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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Segue o seco.




Cai uma chuva fina, lenta, daquelas cadenciadas, na qual você pode prever quando será o próximo pingo; momento propício para embalar o que eu sinto agora.

Achei que seria fácil, pensei que, sem falsa modéstia, eu com minhas habilidades, nos sairíamos bem – poríamos tudo e todos no seu devido lugar e com o tempo, voltaria a exalar SEROTONINA para todos os lados. Recomeçar não é ruim, difícil mesmo é findar um ciclo para depois começar outro. Infelizmente, existem determinadas situações que se sobrepõem as boas perspectivas de uma mudança física. Elas têm peso, um peso vivo, cansativo. É a fase de adaptação ao novo lugar que não pode ser atropelada como deveria: a duzentos quilômetros por hora por minha vontade de interagir. São os estranhos que circulam rapidamente ao meu lado na rua; os que insistem em me ignorar no trabalho; as ruas que tendem a me confundir sempre com seus nomes novos e suas esquinas inexploradas. É o ar seco que alimenta ainda mais minha congestão nasal.

Sinto um leve arrependimento... O sentimento de desafio, agora se encontra adormecido, ao contrário das minhas lembranças de tempos atrás que estão cada vez mais vivas.

Ô chuva vem me dizer
Se posso ir lá em cima prá derramar você
Ó chuva preste atenção
Se o povo lá de cima vive na solidão
Se acabar não acostumando
Se acabar parado calado
Se acabar baixinho chorando
Se acabar meio abandonado
Pode ser lágrimas de São Pedro
Ou talvez um grande amor chorando

(Marisa Monte, Segue o seco).

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Nem desistir nem tentar... estamos indo de volta para casa...


É com pensamento convencido que vou aos poucos recolhendo minha outrora cansada carcaça, agora recuperada de tanto esforço emocional e colocando-a lentamente nos trilhos de uma rotina já previamente experimentada por mim.

Rotina esta, largada aos flancos, obstruída por uma saída abrupta da minha própria vida – num resgate providencial, executado por um esforço descomunal de várias partes, pus-me recluso.

Deixei meus amigos próximos se cansarem de pedir minha presença, acolhi com atenção os conselhos e anseios dos familiares quanto ao retorno e assim calcifiquei minha decisão: eu vou voltar ao trabalho e conseqüentemente a morar sozinho.

Olho para o espelho pelas manhãs e procuro ver o que mudou nestes cinco meses, o que consegui absorver e o que fora transpirado e a maior lição a que chego é que eu nunca estarei sozinho novamente. Por mais que eu tente, por mais que eu queira, por mais distante que eu vá, quanto maior a quantidade de problemas, sinto que não estarei mais sozinho.

Foi uma oportunidade ímpar na minha vida, tirei férias de mim em três estágios: internação psiquiátrica, terapia intensiva e readaptação familiar. Todos momentos marcantes, experiências incríveis, dignas de início de década. Neste ínterim, era como se eu estivesse sentado numa mesa circular com todos os meus fantasmas e pudesse perguntar o porquê de terem me assombrado tanto.

O destino será o mesmo de cinco anos atrás, a cidade em que me remodelou em quatro anos, desta vez literalmente com mais bagagens, partindo do mesmo ponto, desta vez sem amarras, com menos planos e mais objetivos.

- Conversando com minha querida, lúcida e octogenária avó sobre meu retorno ela com toda sabedoria dizia que me apoiava, apesar de querer que no fundo eu fosse demitido e arrumasse outro emprego aqui na nossa pacata cidade. Lutar contra ordens naturais do universo é algo que não me atrai mais...

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Final de férias.


Assisti a todas palestras do congresso, inclusive as apresentações de trabalhos científicos, mas a última, sobre inovação, foi de longe a mais interessante. Em determinado momento, contrariando a linha de grandes executivos, Valter Longo admitiu que prefere ter capital humano “rebelde” e ainda diz fazer questão de mantê-los e propiciar um ambiente que estimule seus questionamentos. Em linhas gerais, há três perfis de profissionais: o que dizem “não”, os que questionam sempre com um “por que” e os mais ousados sempre tem um “porque não” para todas as situações.

Neste instante, olhei para o lado e vi meus colegas de faculdade compenetrados e pensei se não fosse o nosso “porque não”, certamente não teríamos vindo. Na verdade era uma experiência que me faltava e vou levar comigo para sempre. Sete dias de convivência diária, fizemos questão de ficar em alojamento, dormindo três horas por dia, aulas de manhã até a noite e depois o roteiro de festas. Não por acaso meu livro de cabeceira, antes da viagem, na casa da minha mãe foi On the Road, de Jack Kerouac, que segundo minha tia, que o notou entre minhas cobertas, foi um dos preferidos de Janis.

Eu me permiti, fiz de tudo, conheci muita gente de todos os lugares do Brasil, aprendi muito e me diverti muito na companhia dos meus queridos amigos. Queria me desvencilhar um pouco da minha realidade e consegui nestas viagens. Tenho uma reserva de serotonina excedente e só vou usá-la em caso de extrema necessidade.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Foz do Iguaçu.


Não sei se o tempo passou rápido demais ou as experiências que tive foram as mais intensas que a impressão que tive que tudo aconteceu num estalo. Eu me lembro como se fosse hoje, verão de 2004, estava voltando de um cursinho preparatório para concursos, peguei uma chuva na volta, tentava me desvencilhar, mas era em vão – corria, tentava me esconder, mas sempre se molhava. Em determinado momento eu desisti, os cadernos molharam, os tênis encharcaram e os óculos embasaram.

Minha primeira reação foi chutar uma pedra, joguei os cadernos para cima e sentei na calçada. Pensei em tanta coisa, refleti os até então 23 anos em alguns minutos. Chorei, ri, gritei e sai correndo na chuva, dançava pelo asfalto, falava alto, sozinho tal qual um louco.

Eu nunca imaginei que iria parar aqui em Foz do Iguaçu, nunca. Para falar a verdade nem sabia onde ficava geograficamente, eu apenas queria ir para algum lugar, poderia ser qualquer um, e foi.

No ano seguinte, escolhi o meu local de trabalho, dei a noticia para minha família, meu ex-patrão e para minha ex-namorada. Uma decisão que mudou toda a minha vida, sem exageros, deixei tudo para trás, tudo e todos. Agradeci a todos, coloquei todas as minhas roupas numa caixa, juntamente com o meu inseparável computador. Peguei um dinheiro emprestado com o meu padrasto, embarquei sem ao mesmo saber onde ficar. Na despedida engoli seco uma lágrima. Na verdade ela não escorreu, apenas comprimi todo sentimento de saudades num piscar de olhos.

Certa vez estava entediado conversando com uma amiga e ela me disse que tinha inveja da vida que eu levava. Às vezes olho pela janela do meu apartamento e fico pensando em tudo o que eu vivi aqui. Realmente não tenho do que reclamar, eu fiz tudo o que eu quis, aproveitei ao máximo tudo e a todos e da forma que mais me agrada: exageradamente.

Obrigado por me proporcionar tudo isso em apenas 4 anos, Foz do Iguaçu.

terça-feira, 16 de março de 2010

Rapel.


Segundo meu amigo, colega de faculdade de administração e também estudante de engenharia: "Daria para descer até 5 pessoas juntas sem problemas que ela suportaria. Esta corda suporta 2 toneladas de tração, mais até que um cabo de aço com o mesmo diâmetro."

A equipe de Rapel Foz Vertical. Profissionalismo e equipamentos de ponta acima de tudo.

A subida é complicada, é trabalhoso encaixar os "ganchinhos" (Esqueci o nome técnico) nas grades para não escorregar e cair.

Tranqüilo pá.

Equipamentos devidamente presos e conferidos.

Confere de novo aí instrutor, vai? Vê se eu prendi certo.

Nem tão tranqüilo assim.

Profissional Hudson on the top!

Subi, depois de alguns minutos.

Há, subir foi fácil. não tem segredo, é só ter atenção e paciência.

E agora, vamos descer!?

Antes as instruções novato: 1º de forma alguma solte a corda. 2º se soltar reze para o apoio estar segurando a corda reserva. 3º relaxa e não olhe para baixo.

Alinhar ao centro
Parece fácil.

É só se equilibrar e soltar aos poucos a corda.

Aprendi rápido, já esta até fazendo gracinhas.

Peguei o jeito.

Só não pode olhar para baixo.

Vou confessar, quando venta, você perde o equilíbrio e isso assusta.

Segura esta corda aí em baixo cara!

Ralei os joelhos um pouco, mas a decida foi perfeita! Rapel vicia!
Março de 2009

Agradecimentos:
Meu amigo Hudson que me convidou e a toda a equipe. Galera nota dez!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Suddenly i see.

Um banho de água fria para ter a sensação de frescor; aliviar toda a tensão que me consumira durante o dia “preso”. Meu trabalho é uma incógnita – dificilmente prevejo como chegarei em casa. Hoje retornei tal qual um proletariado de uma fábrica que faz apenas seu serviço esperando que o dia acabe. E acabou.

Afora os méritos/deméritos nossos, tudo transcorreu bem; mas as doze horas me consomem demais. Depois do banho, rapidamente li alguns e-mails, tentei salvar algumas fotos recebidas, respondi mensagens e foi o ápice ócio que pude me proporcionar. Procurei desesperadamente na minha farmácia improvisada um Paracetamol com suas generosas 750mg e o engoli a seco.

Alguma coisa mudou.

Não era este remédio que eu tomava quando chegava em casa cansado, não era. Olhei para minha confortável cama com desdém, abri o guarda-roupa, troquei de roupa e esperei o telefone tocar...

Esperei dois minutos e sai, não tocou...
...o tédio não me consome mais.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Domingos...




O meu "viver" tem sentido tão ambíguo quanto o conceito de "Domingo normal"; de qualquer forma, ou melhor, de freqüentes formas, os nosso domingos são, digamos, Prozaquianos demais.

O domingo é o dia mais entorpecente de todos: ficamos surpresos com as mesmas visitas, rimos das mesmas piadas, comemos as mesmas comidas, vemos os mesmos programas de televisão e esperamos as mesmas ligações, mas reagimos sempre com surpresa.

Domingo é o limiar entre o que se passou e o que se passará – obvio - três dias antes e três dias depois, completam a semana. Apesar de todos os argumentos tenderem à normalidade, domingo é dia em que eu saio da rotina: vejo muita televisão; lavo algumas peças de louça; geralmente como em casa; coloco água no radiador do carro e jogo muitas coisas fora, geralmente papéis.

Antes de jogá-los, eu os leio. Começa um círculo vicioso que leva horas para terminar. Meu déficit em atenção colabora, pois esqueço estes pequenos momentos rapidamente e os faço novamente nos outros domingos.

Pensando bem, domingo é o dia do descanso; o dia em que até o caos ajoelha-se aos pés do normal. E acredite, às vezes, me faz falta ser domingos...


segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

A minha impressão.




Preciso de uma caneta nova, pois as minhas foram todas perdidas depois do término das aulas – surrupiadas no trabalho ou esquecidas em algum canto mesmo, por puro desleixo; também preciso de uma resma de papel alcalino - daqueles que foram necessários vários metros cúbicos de madeira de lei para ser produzido, às custas de muita celulose.

Preciso ter sempre próximo às minhas vistas algo no qual eu possa fixar um sentimento - de preferência num papel em branco e com uma caneta. Pode ser em rabiscos; treinar assinaturas que nunca consigo repetir; fazer planos; pintar a folha toda com a caneta bic para ver se consigo acabar com toda sua tinta; para assoar o nariz e expurgar toda coriza que obstrui minha respiração, ou simplesmente escrever ao léu.

É o meu termômetro; talvez eu a pegue e não tenha reação alguma, que não amassá-la e jogar pela janela do apartamento; sinal de que já não tenho para onde correr. Mas eu tenho, sempre tenho. Jogo pela janela e não espero cair: busco no ar antes que toque o chão – desamasso com cuidado, recupero-a e faço uma marca, que se torna indelével com o tempo.

Chame do que quiser: melancólico, nostálgico, estático, saudoso mas eu guardo tudo; para mim é indiferente o tempo em que foi ocorrido, o que vale é a sensação que eu terei quando abrir o armário, um envelope, uma revista velha, achar um papel e relê-lo.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Vontade de fazer nada e descançar depois.





Enfim o ócio. É incrível como consigo raciocinar melhor enquanto não estou fazendo absolutamente nada. Sei que meu pensamento é completamente incompatível com os dias atuais, onde as informações são recebidas, assimiladas e transformadas em decisões num curto espaço de tempo. O ócio é comprovadamente por mim, em minhas pesquisas particulares e experiências vividas como o comportamento mais produtivo do mundo.

Ócio mental; o momento em que seus pensamentos simplesmente tomam vida própria, procriam indiscriminadamente e até tomam decisão por si mesmos. Vem e vão sem compromisso algum, sem pressão – a esmo. Estou refletindo agora, apenas isso; agora tenho tempo suficiente para analisar tudo o que eu fiz e como isso me fazia falta.

O pragmatismo do dia-dia me impede de cometer desatinos e me deixa um tanto quanto formal e nada mais cruel do que eu me olhar no espelho e enxergar-me como o mais comum dos seres. Não que não o seja; mas esta auto-concepção me desanima em todos os sentidos.

Estou me sentindo aliviado de algo que não reconheço como problema – mas aliviado por não ter o com o que me preocupar momentaneamente, senão em deitar a cabeça no travesseiro, deixar meus pensamentos caminharem por si só. Era o que eu precisava. É passageiro, eu sei. Logo sentirei vontade de colocar em prática novamente tudo aquilo no qual perdi alguns dias refletindo e, enquanto não pô-los, a situação se inverte – o que era refúgio e soluções para a ser calvário e dor-de-cabeça.

Por enquanto estou me divertindo desritmicamente, com o compromisso de me preocupar apenas na hora em que eu bem entender.

domingo, 29 de novembro de 2009

Nova Tag Fotos: Maresias - SP

Uma foto, definitivamente, não vale mais do que mil palavras, entretanto, engloba umas quinhentas, creio eu. Ultimamente tenho escrito mais em folhas avulsas do que parado para digitar no computador. Tendo em vista que não faço cópia de segurança de nada, resolvi postá-las para um dia não perdê-las. Não se acostumem, pois não consigo expressar-me tão bem com as fotos. Como o próprio nome da "tag" diz; fotos= fotos! Tenho aproximadamente umas 3 mil fotos, vou postá-las ao longo da minha falta de criatividade/tempo/preguiça de escrever...

Maresias, 19 de novembro de 2008. Uma viagem planejada por dois grandes amigos em apenas quinze minutos de conversa telefônica, assim do nada, num estalo. - Vamos? - Sim, mas não tenho dinheiro, tempo e onde ficar. - Isso é o que menos importa! - Então que hora partimos? - Agora... - Fechou!


Eu não dirijo sem óculos, não troco pneus, comando o play-list do som, escolho os caminhos errados, vou comendo e falando a viagem toda - mas sei que sem mim a viagem não teria sido a mesma coisa. Não mesmo! (Pneu furado numa curva, descendo a serra; viagem atrasada umas três horas, mas para falar a verdade, quem tinha pressa de chegar?)

Tenho uma facilidade ímpar para fazer amizades, sejam duradouras ou momentâneas - devido à distância, o contato físico e os encontros são raros, mas quando acontecem, dá nisso...
(Sexta-feira chuvosa, não lembro o nome do bar (...)oficina-alguma-coisa, mas o ambiente era muito legal, uma mistura de pub-club-pizza; rodamos bastante para achar algum lugar que tivesse vaga para comermos, mas valeu a pena pelas companhias e pela comida também.)


É "titio", nosso nome é trabalho!!! E que trabalho nos demos! ahahahahaha.
(Sábado de sol, hotel Siribai, almoço demorado...há, que pressa que eu estava - "Quem só almoça tem direito à entrar no SPA? tsc, tsc, tsc.)


Nunca fiz amigos bebendo leite, "burb"...
(Foreing friends, lual, Whisky, pernilongos, velas...ué, cade o japa??? ahahahhaheaeh).


Há algum tempo não reservava um tempo para mim e para o mar e o reencontro foi em forma de estouro. Senti-me lavado, dos pés à cabeça. (Pouco importava as horas, mas era tarde...)


Há, escrever dentro de um quarto fechado, trabalhar de preto, andar somente de carro tem destas; digamos que eu e o sol não temos muita afinidade durante o ano todo...


Vai buscar mais cerveja Taka...


Que eu faço companhia para nossas amigas estrangeiras...


Bronzeador querida? (Ps.: ela me ensinou (em compreensível português com sotaque hebraico) as causas do conflito na faixa de Gaza e expôs os argumentos de Israel por querer explodir a Palestina, na visão de uma judia, claro. Enquanto eles se matam, nós vivemos por aqui.


Estava me esquecendo da noite em Maresias (...) Mas cadê o resto das fotos japa? Haaa...verdade! Eu estava me esquecendo...
Bom, estrelando: Marcelo Takahashi, Fabiano Pereira e Leonardo Bácaro.


Foi uma das melhores viagens da minha vida. Na verdade foi a que eu mais aproveitei em todos os sentidos - e haja sentidos. Demorei certo tempo para assimilar este tipo de comportamento que muitos chamam de "viver", agora não penso duas vezes, sequer penso; basta um pouco de ousadia, bons amigos e a vontade de se divertir.




Trilha sonora; (uma das favoritas na estrada...)
(...) I’ve got to be true to myself. Sempre!!!!!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

O casamento dos meus melhores amigos II.




Ache o “Tony da Kellog's” na foto.

Ele pode estar escondido por detrás de frustrações – experiências incrustadas em arrependimento próprio ou feliz por não ser parte integrante de um relacionamento fadado à monotonia.

Esquivar-se das suas próprias escolhas definitivas por intransigência emocional, com a escusa de que não há ser capaz ou com tal característica de o manter ocupado por mais de uns dias ou simplesmente um ser melancólico - que gosta de ruminar velhas cartas de amor, daquelas escritas há mais de quatro anos, manuscritas, ainda com leve aroma de arrependimento.

Está nos olhos de quem vê e, também, na minha consciência. Apesar de, Tony está muito feliz na foto: escondido ou não; arrependido ou não; solteiro ou não.

Cuidem bem das suas esposas, meus amigos; pois um dia (um dia...) o Tony cuidará muito bem da dele!

Por ora, Tony brinda aos seus melhores amigos; agora casados!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

7 de Setembro.




Independência ou morte.
Pouco me passou pela cabeça nesta data, a importância cujo fato histórico resultou na emancipação política do Brasil em relação a Portugal. Na verdade, numa análise análoga dos fatos, fiz um paralelo comigo mesmo para não fugir à regra...

A independência sempre, em qualquer situação, vem precedida de muito sacrifício, muita luta, sangue e dedicação e claro, a escolha - seja qual for o campo: numa guerra ou dentro da sua vida pessoal, é inconcebível voltar atrás. Não deixa de ser uma grande conquista, tanto individual quanto coletiva.

Nada mais satisfatório do que ser independente, poder tomar suas próprias decisões, nortear-se conforme seu entendimento, auto-organizar-se da forma que melhor lhe convier. Auto-determinação.

Independência e/ou morte.
Dependo hoje, apenas das minhas pernas, do meu próprio esforço – físico e mental. Em determinado momento é, sem dúvida, um privilégio; contudo neste final de semana, vi-me o quão caro pode ser esta conquista. E foi; realmente há tempos não dependia de nada nem ninguém, cuja ajuda fosse imprescindível. – para mim foi um sacrifício emocional, quase um retrocesso, porém, infelizmente, não havia outra solução que não...


Não foi uma escolha aleatória, verifiquei a disponibilidade das pessoas - devido ao horário; o grau de amizade, o “coeficiente” de dívida que terei que arcar e a possibilidade de ter que recorrer à outras pessoas, prorrogando assim, a dor causada pelo espinho cravado no meu ego. Fui atendido prontamente, com a maior boa-vontade e prontidão e acredito que seria assim com qualquer um que escolhesse dentre os quais eu selecionei - dada a necessidade e urgência.

Foi dolorido ter que pedir, mesmo sabendo do tamanho do coração e do grau de amizade que cultivo com esta pessoa. Não é o ato de pedir em si, pois isso é corriqueiro, ainda mais entre amigos, mas o que me doeu foi o fato de eu não ter outra solução, senão pedir ajuda.

Senti falta da dependência que tinha para com a família, na qual era gerada um “obrigação” em me ajudar, o que não soaria como uma afronta ao meu ego o fato de recorrer a eles. Tornamo-nos tão independentes que o simples fato de pedir ajuda gera um constrangimento.

Independência e morte.
Eu não estou conseguindo andar: comprar comida, dirigir, pagar minhas contas pessoalmente, levar minha roupa na lavanderia, meu carro para abastecer, ir à faculdade, trabalhar, retornar ao médico, ir à farmácia, atender o telefone fixo...Apesar da dor física que sinto pela cirurgia o que mais me dói e a dor psicológica que isso tudo desencadeou.

Não sei o que dói mais: admitir a dependência das pessoas ou voltar a tê-la.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Fui dar uma volta e já volto.




Ultimamente, tenho evitado as pessoas em geral, é verdade - mas de uma forma tão acintosa que caracterizou-se como algo pessoal para quem convive comigo. E é; pessoal meu, individual, optativo.

É só um tempo à efusividade do mundo; uma depressão pós-inverno. Um ócio solitário; um daqueles momentos em que você quer ficar alheio às conversar, mundos particulares, longe de situações artificiais ou qualquer assunto que tome mais de dois minutos do seu precioso tempo.

Estou tão consciente, mais do que imaginava. Ultimamente tenho mais observado do que opinado; meu ímpeto – uma mistura de salvador da pátria com ativista sentimental - desinflou-se, ficando apenas a necessidade de auto-proteção. Esta sim, vital e imprescindível.

- Olá tudo bem? Sim tudo bem... (silêncio). “Este usuário não pode mais receber mensagens on-line...”

Ultimamente tenho feito tudo sozinho: tomado decisões sozinho, aprendendo, conversado, concluído e me divertido sozinho. As oportunidades estão passando ao meu lado e eu com olhar de repulsa ou desleixo as deixo esperar ou me finjo de morto até que desistam.

Minha expressão mudou radicalmente; arranque um sorriso de mim e comemore! Não, não estou triste, estou satisfeito. A minha satisfação vem do não-sofrimento e, necessariamente não precisa ser diretamente a felicidade; contento-me com a estabilidade emocional.

Quem me viu, quem me verá...?

Supersticioso que sou, anos ímpares me agradam, geralmente reservam-me boas surpresas, contudo apenas no primeiro semestre; 1993, 1999, 2001, 2005, foram literalmente anos ímpares, mas este, este especificamente está sendo um ano "arredondado" ao par. Um ano vivido, passado, não definitivamente conquistado.

Eu me afastei das pessoas, é verdade. Mas estou bem; quero manter uma distância considerável do meu mundo e dos outros. Eu aqui, eles lá. Restaram-me apenas as obrigações, as que tenho que ver por obrigação, por convívio e, estas, eu filtro. Talvez eu mande e-mails, talvez eu ligue, talvez eu durma...

- Olá tudo bem? Sim tudo bem... (silêncio). Onde vai? Vou ali, já volto, depois nos falamos.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Fome.




Esta letra serve de resposta para tantos assuntos: vida sentimental, profissional, relações interpessoais (família, amigos, vizinho, cachorro) e principalmente para as conversas com o espelho durante o barbear.

A impressão que eu tenho é de que nunca ficarei satisfeito. Jamais, independente da situação... Ainda bem!?

(Primeiro encontro de Marisa Monte com os Titãs no palco, cantando a música "Comida" no programa Babilônia em 1989).

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Pow!



Tive uma satisfatória noite de sono, depois de muitas outras em claro ou tendo que interrompe-las para trabalhar. Sonhei que o supervisor da outra equipe (que não a minha) lavava toda a minha louça suja sem pestanejar e, não obstante; ariou todas as minhas panelas, deixando-as brilhando.

Foi uma sensação que, por incrível que pareça, não me levou à desforra, até porque, além de extremamente carismático e competente, é um grande amigo meu; contudo fez-me - ainda com o rosto por lavar - refletir sobre capacidade e iniciativa.

Pensei em ficar na cama mais uns instantes, aproveitar os últimos dias de frio intenso que, sem sombra de dúvidas, sentirei falta, mas não - joguei-me da cama; senti um choque térmico e, em seguida, um arrependimento posterior; contudo não hesitei.

Meu corpo ainda sente as marcas dos exageros do final-de-semana; a consciência não. Logo, esta fez questão de arregaçar as mangas do moletom e jogar litros e litros de água fria e sabonete líquido no meu rosto. Doía e ardia ao mesmo tempo. Evitei olhar ou interferir, pois era necessário esta interação sem mediadores, deixei que se resolvessem. Se não bastasse o desgaste, o corpo ainda ganhou dois tapas de leve no rosto, como forma de aviso: cuide-se!

Foi uma semana produtiva; abandonei antigas companhias (muitas) , mantive as fiéis (poucas), retomei as esquecidas (muitas) e fiz novas (muitas). E assim será, até eu sentir um mutualismo, uma compensação justa para todos, reciprocidade, enfim...Amizade.

Acredito que desvencilhei-me do sentimento de culpa em relação às pessoas: o "não" hoje, soa com mais clareza, frieza e certeza, não deixando margem para um "talvez". Poupa tempo: o meu principalmente.

Sequei cuidadosamente o rosto, fitei-me rapidamente ao espelho, corri para a cozinha, olhei para a minha louça: esta estava devidamente limpa e organizada.

A minha – limpa e organizada.

Capacidade e iniciativa. Foi uma semana produtiva; enfim tenho tempo só para mim e para minha vida, para fazer o que eu bem necessitar.

Lavem suas próprias louças e me deixem em paz.

domingo, 2 de agosto de 2009

Sim senhor!


1987
Meu primeiro contato com o militarismo foi com um singelo cumprimento: tinha apenas sete anos de idade, lembro-me claramente como tudo o que aconteceu - estava brincando sozinho, em frente a minha casa, na rua em que havia crescido, quando cruzei com um tenente que provavelmente voltava da sua jornada no quartel. A sua roupa me chamou a atenção: impecável, cheia de insígnias, medalhas, broches; sua boina perfeitamente ajustada; coturnos brilhantes; a forma como ele andava apressado, ereto, portado; vindo despretensiosamente ema minha direção - fez com que eu ficasse a olhar e esperar que passasse.

Para minha surpresa ele parou, olhou para mim e sorriu; talvez pela minha cara de admiração ou qualquer outro motivo que o levou a também dizer o seguinte:

- Quero vê-lo lá no quartel com a gente daqui há alguns anos! Vai servir o Exército Brasileiro! - exclamou com orgulho!

Eu, do alto dos meus sete anos, disse que ainda faltava um tempo para chegar minha vez, mas gostaria de ter uma roupa daquelas - igual a dos meus bonecos do comandos em ação!
Ele, em tom de brincadeira, bateu continência e pediu permissão para se retirar!

Nunca mais esqueci este episódio; depois disso senti um interesse, uma vocação para o militarismo, mesmo sem sabe do que se tratava exatamente; só sabia que eram corajosos, valentes; matavam ou morriam; deixavam suas esposas e filhos em casa enquanto iam para o fronte.

1997
Dez anos depois, lá estava eu. Havia chegado o dia, mas muita coisa tinha se passado; eu com dezessete anos, recém terminado o ensino médio – o cenário era outro, minha cabeça estava em plena transformação ainda, mas eu realmente passei a entender o porquê de cada medalha, de largar suas esposas, filhos e morrer por um objetivo que não é somente o seu - vocação, necessidade, obrigação, orgulho, ego, poder...
Eu era o oposto do ideal militar; completamente, mas confesso que me enquadrei em alguns destes porquês.

Desenvolvi senso-crítico; questionava tudo: igreja, educação, comportamento, família, valores morais e não me contentava com respostas vagas. Eu tive esta liberdade de pensamento; pois antes dos dezoito anos era liberdade de pensamento, mas depois era a minha opção. Não sei se foi realmente uma opção de educação ou um desdém deixar-me à deriva, mas isso culminou em indecisões que desencadearam conseqüências até hoje.

Nunca fui condicionado a nada, ideologicamente falando; poderia ser o que eu quisesse; mas, contudo, dependeria unicamente do meu esforço. - Faça o que quiser fazer, mas faça. Era o que eu ouvia. Este foi meu único norte, incentivo; tão vago que me senti perdido.

Alistei-me. Serviço militar obrigatório. O-b-r-i-g-a-t-ó-r-i-o. Estava disposto a seguir carreira, posteriormente, mesmo sendo contra todos os meus conceitos, discordando da instituição, da sua posição perante a sociedade, mas era uma opção – a única que tinha no momento. Passava por um momento de turbulência, muitas provações, muitas perguntas e poucas pessoas para responder.

Eu tinha o perfil para o Exército (teoricamente): era jovem, não era arrimo de família, não trabalhava, não fazia faculdade, queria sair de casa, pouco me importava para onde fosse e o que tivesse que fazer. Eu queria fazer. Era contraditório; seria um choque de realidades, teria muitos problemas de disciplina, hierarquia, mas creio que me adaptaria rapidamente; ou melhor - seria condicionado.

Era chegado o dia da apresentação; no papel dizia para comparecermos duas horas antes do previsto, impreterivelmente. Eu tinha mudado radicalmente a minha fisionomia; havia eu mesmo cortado meu cabelo, raspado todos os fios; tinha abandonado os óculos que me davam um tom de fragilidade e adotado lentes de contato; estava com meu peso ideal; praticamente irreconhecível. Nada programado, não tive a intenção de demonstrar o que não era; na verdade estava cansado daquela fisionomia, da aparência de fraco, que carreguei durante a adolescência.

Foi condicionado por mim, pela falta de cobrança, pelos conflitos internos e pela auto-suficiência. O potencial estava dentro de mim, só faltava desenvolvê-lo; isso acarretou algum conhecimento.

Fomos recebidos com hostilidade; com piadas dos veteranos e pressão psicológica dos oficiais. A partir do momento em que cruzamos a cancela, estávamos ao comando do exército. Nada do que fazíamos era por vontade própria. Nada.

- Mexam-se; Organizem-se em fila; só falarei uma vez imbecis. Era o que ouvíamos aos berros. - ficarão em pé até serem chamados; ao sol, sem água, sem comida, sem banheiro e sem a mamãe dos senhores.

Indiretamente eu sabia que ali já se iniciava o método de seleção; ninguém ousava discordar ou perguntar nada, nem eu. Esperamos duas horas, em pé. Muitos davam sinais de cansaço; eu apenas de impaciência. Eramos chamados aleatoriamente e, à medida que se passava o tempo, a angústia aumentava. Eu observava tudo ao meu redor; a rotina dos recrutas, a imponência dos oficiais e a fisionomia de assustado dos quatrocentos com inciais “F”; “G” e “H” nascidos entre 1 de janeiro a 31 de dezembro de 1980.

Eu não queria questionar, pela primeira vez na minha breve vida eu queria cumprir ordens. Queria ser cobrado por um objetivo não definido por mim, queria apenas fazer por fazer.

Era chegado a minha hora; fomos conduzidos num grupo de vinte para uma sala por um recruta que nos deu boas dicas; entre elas não abrir a boca se não fôssemos questionados pelo capitão. Ficamos em fila dupla; os dois lados se olhando e o capital passeando vagarosamente pelo meio. Observava um a um e não falava nada. De repente parou no meio perguntou se alguém que estava ali tinha algum problema de audição; ninguém respondeu nada, apenas balançamos a cabeça em forma de negação. Ele pacientemente virou-se para o primeiro da fila e gritou, ou melhor, urrou os seguintes dizeres:

- Pois não me parece, fulano de tal (tínhamos um crachá com nossos nomes), pois eu fiz uma pergunta e não ouvi a resposta. Continuou a andar; os outros subalternos ao seu lado, em posição de reverência, sequer piscavam.
- Alguém aqui tem algum distúrbio de ordem sexual? - perguntou, desta vez em tom calmo e, em seguida, disse que, caso houvesse, manifestasse agora. Dizemos apenas que não; uníssono, tal qual soldados de verdade.

Está bem, então não temos mulheres aqui; estamos somente entre homens, estou certo? - virou-se para um menino aparentemente suspeito. Ouviu-se uma riso contido pela sala e o capitão perguntou calmamente em tom pausado. - Quem foi que sorriu? Todos se calaram, mas sabíamos quem tinha sorrido. Ele escolheu um e disse:

- Vou te dar uma chance fulado de tal, olhe para os meus olhos e diga quem foi que sorriu que estará dispensado do serviço militar obrigatório. Ele não entregou, titubeou, mas olhou sorrateiramente para o autor. O capitão disse: - Vocês se apresentam em junho; fulano e o autor da risada; voltem para o final da fila, ficarão em pé; espero que não estejam cansados, pois ficarão aqui até o final da seleção. Os dois se retiraram, cabisbaixos.
- Os demais tirem as roupas, será feito um exame clínico pelo médico do exército. espero não ter que esperar mais que cinco segundos... - ordenou.

Continuava a nos observar; sempre olhando nos olhos, fitando-nos de cima para baixo; ora sorria, ora fechava a cara. Olhou para mim...Senti um frio na barriga; ainda mais quando parou de andar e ficou a me observar...Pegou meu crachá com arrogância e me perguntou:

- Pereira, o que você está fazendo aqui, o que te trouxe até aqui? Virou as costas, saiu vagarosamente. Eu engoli seco, empalideci. Ele esperava uma resposta, pois, segundo nós mesmos, ninguém ali tinha problema de audição; ele me questionou, logo eu teria que responder.

- Estou aqui porque fui mandado para cá senhor, - disse eu sem gaguejar.

- Certo, certo, Pereira, você foi m-a-n-d-a-d-o. - frisou. Entendeu pessoal, o Pereira foi mandado, perceberam? - Se eu mandar ele cair no buraco ele vai cair, estou certo fulano de tal?

- Sim senhor! - respondeu fulano de tal. - É assim que funciona as coisas no exército – gabou-se o oficial.

Depois da entrevista pessoal, fomos preencher um formulário, com as mesmas perguntas que ele ele fez e outras mais específicas - mas agora por escrito, para poder fundamentar uma possível dispensa.

Esperamos lá fora depois. Uns já receberam a noticia do dia da apresentação, eu e mais dois fomos chamado para conversar com o capitão. Desta vez, numa sala reservada. Perguntou o porquê de realmente querer servir sendo que a grande maioria queria mesmo é ser dispensada e não tinha coragem de falar; ele ainda me disse que se eu quisesse seria dispensado no questionário mesmo, pois era só eu fundamentar com a minha “baixa acuidade visual” o meu pedido de despensa que seria aceito, pois o primeiro critério era a avaliação física. Mesmo assim eu coloquei que queria servir Ele disse que, infelizmente, para minha sorte o primeiro critério era a saúde física, por assim dizer.

- Este é o primeiro critério de seleção do exército Fabiano, você pode ser negro ou branco; burro ou inteligente; rico ou pobre, mas só sera dispensado caso tenha algum problema de saúde: (seleção natural, frisou) e que, você aparentemente não tem, mas infelizmente você tem miopia em grau acima do aceitável e pelo visto depende de óculos ou lentes de contato. Achei estranho as marcas de óculos queimado de sol no seu rosto e você não apresentá-los. Teve sorte de o seu colega rir num momento inoportuno, pois você seria o meu alvo durante o questionário Pereira, e eu não teria pena nenhuma de você. Nenhuma.

- Lamento, mas você está dispensado do serviço militar obrigatório.



terça-feira, 21 de julho de 2009

CEO da sua própria vida é demitido por indisciplina.



Volta às aulas: eu como sempre, sentindo-me vazio - ansioso por assuntos novos para poder relacioná-los com a minha vida e, por conseqüência, digladiar-me noites à fio, até entrar em contradição e achar um motivo para uma mudança brusca de comportamento ou algo que explique o porquê desta busca desenfreada e irresponsável por mudanças.

Era para ser mais uma aula onde o professor coloca seu imponente notebook – de propriedade da mega-estatal da qual faz parte da diretoria executiva –, na velha mesa de madeira, da tão quanto velha sala, sentando-se nas desconfortáveis cadeiras da universidade pública e nos deixando à vontade, apresentando os seminários semanais sobre Teorias Gerais da Administração.

Não na maioria das vezes, mas quase sempre, permanece calado, apenas observando nosso comportamento. Seu olhar intimida, sua posição e seu curriculum também. Demonstra ser uma pessoa realizada profissionalmente, detentora de um grande conhecimento: tanto empírico quanto científico, técnico e global. É um típico executivo; sempre cheio de compromissos, viagens internacionais, cursos, reuniões; dispõe de um aparato exclusivo oferecido somente a uma pequena minoria da empresa; obviamente que tudo por seu mérito.

A disciplina que leciona é interessante: explica o porquê de sermos ricos ou pobres; felizes ou tristes; reativos ou proativos; empregados ou patrões. Demonstra em ordem cronológica de acontecimentos, o surgimento dos problemas nas organizações e posteriormente as suas respectivas tentativas de soluções.

É uma constante muito grande; o que era para ser solução acaba tornando-se um entrave posteriormente, logo, necessitando de outras saídas. Tudo é muito dinâmico – soluções antigas já não servem hoje e novas abordagens vão surgindo, mescladas com as anteriores, sem parar - sempre de acordo com a demanda de problemas.

É interessante como o professor lida conosco: uma mistura de professor com patrão - procura desenvolver o nosso senso crítico; capacidade de iniciativa; estimular trabalho em equipe; questiona, coloca-nos em contradição e exige ao máximo de todos sem exceção – jovens, adultos, homens ou mulheres e, como todo patrão, espera resultados; bons resultados e para isso não poupa críticas.

Tem uma habilidade conceitual impar no tocante à motivação; ele “sente” nossos pontos fracos; arranca isso com perguntas simples tal como:

- Como você se vê daqui a cinco anos? Qual sua melhor qualidade? Qual seu ideal de felicidade, o que é ser realizado para você? Para que quer se formar em Administração?

Dependendo da resposta, ele despeja um considerável balde de água fria na sua cabeça ou se estiver com alguma ferida aberta e notá-la - joga mesmo álcool para queimar, arder até você acordar e refletir - mas ao mesmo tempo, seu lado docente atua como um anestésico e, em seguida, demonstra onde você pode melhorar, quais os seus pontos fortes, os melhores e mais eficientes caminhos a tomar de acordo com seu perfil.

Definitivamente é uma aula de vida, ou melhor, de sobrevivência na selva. Mesmo diante de tantas teorias expostas, abordagens, experimentos, bibliografias, estudos científicos - a decisão sobre qual caminho a tomar é totalmente nossa. O conhecimento de nada servirá se não os colocarmos em prática aquilo tudo que aprendemos em sala.

Este é o nosso diferencial. Seremos os tomadores de decisões. Tanto hoje - enquanto alunos, quanto amanhã - quando profissionais.

Na verdade somos tomadores de decisões, sempre fomos. Tudo gira em torno de escolhas em qualquer esfera das nossas vidas: cada escolha leva a um caminho diferente e este caminho produz um resultado, invariavelmente. Entende-se, então que se tomarmos uma decisão que não produzir o efeito esperado, teremos que retroceder, voltar e fazer outra escolha; demandando mais tempo e dedicação. E é com base nestes conhecimentos adquiridos nas aulas e na vida que encurtaremos ou passaremos várias vezes pelo mesmo caminho até chegarmos a um objetivo que nos satisfaça.

Hoje foi uma aula diferente; poucos alunos devido ao recesso de apenas duas semanas; alguns alunos desistentes e o frio, somado a definição antecipada do grupo que seria o responsável pela apresentação do seminário – de certa forma contribuíram diretamente para a presença reduzida de alunos, pois não havia o risco de serem sorteados novos grupos.

Foi uma aula exemplar, como nunca tivemos antes. Desta vez, os que estavam assistindo a apresentação, ficaram apenas a observar, enquanto o professor tomava a vez e fazia jus a toda sua pompa, com uma didática impecável. Desta vez, sem “patrão” incorporado. Elogios, muitos receberam elogios e dava para ver nos olhos ou nas bochechas rubras o contentamento. Os que não receberam, sentiram indiretamente que, só dependem deles para serem os próximos a serem estimulados.

Desta vez, a temática dos debates foi a importância dos conflitos dentro das organizações; enquanto as outras teorias simplesmente ignoravam, evitavam ou dirimiam os conflitos, desta vez enaltecia a sua importância, mas o foco central da aula era a estrutura das organizações (a necessidade de interação entre todas para atingir o objetivo final) e as suas relações com o ambiente externo.

Eu, fiquei a observar e ouvir atentamente; absorvendo ao máximo cada palavra, comentários, exemplos (usou de vários; simples e objetivos), piada, analogia e tudo o que o professor jogava e nos fazia pensar.

Pensei, pensei muito; tentava não colidir os pensamentos do professor com os questionamentos que tinha. Desta vez me contive, guardei-os para mim, não quis interromper a explicação do professor e preservar as minhas auto-conclusões.

Apesar da serenidade das discussões, peguei um gancho de um questionamento que o professor fez ao grupo que se apresentava – lembro-me que o assunto em tese era planejamento estratégico. A resposta do meu colega suscitou um comentário do professor, no qual ele dizia que para tudo se faz necessário disciplina e, conseqüentemente, abrir mão de algo para não perder o foco do objetivo...

Continuou a apresentação até então, para todos, menos para mim. Eu me desconcentrei, desconcertei, travei - senti uma brecha aberta, uma falha, uma cegueira em mim que estava mascarada pelo meu estilo de vida atual, pelo excesso de elogios alheios e contentamento pessoal limitado.

E que na verdade, esta é a resposta para todas as perguntas sobre o porquê de eu não terminar nada do que começo. Nada.

E destas conclusões tirei uma lição, melhor dizendo, sobreveio-me uma crítica, mesmo que indireta. Eu senti o balde de álcool despejar, mas não sobre uma ferida e sim diretamente nos meus olhos.

Não sou instável como supunha; indeciso, impulsivo ou qualquer sinonimo para pessoas que não sabem o que querem para si – eu sou indisciplinado. Não tenho rotina, minha dedicação para tudo existe, mas é esporádica, quando quero ou realmente necessito, isso serve para qualquer campo da minha vida.

Como não notei isso antes? Como passou despercebido, já que me incomoda tanto ter que responder este tipo de pergunta. Nunca tinha parado para pensar ou nunca ouvi isso da boca de ninguém falando diretamente a mim. Por que não recebo uma crítica construtiva? Não dói tanto quanto imaginam, pelo contrário, se faz necessário. Meses, anos da minha vida são poupados...

Esta é a resposta. Agora está tudo tão claro. E quando me perguntarem por que eu mudei de curso novamente, se já terminei o livro que comecei ler e já desisti ou troquei de título; por que quero ir embora daqui; porque tranquei isso, aquilo; por que não quis namorar - eu direi com toda a certeza e consciência:

- Eu sou o cara mais indisciplinado que eu conheço.


sexta-feira, 17 de julho de 2009

Fraldas...


Há tempos não tinha uma sensação tão diferente na minha vida. Destas que você não sabe se ri ou chora; se diz sim ou diz não - simplesmente fica atônito, sem reação alguma, travado.

Tratando-se de mim, não é fácil disso acontecer. Não é fácil mesmo.

Eu, sinceramente, sem hipocrisia, já tive muitas experiências e me permiti a muita coisa e (quase) nada me assusta ou me surpreende, no que se refere a comportamento das pessoas. Literalmente faço o que eu quero e, às vezes, faço o que nunca faria somente para ter sentir a sensação de ter feito.

Isso não torna minha vida previsível, pacata e sem expectativas - pelo contrário; torna ainda mais imprevisível, pois estou sempre buscando algo diferente, sempre querendo algo que me desarme e me deixe assim, com a sensação de ainda há muito o que vivenciar, sentir e aprender. E há! E em tantas intensidades diferentes que fico desnorteado quando acontece.

Já tiveram situações semelhantes no passado, mas talvez o momento não tivesse sido oportuno, faltava algo ainda - talvez pela pouca idade, falta de experiência e vivência não teve o mesmo sabor de hoje, beirando aos trinta anos de idade. Pouco me importava com isso antes; para falar a verdade eu evitava, tinha um pouco de medo, ou melhor, eu tinha muito medo. Tenho amigos bem mais jovens que já tem um, dois... Eu sequer cogitava imaginá-los. Sequer...

Dia seis de julho de 2009; era começo de tarde - fomos convidados para jantar, mas somente eu e a minha mãe fomos. Eu por saber que tão cedo não veria a anfitriã e a sua prole (meus queridos primos) e a minha mãe foi porque era o convite de sua irmã mais velha (minha tia).
É estranho, mas agora que estou longe, faço-me mais presente em reuniões familiares - uma leve ponta de melancolia, misturada com boas expectativas. Uma sensação prazerosa, mas ao mesmo tempo angustiante por saber que tão cedo não os verei.

- Estamos esperando o Marcelo chegar, foi buscar o filho na escolinha e a esposa no trabalho, mas o jantar já está pronto... - disse minha tia, feliz com minha presença.

Foi o tempo de nos cumprimentarmos para que eles chegassem – meu primo, sua esposa e seu filho de sete (acho) meses. Estavam todos aparentemente felizes - apesar do cansaço do trabalho, a responsabilidade do primeiro filho e os desafios de uma vida de recém-casados. Depois das formalidades, dos abraços entre os adultos, as atenções se voltaram para o mais novo integrante da família (até novembro).

Eu, como sempre, estava distraído, ainda de pé, conversando sobre trabalho com o meu primo quando minha mãe se virou para mim e disse estendendo as duas mãos em minha direção, segurando o bebê:

- Toma, segura! - sorriu de forma inocente.

Foi tudo tão rápido que não tive tempo de me esquivar, de dizer que não sabia “mexer”; qual "botão" apertava para ligar ou desligar; que achava lindo, mas no berço ou na cadeira própria para eles – não tive tempo de perguntar onde segurava, se precisava abraçá-lo com as duas mãos; se pegava em posição de ninar ou deixava-o sentar no meu braço. Eu não sabia o que fazer, só sabia que tinha que segurá-lo pois, dada a efusividade da minha mãe, o deixaria ali até que eu o pegasse.

Sem jeito e com um leve tremor nas pernas eu o segurei - melhor dizendo: eu o abracei. Não havia outra saída, não poderia deixá-lo ali esperando ou dizer que tinha certo temor, falta de habilidade, costume.

Era pesado, mexia-se sem parar. Ninguém na sala, naquele momento se tocou na situação, no que eu estava sentindo e o que estava se passando pela minha cabeça. Na verdade pouco se importaram comigo, parecia ser uma situação tão corriqueira que sequer imaginaram o meu desespero e a minha explosão de sensações naquela situação. Continuaram a rir e confraternizar-se; e eu ali com ele nos meus braços - completamente sem saber como proceder.

Ele também ria, parecia feliz, mas continuava agitado para meu desespero. O meu temor/tremor não parava, mas a sua receptividade me fez mais confiante, parecia estar bem satisfeito ao meu colo, virava-se a todo momento, para todos os lados, esboçava gemidos, sons. Olhava rapidamente para os meus óculos com cara de curioso, eu tentava de qualquer forma equilibrar os seus dez quilos nos meus braços mesmo com toda a sua impulsividade e agitação.

Foram no máximo dois minutos segurando-o, até que devolvesse à sua mãe. Ainda estava tremendo, olhava para minhas mãos, olhava para o bebê...Fiquei atordoado, adormecido por alguns instantes ainda, não conseguia dizer nada. Foram dois minutos apenas e eu senti tanta coisa diferente, foi uma experiência indescritível para mim, justamente nesta altura da minha vida. Só consegui esboçar, quase gaguejando um:

- No-o-o-ssa como e-e-ele cresceu... - disse eu, um tanto quanto sem-graça.

Impossível não remeter isto à minha infância, mas ao contrário de outros tempos em que ficaria chorando, lamuriando e ruminando aquilo que não passei enquanto criança, eu simplesmente me projetei - agora não mais na figura de filho; desprotegido, carente e necessitado de amor paternal - mas sim na figura de pai!

- Nossa, como eu cresci. - pensei.


(Eu tive duas referências paternas diferentes na minha vida: uma na infância (meu tio) e outra na adolescência (meu padrasto) - porém nenhuma das duas sequer apresentavam qualquer ligação de consangüinidade comigo, mas mesmo sem dizer pessoalmente, pois estes já sabem e sempre souberam, sou eternamente grato ao que fizeram por mim. Fizeram além das suas atribuições e foram fundamentais para a formação do meu caráter, índole e foram as referências masculinas quando da minha formação. Agradeço pelas cobranças - principalmente e lógico: pelo carinho, amor e dedicação espontâneos, sem esperar nada em troca. Coisa de pai mesmo, dentro de suas limitações, mas coisa de pai, ou melhor: coisa dos meus dois pais!
Obrigado Flávio e Irineu).

Continua...


“Não importa quem foi meu pai. O importante é a recordação que guardo deles.” Anne Sexton


domingo, 12 de julho de 2009

Você é aquilo que você SUJA.



A minha lavadeira me conhece – ela sim sabe o que realmente se passa comigo. Sabe dos meus passos como ninguém; é a quem confidencio silenciosamente os meus dias, sem nenhum pudor, mantemos uma empatia cliente/prestador de serviços; entendemo-nos apenas no olhar profissional dela e mantém-se sempre uma discreta confiança, mesmo com toda sua peculiar efusividade.

Avalia-me, obviamente pela roupa suja que levo à ela - e não pelas horas de conversa que dispersamos descompromissadamente quando dos finais de tarde - ela sim sabe dos meus problemas ou a falta deles, mesmo sem eu contar.

Sabe se/com quem ando; relaciono; alimento e qual meu estado de espírito.

A quantidade exagerada de roupas de frio suja indica que esteja provalmente com a resistência baixa e que evito usar por muito tempo a mesma vestimenta. Fruto de excesso de trabalho. Mas o que leva o excesso de trabalho, a troca de plantões sem ter a devida necessidade?

Para maiores conclusões analisa as camisetas: se são mais as coloridas ou apenas as brancas (que uso por baixo do colete ou as negras - já próprias para o trabalho). que estão em maior quantidade.

Verifica se há cheiro de cigarro impregnado nas coloridas e, se sim – conclui pelo excesso de álcool. Seguindo a mesma linha de raciocínio analisa as meias; realmente as troco com freqüência diária quando pelo excesso de trabalho - dado o acúmulo de água no tênis ou no coturno, quando em tempo de chuva e, logo ligando tudo à troca excessiva de roupa de frio.

Mas ela é minuciosa, nada passa despercebido ao seu crivo investigativo. Não basta saber o que fiz ou deixei de fazer - há uma necessidade incessante de saber os porquês dos meus (des)feitos.

- Seria uma fuga ou necessidade? - questionaria-se. Pense, vamos pense D. Maria, há mais peças a serem analisadas ou mais detalhes embutidos nas mesmas peças.

Após uma triagem inicial, depois de traçar superficialmente como estou fisicamente, quer saber o porquê de eu trabalhar tanto ou beber na mesma intensidade - o porquê de eu não sair mais com a loira e encontrar a morena nos fins de semana. Quer mais detalhes e os procura revirando a sacola de roupas e analisando cada peça com suas próprias mãos, observando a ordem com que foram colocadas no cesto para saber a seqüência correta dos acontecimentos.

Procura, então, por manchas de alimentos, para poder concluir se estou realmente trabalhando por necessidade ou fuga. Roupas com respingos de alimentos - geralmente fast-food, confirmam a teoria de que o trabalho é necessário e fora assumido por motivos de força maior - fato este que é comprovado pela falta de tempo para alimentar-me de forma regrada. E que, apesar de desregrada, conclui-se que estou me alimentando, logo não é propriamente um desleixo com a saúde e sim uma necessidade temporária. Logo, aparentemente estou bem. Só sem tempo e a falta de alimentação, somada à rotina extenuante, contribuíram para baixar a minha resistência física.

Mas a falta de manchas diz que algo não vai bem, de que não estou saindo de casa para nada ou que não estou me alimentando de nem de junkie-food; logo parte para uma análise aromática - técnica aprimorada há anos de convivência.

Sabe meus perfumes, quais os preferidos e em quais dias da semana os uso e nas suas devidas ocasiões, pois tem meu perfil já traçado, basta ligar os pontos. São dois anos de estudo, de convívio indireto com a minha roupa suja.

Perfumes misturados indicam envolvimento; mas como definir se eu estava numa boate, bar esbarrando numa pessoa ou se estava à sós com alguma mulher?

Tão elementar para minha experiente colaboradora.

Analisa pelas mangas – geralmente quando há vários aromas diferentes é sinal de contato físico não intencional e constante com várias pessoas. Para fechar com chave de ouro sua linha de pensamento, analisa a gola e a parte do tórax da camisa. Vê se não há puxões, alargamento excessivo, leva mais perto do nariz para tentar identificar se meu perfume está apenas misturado com cheiro de cigarro ou tem outro embebido no tecido.

Se não bastasse, ainda de forma não intencional, decifra a personalidade ou o apetite da pessoa com quem estive. Analisa se há cabelos - e se os há, quais as cores; verifica pacientemente se há excesso de brilho, maquiagem - o que levaria a pensar que se trata de um encontro casual, num local público e não fora programado por mim.

Para realmente dar o veredito se foi exatamente esta pessoa com que me encontrei, pega as calças e compara com as camisas de forma sistemática – utilizando-se do mesmo processo. Sabe quem tocou mais quem pelo cheiro que fica sob meus bolsos, pois na maioria das vezes eu apoio muito a mão sobre os mesmos e, tratando-se da parte que toma mais a iniciativa, estes estariam com o mesmo cheiro.

Analítica D. Maria - contundente e perfeccionista quando refere-se a mim.

- Como terminara este episódio, pois vejo aqui mais outras e muitas outras peças, teve uma semana agitada, apesar do excesso de trabalho? - preciso decifrá-lo, preciso! Incansável, D. Maria.

Os bolsos, então checa-os, como tato e olfato. Geralmente acha papéis, muitos papeis – recibos de cartões de débito e recarga de celular - nem olha o valor, apenas o local em que fora gasto e já sabe se foi bom ou ruim a noite ou o dia; se estive só ou com amigos da faculdade, se foi um encontro ou apenas uma reunião de colega de trabalhos. Cheira-os também, para saber se sente cheiro de borracha de preservativo, halls preto ou qualquer outro apetrecho que indique que eu sai intencionado.

- Roupas de cama? Sim, mas seria muito obvio analisar agora. - pensou, com olhar desafiador.

Mas não é sua especialidade e nem o seu interesse a minha vida financeira – apesar de influir diretamente na demanda e no objetivo final do seu trabalho; pois sim, eu gasto uma quantia relativamente substancial por mês com as roupas sujas e, invariavelmente, quando estou feliz gasto mais ainda.

Revira o fundo das sacolas e como sempre acha muitas toalhas, como sempre - significa que ainda tenho algum tipo de transtorno obsessivo, pois mesmo no inverno, verão – praticando ou não esportes, a demanda por toalhas é grande e quando é dobrada é porque tem saído com extrema freqüência de casa.

Mas o que o define mesmo são as roupas de cama. Se mando pouco é sinal de que depressão e conseqüentemente muito sono - sinal de fuga; percebe-se, também pela quantidade de manchas na fronha do travesseiro. Geralmente quando dorme-se muito, com sono pesado a tendência é realmente babar e quando se come na cama, os travesseiros deixam marcas deléveis...

As pontas do lençol mais sujas do que a parte de baixo, significa muita pressa e pouca preocupação com assiduidade; juntamente com restos de alimentos no lençol, geralmente manchas de bebidas sempre no mesmo local é sinal de que sai pouco da cama, não se movimenta muito.

E assim decifra o estado de espírito naquele momento.

Seguindo as mesmas premissas; seu feeling; uma lógica minha e a rotina ela sabe exatamente tudo o que fiz e, dependendo da freqüência com que levo, sabe até quais roupas serão levadas na próxima visita à lavanderia.

Quando vou buscar a roupa de cama, sempre pergunto se ficou pronta, mesmo sabendo que ficou; pego a nota; fazemos piadas sobre situações financeiras e ela me entrega a sacola com tudo limpo, nos despedimos cordialmente como velhos amigos, viro as costas e ela provavelmente guarda a conclusão para si. Sinto muitas vezes que ela se diverte com isso; somente uma vez deixou escapar, foi um deslize pequeno, mas eu estava atento ao comentário sutil que fez sobre minha semana.

Poucos shorts, pelo visto não praticou exercícios esta semana, porque esteve gripado e bebeu muita bebida destilada, porém não passou mal. Teve um encontro com uma pessoa apenas, era morena, cabelos até o ombro e extrovertida, foi um encontro marcado, porém apenas uma vez nesta semana; faltou na faculdade um dia, justamente no dia em que não dormiu em casa; tem se alimentado mal; mas pelo visto não está deprimido. Tem usado muito o celular, deve estar se sentindo sozinho, pois a quantidade de recibos de recarga é grande; sua vida sexual anda estável, pelo visto com a mesma pessoa, não a do encontro; trocou a marca de molho de tomate, pois esta remove mais fácil; tem dirigido muito e andado pouco; pois vejo marcas de sinto de segurança nas camisetas mais sensíveis e não vejo as me marca esportiva. Anda prudente no transito e tem lavado o carro com freqüência, pois as barras das calças não estão sujas. No trabalho sido escalado demais dentro das galerias do presídio, devido ao cheiro de mofo; comprou uma caixa de halls de morango e dormiu sozinho todas as noites, tirando a que não dormiu em casa.


- Quanto ficou tudo D. Maria? Até a próxima semana ou quem sabe ainda volto no final desta, com mais novidades - digo, mais roupa suja!


(Andei ausente daqui [mundo virtual]; mas não foi pela falta de "roupa suja", pois o cesto está cheio novamente; mas sim pelo ócio improdutivo que fui tomado nas minhas nada programadas férias, porém merecidas férias; só precisava mesmo do meu teclado, meu monitor, minha cadeira e das minhas roupas de cama para me inspirar novamente...)