terça-feira, 27 de abril de 2010

quarta-feira, 21 de abril de 2010

O meu trade-off.




Nada mais interessante do que aprender o porquê das coisas; melhor ainda é quando os conhecimentos adquiridos se encaixam perfeitamente na sua realidade. Economia sempre foi vista como uma ciência insuportável, quando não, desconhecida; só não ocupando o posto de número um por causa da malfada ciência política.

Os princípios básicos das ciências econômicas estão divididos em dez premissas, organizadas em três grande grupos - são eles:

I – Como as pessoas tomam decisões;
II – Como as pessoas interagem;
III – Como a economia funciona;

As tomadas de decisões individuais acabam influenciando e interagindo entre si, gerando uma grande teia de relacionamentos, na qual chamamos de sistema econômico. Este sistema tem um funcionamento, que por sua vez, tem como fundamento a “troca”.

Economia: pessoas, tomada de decisões, influência, resultado.

Economia, então, pode ser definida como estudo da forma como as sociedades utilizam recursos escassos para produzir bens com valor e de como os distribuem entre os vários indivíduos. Basicamente seria esta definição.

O princípio da tomada de decisão individual que mais me chamou atenção foi o princípio 2:

- O custo de alguma coisa é aquilo de que se desiste para obtê-la.

Custo aqui, na acepção da palavra, não se refere exclusivamente a valor monetário, mas sim a sacrifício, abrir mão, renunciar. Custo: sacrifício; coisa: escolha; aquilo: o que se abre mão; obtê-la: é o resultado em si. A linha de raciocínio é simplória, porém é extremamente usual.

O custo de “A” é abrir mão do “B”. O custo de comer carne vermelha é deixar de comer a carne branca. O custo de comprar ações na bolsa é não comprar dólares do Banco Central. Vale salientar que, quando se trata de escolhas em que uma haja renuncia em detrimento da outra é porque os recursos são escassos; logo, se eu tenho que escolher entre carne vermelha e carne branca é porque eu não posso optar pelas duas.

E é assim que funciona a economia e a vida: O custo de escolher a felicidade é não ter a tristeza. O custo de ser independente é estar longe da família. Toda e qualquer decisão nas nossas vidas tem um custo, cada escolha acarreta uma opção e uma renúncia. Não precisa ser mestre em ciências econômicas para traçar este paralelo, basta ter feito escolhas na sua vida e ter sentido na pele as suas conseqüências, entretanto entender os conceitos é de suma importância.

(Agradecimento especial ao meu Prof. Ms. Alessandro A. da S. que não se cansa em cobrar dedicação total dos seus alunos).

sábado, 17 de abril de 2010

Why so serius I.




A causa é totalmente desconhecida, não há um ignitor para desencadeá-la. Inexiste fato ou motivo para que os primeiros sintomas ocorram. A expressão “do nada” encaixa-se perfeitamente para definir seu início.

Os sintomas iniciais são imperceptíveis; pequenas alterações na rotina, sendo a primeira, o simples ato de procrastinar – deixar para depois o que poderia ser feito agora. Tal fato, resulta num aumento considerável do tempo ocioso, o que acaba por alimentar o círculo vicioso. A feição muda, sorrisos são menos recorrentes e o que impera são os bocejos. A melhor companhia parece ser a solidão, qualquer que manifeste sentimento diferente, gera repulsa. Fala-se menos neste período. O afastamento do convício social é inevitável, vem de forma gradual com recusa de convites, não retorno de ligações e o isolamento.

A aparência física é deixada em segundo plano. A barba cresce à revelia, fazendo jus aos cabelos irregulares. A perca de peso é iminente - tarefas incipientes como comer, torna-se um martírio. Geralmente a opção é para comidas prontas, de baixo valor nutritivo.

Logo as alterações passam a serem visíveis e influir diretamente para o agravamento a situação. A acumulação de tarefas gera uma sobrecarga de responsabilidade e a sua não-realização desencadeia frustração. Faz-se tudo por obrigação e apenas o suficiente; quando não, aquém do esperado. Questionamentos são comuns nesta fase, porém nada é colocado em prática.

O relógio torna-se um considerável algoz; as cobranças internas martirizam o já combalido corpo, que como resposta entra em colapso. A sua única defesa é o sono. Dorme-se a qualquer momento, até mesmo depois de acordar de uma longa noite de sono. Dormir, a defesa involuntária encontrada, agora para a ser vista como fuga. Fugir para não enfrentar, pois os combates são sempre esquivados.

Não há mais rotina e o senso de responsabilidade é devorado pelas fugas. Já não há mais fontes internas de satisfação e para supri-las é necessário algo que deturpe a realidade. A obscuridade toma conta dos pensamentos. Sentir-se inferior, reduzido, excluído fomenta ainda mais a sensação. Nesta fase o processo torna irreversível: o efeito “rebote” das fugas cai como uma luva para a depressão.


(Continua...)




terça-feira, 13 de abril de 2010

Ramo de Arruda NÃO dá sorte?




Poucas pessoas estão dando importância para um fato importante: a saída da prisão do ex-governador de Brasília, o Sr. José Roberto Arruda. O governador do Distrito Federal foi o primeiro chefe executivo de Estado a ter a sua prisão decretada. Apesar do caráter preventivo da prisão, ou seja, medida tomada apenas para que o investigado não influa no decorrer do processo, é uma grande vitória para o que ainda acreditam que corrupto não freqüenta as carceragens e penitenciárias tão bem cuidadas do nosso Brasil. Observando por este ângulo, deve ser por este motivo que o sistema prisional no Brasil é completamente falido, pois só mesmo estando dentro para saber suas necessidades.

Mas o mote não é a atual e insustentável leveza estrutural do sistema penitenciário nacional, mas sim os crimes cometidos por parlamentares que são blindados pela constituição, sob à luz da democracia:

- Imunidade Formal - § 2º - Desde a expedição do diploma, os membros do Congresso Nacional não poderão ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável. Nesse caso, os autos serão remetidos dentro de vinte e quatro horas à Casa respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus membros, resolva sobre a prisão;

Basicamente, só poderão ser presos se pegos em flagrante de delito, mesmo assim quem deve decidir pela sua prisão são seus honoráveis colegas de trabalho e partido político. José Roberto Arruda teve azar, pois o escândalo foi tamanho que seus colegas, por medida de segurança, resolveram não apoiá-lo e ainda o forçaram a desfiliar do partido, para não prejudicar a imagem dos demais. Esta foi a sua punição: ser pego literalmente com a boca na botija foi seu erro capital. Do contrário, ficaria com o apoio da maioria e ainda sob o manto da constituição.

A imprensa ainda estava no fervor da condenação dos Nardoni, não deu (ou não quis) dar tanta importância para a prisão de um político, mas este fato deveria ser desgastado de tanto passar na televisão, assim como deixar diariamente, como fizeram no homicídio de Isabela, um carro 24 horas na porta do fórum:

- Hoje o corrupto governador acordou, tomou café com leite às 8:00 da manhã, depois seguiu para a sala do delegado onde prestou outro depoimento...

Deveríamos ter a mesma indignação que tivemos com o caso Isabela. Não valorar os crimes, mas indignação, revolta. Indiretamente, Arruda deve ter matado muita gente, pois suas obras superfaturadas, principalmente na área da saúde, nunca foram inauguradas.

Com a revogação da sua prisão, viu-se um agora, ex-governador abatido, cabisbaixo, magro, desleixado e principalmente preocupado. Nossa sociedade tem memória curta sim, vai esquecer dos escândalos de corrupção do governador, mas com certeza, ele não vai se esquecer da sua passagem, mesmo que breve pela prisão. Obvio que não ficou em contato com outros presos, nem provou da culinária carcerária, mas só o fato de ter sido privado da sua liberdade – do direito de ir e vir, abalou sua estabilidade emocional.

Arruda não é novato em envolvimento em fraudes; no ano de 2001, fez parte da quebra do sigilo do painel eletrônico quando era senador, juntamente com o “Coroné” ACM. Foi o maior absurdo e, para não serem cassados, pediram desligamento. Trocando em miúdos, se não fossem mais parlamentares, não poderia ser julgados. Dentre outros muitos envolvimentos engavetados.

Arruda é agora um ex-preso e não um político. Seu rótulo mudou, seu status também. Espero que a sua índole tenha mudado e que as nossas opiniões sobre crimes de corrupção também.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

De repente, trinta.




São poucos os sinais visíveis destas três décadas de, literalmente sobrevivência. Algumas cicatrizes na pele devido a acne e vacina; duas linhas de expressão na testa, provocada pelo extenso movimento facial para equilibrar duas décadas usando óculos e uns cinco fios desprovidos de melanina.

Ninguém acerta a minha idade, ninguém. Em certas situações nem eu. Acredito que, enfim, equilibrei minha idade física com a minha idade mental; entretanto durante este lapso temporal, este conflito de “intenções”, tenho certeza que vivi muitas situações na idade errada e isso se manifesta hoje em forma de conflitos internos e crises de “meia-idade”.

Estava lendo um texto de um escritor desconhecido - Affonso Romano de Sant'Anna, extraído do seu livro, “A Mulher Madura" e uma frase me chamou a atenção:

- “Até os 30, me dizia um amigo, a gente vai emitindo promissórias. A partir daí é hora de começar a pagar.”

Pareceu-me um tanto quanto inquisidor, mas faz todo sentido, contudo ainda me vejo receoso em começar do zero, ou melhor, dos trinta em diante e me desvencilhar desta transformações que foram as idades anteriores. Cumprir o que prometi. Só preciso de um tempo para me acostumar com a idéia, estou assustado em me olhar ao espelho, abrir o roupeiro ou como agir aos trinta anos. Não é tão simples assim como fazer 29.

Feliz aniversário para mim! Vou me presentear com livro de auto-ajuda qualquer, pois preciso enxergar o óbvio -, o obvio.