiva, o que foi nossa conversa!

Sucesso, André Vinícius, sucesso! Para nós e para todos que realmente o desejarem!


Eu despedi o meu patrão
(Zeca Baleiro)


Eu despedi o meu patrão
desde o meu primeiro emprego
trabalho eu não quero não
eu pago pelo meu sossego

Ele roubava o que eu mais valia
e eu não gosto de ladrão
ninguém pode pagar nem pela vida mais vazia
eu despedi o meu patrão

Ele roubava o que eu mais valia
e eu não gosto de ladrão
ninguém pode pagar nem pela vida mais vadia
eu despedi o meu patrão

Não acredite no primeiro mundo
só acredite no seu próprio mundo
seu próprio mundo é o verdadeiro
não é o primeiro mundo não
seu próprio mundo é o verdadeiro
primeiro mundo então

Mande embora mande embora agora
mande embora agora mande embora o seu patrão
ele não pode pagar o preço
que vale a tua pobre vida ó meu
ó meu irmão

quarta-feira, 20 de maio de 2009

My favourite redhead - II (parte final)

Para F.

...Você foi, dos amores que eu tive
O mais complicado e o mais simples pra mim
(...)
Você foi o melhor dos meus erros
A mais estranha história
Que alguém já escreveu
(...)
Você foi
A mentira sincera
Brincadeira mais séria que me aconteceu
(...)
Você foi
Toda a felicidade
Você foi a maldade que só me fez bem
Você foi
O melhor dos meus planos
E o maior dos enganos que eu pude fazer
(...)

Das lembranças que eu trago na vida
Você é a saudade que eu gosto de ter
Só assim sinto você bem perto de mim
(...)


(Há tempos não recebia uma declaração de amor(…) ou-seja-lá-como-queriam-definir este sentimento; só sei que a sensação, por incrível que pareça é ruim - e o pior de tudo: (o meu defeito mais claro para todos e ainda oculto para mim) - é que eu fui o grande responsável por tudo isso: pelo início e pelo fim; pelo excesso de zelo e pelo descaso; pelas esperanças e pelos cortes; pelos curativos e pelas profundas feridas; pela atração e e pela repulsa; pelos inúmeros sorrisos e pelos litros de lágrimas; pela paixão e agora pelo carinho; pelo início e pelo fim.

Há coisas na vida que devemos realmente guardarmos apenas para si próprios e foi o que eu fiz contigo – e não deveria.

Deveria tê-la exposto, deixado entrar realmente na minha vida, apresentado à minha rotina, às minhas manias e não-somente ao meu computador, meus problemas e minhas necessidades imediatas.

Apesar de sempre termos deixado tudo tão formal quanto um contrato em aberto, ainda me sinto preso e com sentimento de perda - uma sensação que não sei como explicar; talvez precisaríamos de umas dez noites como aquelas, com muitos lenços de papel, sinceridade à toda prova (sobressaltando sobre o medo mútuo de ferirmos com as declarações); recorrermos a o que aconteceu antes ou simplesmente admitir que não fomos feitos um para o outro, porque EU não quis tentar.

Aquilo que devemos guardar para si, está aqui, mas muita coisa ainda tenho que ouvir; seja de você, seja da próxima “felicidade” que bater à minha porta, seja do porteiro, do diabo; terei que ouvir – mas que não seja do meu próprio egoismo, do meu espelho e das minhas (eu disse minhas) necessidades.

E ainda: não há o que reclamar de ti, não há como deitar minha cabeça no meu já bem gasto e cansado travesseiro e dormir tranqüilamente; ou, olhar para você num dia destes - em um bar ou supermercado - e imputar aos conflitos nossa falta de afinidade; jogar a responsabilidade nos seus atos para destilar mea-culpa no meu ego.

A cada relacionamento - indiferentemente do rótulo ou tempo - levo uma lição e nunca mais repito o objeto do “aprendizado”. A impressão que tenho hoje é a de que, chegará um dia em que terei aprendido todas as lições; todas as possíveis e imagináveis, e que um dia não terei mais relacionamentos sequer para proporcionar lições para alguém.

A sensação que fica é a de “e se...”; infelizmente neste “e se...” Há o tempo, outras pessoas envolvidas, objetivos, ideais diferentes e não definitivos e é por isso que me calo aqui – definitivamente. A dor que não meu causou, será provocada em doses cavalares pela minha consciência, em forma de arrependimento, dúvida e porque não: ciumes!

Nunca lidei bem com despedidas, ainda mais desta forma - com consentimento de ambas as partes, concluídas a um consenso, de forma aparentemente tranqüila e sem conflito. Além das suas feridas, sobraram-me meus conflitos; cada qual em sua proporção, milimetricamente medido.

Nossas lembranças, como você mesmo disse, serão as melhores, as mais agradáveis possíveis e confesso que sentirei falta.)


Para N.

...Confesso, acordei achando tudo indiferente
Verdade, acabei sentindo cada dia igual
Quem sabe isso passa sendo eu tão inconstante
Quem sabe o amor tenha chegado ao final
(…)
Não vou dizer que tudo é banalidade
Ainda há surpresas
Mas eu sempre quero mais
É mesmo exagero ou vaidade
Eu não te dou sossego,
Eu não me deixo em paz
(…)
Não vou pedir a porta aberta
É como olhar pra trás
Não vou mentir
Nem tudo que falei eu sou capaz
(…)
Não vou roubar teu tempo,
Eu já roubei demais
(...)


domingo, 12 de abril de 2009

Garçom, por favor traga-me o cardápio.


Numa pequena mesa, de igual pequeno bar; em questão de segundos resolvi jogar todos os dados do meu futuro para cima e deixar cair de forma aleatória.

Entre um gole e outro de cerveja, talagadas de sal e limão - num bar que não era o meu, com pessoas estranhas sentada ao meu redor acompanhado de um dueto agressivo na voz e violão - meus planos vinham à tona conforme abria o cardápio. Tudo organizado como no cardápio - devidamente separado por seções: planos, sonhos, objetivos e seus respectivos preços; contudo, infelizmente, todos ainda bem atrelados ao meu passado.

Meus olhos brilhavam à medida que virava as páginas. Todos me chamavam a atenção: um mais saboroso do que o outro; fazia questão de compartilhá-los com meu também empolgado amigo de mesa - sim, somos jovens, ex- companheiros de trabalho, colegas de frustrações, dissabores e idéias novas.

Inúmeras opções ainda não experimentadas, miscelânea de situações, hipóteses e objetivos, bem ao nosso gosto. Desviava meus olhos do futuro apenas para contemplar a força e habilidade com que a vocalista tocava; porem nos intervalos das músicas meus olhares se voltavam totalmente para os meus planos recém-sorteados.

Os acordes eram agressivos, assim como eu me via diante dos desafios. Sua voz nada doce, combinada com os solos do violão elétrico; inspirava-me cada vez mais a procurar outro lugar ao sol; arriscar algo incerto e impor minhas novas vontades.

Muito do que o som me inspirava, já estava escrito em letras garrafais no cardápio - as ilustrações eram as melhores, todas bem delineadas, nítidas e focadas; contudo, seus preços dispendiosos. O que menos importa quando se trata de vontades são os preços - quanto mais alto, maiores serão as recompensas; quanto mais caros, maiores os desejos em adquiri-los. E se não os alcançarmos, gloriosas serão nossas quedas!

- Cara isso aqui é pequeno demais para nós! Para mim, para você e para qualquer um que não se contente com pouco.

Não, não estava escrito no cardápio desta vez e tão quanto fazia parte das letras da musica; era parte do nosso discurso, expelido às duras penas, competindo com a voz gritante da minha musa - dois grandes amigos numa mesa de bar, cansados das mesmices, das limitações das nossas cidades e seus moradores e da falta de ousadia e valorização profissional. E porque não também do nosso comodismo e passividade (até então) diante de todas estas situações?

O mundo nos espera e nós aqui escondidos atrás de apenas três opções de cerveja e ainda por cima da mesma fábrica?

- Cara, vamos embora desta cidade, deste país!

Trilha sonora: Ravena Senra e maestro Fininho.
Palco: Sr. Buteco, Presidente Prudente - SP
Cardápio: Cerveja, sal e limão. Convidado Especial: Marcelo Rodrigues.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Trilha sonora do post anterior.

Menti pra você, mas foi sem querer
Pato fu

Composição: Rubinho Troll


Menti pra você
Mas foi sem querer
Me perdoe, amor
Mas não pude conter
Não pude segurar a mentira
Que pulou da minha boca em você
Pulou em você
Ó, meu benzinho
Não posso lhe dizer a verdade
Não posso parar de mentir no mundo

Meu ser é assim desde criança
Não de confiança
Não posso parar de mentir
Mentira branca, mentira preta
Sem querer
Eu minto pra você
Ó, meu benzinho
Não posso lhe dizer a verdade
Não posso parar de mentir no mundo


(Estou sem tempo para escrever, é verdade, eu juro. Tenho administrado meu tempo de forma errada porque apesar de ter tempo, há muita coisa acumulada. Há algum “setor” da minha vida consumindo a maior parte do meu tempo, mas não consigo identificá-lo. Não tenho lido o suficiente, não tenho alguem para dedicar meu tempo livre, as poucas tarefas da faculdade ficam para a última hora, estou sempre atrasado, fico devendo visitas nos blogues de pessoas interessantes, há... Talvez o problema seja com o relógio e não comigo.
Estou bem obrigado; falando a verdade e tranqüilo, já feliz é um termo muito abrangente e, devido a minha falta de tempo, vou me abster de maiores conclusões.

O que preciso agora é de duas horas para arrumar minhas malas e ir de encontro à minha família, passar meu aniversário com todos, ter uma crise existencial no meu antigo quarto, passear com os cachorros da minha mãe e freqüentar meus bares favoritos. Vai ser divertido, tenho certeza...

Feliz aniversário para mim, no dia nove! 29 anos...caralho, agora sim estou ficando velho...)


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Trilha sonora do post anterior:



Amor, meu grande amor
Barão Vermelho

Composição: Angela Ro Ro e Ana Terra

Amor, meu grande amor
Não chegue na hora marcada
Assim como as canções
Como as paixões
E as palavras...

Me veja nos seus olhos
Na minha cara lavada
Me venha sem saber
Se sou fogo
Ou se sou água...

Amor, meu grande amor
Me chegue assim
Bem de repente
Sem nome ou sobrenome
Sem sentir
O que não sente...

Pois tudo o que ofereço
É, meu calor, meu endereço
A vida do teu filho
Desde o fim, até o começo...

Amor, meu grande amor
Só dure o tempo que mereça
E quando me quiser
Que seja de qualquer maneira...

Enquanto me tiver
Que eu seja
O último e o primeiro
E quando eu te encontrar
Meu grande amor
Me reconheça...

Pois tudo que ofereço
É, meu calor, meu endereço
A vida do teu filho
Desde o fim até o começo...

Amor, meu grande amor
Que eu seja
O último e o primeiro
E quando eu te encontrar
Meu grande amor
Por favor, me reconheça...

Pois tudo que ofereço
É, meu calor, meu endereço
A vida do teu filho
Desde o fim até o começo...


(Preciso desabafar, chorar talvez; me crucificar, me culpar até não conseguir mais olhar no espelho. Colocar todas as músicas que antes me faziam sentir borboletas no estômago e hoje me dão frio na barriga para tocar intermitentemente, até derreter o gelo que me recobre.

Estou arrependido de inúmeras atitudes que tomei na vida; inclusive a de vir para cá. “Não, não é você...” Com certeza não tinha parado para pensar que esta afirmação também serve para mim. Tem algo entalado aqui na minha garganta, queria colocar tudo para fora de uma vez por todas, mas tenho medo de te procurar depois de tanto tempo; da sua reação ou a do seu marido.

Logo eu que nunca tive medo de nada, agora me vejo acuado, mas um peso descomunal nas costas. Só queria dizer que...
Há, deixa para lá; não, não era para ser eu mesmo...)