sexta-feira, 26 de junho de 2009

Damn, I Want a Cigarette!




- Pai, para que serve aquela parte ali marronzinha com aquelas coisinhas dentro? - perguntou para o seu pai, uma menininha de aproximadamente uns sete anos de idade - apontando para uma foto no topo de um “display” de caixas de cigarros - destes que ficam expostos no supermercado, em locais estratégicos e de difícil acesso...

Estávamos em fila, aguardando o momento de utilizarmos o caixa eletrônico; seu pai aparentava ser um senhor distinto, vestindo um terno que não parecia ser comprado em grandes redes varejistas, ajustado com uma bonita camisa que deixava à vista, quando esticava seu braço um relógio – no qual deveria valer mais do que o meu carro. Juntamente com a companhia do seu colega, bem mais jovem e não menos distinto. Ambos aguardavam educadamente sua vez. E eu também.

- Esta parte filha, serve para entupir as veias do seu coração! - respondeu a pergunta; olhando sério para sua herdeira; logo após já engatou – apontando para o desenho: (que era de um cigarro enorme, dissecado em cortes esquemáticos; explicando o seu funcionamento) - E esta parte filha, serve para seus dentes ficarem amarelos; esta aqui para cair sua perninha (apontando para uma necrose na foto) se experimentar isto algum dia.

Eu não me contive – dei uma gargalhada espontânea, quase que imperceptível - mas ele percebeu, - riu também; mas sua filha continuava curiosa...

Tínhamos todos terminados de almoçar; percebi pela pressa do pai e pelo copo de sobremesa da menina e eles devem ter percebido pela minhas olheiras por acordar cedo e pelo copo de sobremesa na mão (bem maior e mais açucarada do que a da garota).

Enquanto aguardava seu colega - educadamente o Sr. Marlboro procurou por um funcionário do supermercado, para que abrisse a porta do armário e pegasse sua “sobremesa”; afinal de contas era para isso que estava sacando dinheiro, pois não é aceito cartão de crédito para pagar despesas com cigarro.

- Mas pai pra que serve então...- perguntou a menina, enquanto se lambuzava com seu mac-alguma-coisa... - porém seu pai não a deixou prosseguir: - Termine com seu sorvete querida, pois o papai precisa voltar ao trabalho e você para a escola. - concluiu, ansioso; porém desta virando-se para mim, olhando nos meus olhos e dizendo em tom de preocupação:

- Cuide bem dos seus filhos, meu jovem!


(Há duas coisas que meu organismo não tolera: tabaco e café puro. Mas naquela tarde, depois do meu almoço - eu senti uma vontade de chegar em casa, jogar o tênis pelo corredor, sentar nas minhas desconfortáveis cadeiras da sala, esticar as pernas e ascender um cigarro; acompanhado por um copo de café preto bem quente - daqueles que os policiais americanos adoram: bem forte e cheio; talagando vagarosamente, sentido o aroma, o sabor incomparável e, ao mesmo tempo, intercalando com tragadas no cigarro; jogando a fumaça a esmo para todos os cantos; esvaziando e enchendo meus pulmões de ar – quieto, solitário, observador e pensativo...)



Um comentário:

  1. Se cuidar de filhos viesse com um aviso de como fazê-lo, provavelmente faríamos errado de qualquer forma; como fumar com suas imagens escabrosas no verso. Enfim, fumar é um dilema: nosso organismo não tolera, faz mal; mas o imaginário por trás dessa cena deve remeter a filmes, à nossa infância. Sei la o que é. Mas é.
    Sobre o café, um copinho só com cinco colheres de açúcar para permanecer acordada no trabalho.

    ResponderExcluir